Semana recheada de exposições & leilão





FOTOS: DIVULGAÇÃO





Morgan da Motta (*)
CRÍTICO/ARTES VISUAIS


A semana apresenta-se recheada de exposições, lançamentos de livros e catálogo e inclusive mega leilão de uma noite só, respectivamente Belkiss Diniz na Agnus Dei Galeria (terça-feira), Leilão no Palácio dos Leilões (terça-feira), Juliana Alvarenga, Marco Paulo Rolla, Paulo Nazareth e Wagner Rossi Campos (quinta-feira), na Galeria Genesco Murta com a inusitada mostra coletiva “Sala de Espera para Lugar Nenhum e, finalmente (sexta-feira) na Grande Galeria Alberto da Veiga Guignard, “Paisagem Incompleta” sob curadoria do italiano Jacopo Crivelli Visconti que visa antes de tudo, estimular a imaginação do público da Grande Galeria do Palácio das Artes.Enfim, não tem um único destaque como ocorre na maioria das semanas.Sem dúvida, atrações de peso em nível de artes visuais em interface com a arte contemporânea.Por fim, integram a coletiva da sexta-feira Felipe Cohen, José Damasceno, Lúcia Laguna, Rivane Neueschwander e o cineasta mineiro exemplar representante em termos do contemporâneo x experimental.


Belkiss na Agnus Dei

Foi num momento delicado de sua vida, há cerca de um ano e meio, que a escultora Belkiss Diniz, com a sensibilidade ainda mais aguçada, decidiu dar uma guinada em sua arte, trocando o mármore e o bronze por folhas, troncos, flores, raízes, cogumelos, cupim e até mesmo terra de formigueiro para criar suas esculturas. Ela conta que em setembro de 2008 uma folha de amendoeira caiu aos seus pés. Naquele momento, que lhe pareceu mágico, sentiu um desejo de eternizar aquela visão “tão doce e tão carinhosa da natureza que bateu profundamente em sua alma”. A partir daí, ela partiu numa busca frenética para encontrar uma técnica capaz de conservar esses elementos da natureza.

Começou a pesquisar técnicas de mumificação, usou resina e outros materiais até descobrir uma técnica jamais usada, abrindo um caminho novo para se criar escultura com materiais orgânicos e inorgânicos.

Enfim, Belkiss não encontrou pronta na natureza do conjunto de 40 propostas a serem exibidas a partir de amanhã. Os galhos, troncos e folhas foram se juntando uns aos outros pelas mãos da artista, ganhando novas cores e formas. Junto com a exposição, Belkiss lança na Agnus Dei Galeria de Arte, seu segundo livro de poemas, intitulado “Fragmentos”.

- Esculturas e poemas de Belkiss Diniz têm vernissage amanhã, na Agnus Dei Galeria de Arte das 19 às 23 horas. Visitação de 14 de abril até o dia 30, à Rua Santa Catarina, 1155, Lourdes. De segunda a sexta, das 9 às 18 horas, sendo aos sábados das 9 às 13 horas.


Mega leilão amanhã

Desde quinta-feira passada até hoje (segunda-feira), a Galeria Palácio dos Leilões apresenta em display obras raras de artistas renomados, que irão em leilão numa noite única, amanhã (terça-feira), através do primeiro leilão de 2010.Dentre os quadros e peças mais aguardados pelo público estão “Abstrato”, de Roberto Burle Marx e “Mastros e fachadas” do italiano Alfredo Volpi, avaliado em R$185 mil.Os artistas mineiros Yará Tupinambá, Inimá de Paula e Eugênio Sigaud também fazem parte da lsita, que conta com 160 obras a serem leiloadas.Quanto às esculturas, o Palacio dos Leilões traz uma raridade de Vitor Brecheret, da década de 1930, “Torço feminino” em bronze patinado, avaliado em R$25 mil. Quem não conferiu das 10 às 21 horas de quinta feira até domingo, à Rua Gonçalves Dias, 1866, em Lourdes tem hoje, no mesmo horário, para uma vista d'olhos.Por fim, no site www.palaciodosleiloes.art.br até antes do leilão propriamente dito a partir das 20,30 horas de amanhã.A propósito, o proprietário Marco Antonio Ferreira Lopes está de volta ao Palácio dos Leilões – Galeria de Arte, ao lado de sua esposa e marchand Lucienne Amantéa, depois de ter sofrido AVC no final do ano passado.Daí, o próximo leilão vai ser comandado pelos leiloeiros Rogério e Cristiano Ferreira, respectivamente irmão e filho do Marco Antonio Ferreira Lopes cujo pai foi um dos pioneiros em nível de leilões de arte e de carros na cidade.


Coletivas no Palácio das Artes

A Fundação Palácio das Artes encerra a semana com duas excepcionais coletivas programadas respectivamente para quinta-feira e sexta-feira. A primeira, na Galeria Genesco Murta apresenta proposta coletiva e assinada por Juliana Alavarenga, Marco Paulo Rolla, Paulo Nazareth e Wagner Rossi Campos até o dia 9 de maio. Na ocasião, os visitantes terão a oportunidade de vivenciar um trabalho em permanente (des)construção a se renovar a cada dia.Por sua vez, no dia 17d e maio, às 19,30 horas, os integrantes participam de um bate-papo com o público e fazem o lançamento do catálogo da mostra.Local: Teatro João Ceschiatti, também com entrada franca.Enfim, um espaço de circulação que os artistas construíram será o palco em que as montagens e desmontagens da galeria são a própria exposição.Visa antes de tudo, intervenções e performances.Sem dúvida, às influências da arquitetura desconstruvista em interface com às artes visuais e contemporâneas... A segunda coletiva: Paisagem Incompleta que procura estimular a imaginação do público vai reunir até o dia 23 de maio, os interessados nas artes visuais contemporânea, cerca de 50 obras de artistas nacionais, como Felipe C9hen que explora a tensão e o equilíbrio e José Damasceno, que aposta na criação de objetos e em instalações nos limites da escultura, por meio de materais como madeira, concreto e alumínio. A carioca Lúcia Laguna, que tem a paisagem como principal temática de seus quadros, é conhecida pelo rigor da abstração informal, utilizando-se de listras, retângulos e demais elementos geométricos para compor suas pinturas. Por sua vez, Rivane Neuenschwander, que tem sua obra instalada numa pequena casa de fazenda de 1874, a mais antiga construção remanescente da propriedade rural que deu origem ao Inhotim, em Brumadinho. Como destaque maior entre os destacados acima, merece realce o cineasta mineiro Cao Guimarães, que desde o final dos anos 80, exibe seus trabalhos em diferentes museus e galerias como Tate Modern, Guggenheim Museum, MOMA, Frankfurten Kunstverein, Studio Guenzano e a Galeria Roesler, conisiderada uma das vanguardistas de São Paulo. Também revela obras de arrtistas internacionais, como da alemã Eleonore Koch, radicado no Brasil em 1936. Trata-se da única artista discipulad e Alfredo Volpi, sendo que sua pintura ainda é pouco conhecida no Brasil. Também inclusos da coletiva Geraldo de Barros, Arthur Lescher, Carmela Gross, Sandra Cinto, Marcelo Moschete, Willys de Castro, Vicente Mello, Rita Bordone, Mira Schendel, Laura Belém, Edith Derdyk e Eleonore Koch, sem dúvida, coletiva para recomendar com entusiasmo.


(*) Morgan da Motta é jornalista e crítico de arte, membro da Associação Brasileira de Críticos de Arte e da Associação Internacional de Críticos de Arte - Orgão da Unesco.
Home Page: www.morganmotta.com
E-mail: mmotta@hojeemdia.com.br


12.04.2010