A vida inteira de Videira


FOTOS: MIGUEL AUN/RICARDO CREPALDI/FERNANDO FIUZA

Cerâmicas (1) de Erli Fantini, escultura (2) de Acácio Videira e cerâmica (3) de Luciana Racicchi



Morgan da Motta (*)
CRÍTICO/ARTES VISUAIS

Amanhã, terça-feira, é hora de rever a obra de Acácio Videira, intérprete maior da cultura africana em nível do tridimensional (esculturas e máscaras), do que resulta num dos destaques maiores de semana. Vernissage a partir de 20 horas, na galeria de arte do BDMG.
Videira estabelece trajetória expressiva que tem como mote único a interpretação e o registro das expressões visuais - e também espirituais e culturais - da África Negra, com as quais convive por longos anos na função de fotógrafo, etnógrafo e curador do Museu de Angola.
Este pintor e escultor português, que viveu em Minas Gerais desde 1974, ano em que faleceu, aos 89 anos, teve uma vida cheia de lance dignos do melhor romance de aventuras. Nascido em Portugal, desde cedo demonstrou pendor para as artes, rebelando-se contra imposições familiares para que escolhesse uma profissão “prática e rentável”. Seus estudos na Escola de Belas Artes, no Porto, foram interrompidos devido à convocação para ser expedicionário na Segunda Guerra mundial.
Recomendamos com entusiasmo, à Rua da Bahia, 1600, onde a obra de Videira fica até o dia 30, com visitas de 10 às 18 horas.
Outro destaque é que mais uma vez foi realizada grande coletiva de cerâmicas, exatamente a XVII Feira de Cerâmica, idealizada pela primeira-dama da cerâmica mineira, Erli Fantini, numa produção de Junia Noccchi, Tula Barcellos e Rita Scaldaferri Carneiro. A edição foi transplantada do Mercado de Santa Tereza para o Mercado Distrital do Cruzeiro.
Da lista da notáveis ou estrelas participantes, a partir de Erli Fantini e da homenageada Leda Selmi Dei Gontijo, constam, com suas propostas mais recentes, Ana Paula Gonçalves, Ângela Maciel, Bel Resende, Bernadette Santiago, Carmelita Andrade, Cibele Tietzmann, Cristina Paiva, Eliane Maia, Emília Sakurai, Gera Queiroga, Germana Artuso, Jane Resek, Laila Kierulff, Lídia Miguelão, Luciana Radicchi, Marcílio Figueiredo, Márcio Hamcek, Nancy Continentino, Neide Gruberger, Neida Pimenta, Paula Souza Dias, as Reginas Meirelles e Pimentel, Renato Magalhães, Roberto Lott, Simone Campos, Sônia Roedel, Susana Fornari, Teresa Nasci e Wander Marcílio.
Mudando de assunto: O Instituto Cultural da Usiminas, o Usicultura, festeja 15 anos de atividades com a exposição “Homemtrabalho” e a apresentação do Grupo Corpo. Será na quinta-feira, a partir de 20 horas, naquele monumental e funcional espaço, localizado no Shopping do Vale do Aço, em Ipatinga.
Para fechar o leque das atrações da semana: Mostra individual de Joaquim Nogueira, ex-designer e consultor de moda, comentarista de moda somente em TV que, depois de uma grande virada rides again como dublê de dono de Pousada em Arraial D’Ajuda, se lança como pintor com individual na quinta, de 19 às 23 horas, na Minas Contemporânea, localizada à Rua Alagoas, em plena Savassi e vizinha da Casa de Leilão e Galeria de Arte Errol Flynn. Outros comentários depois do vernissage. A montagem acontece amanhã.
Atualmente, Joaquim Nogueira elabora pinturas tendo como mote o mar e os seus mistérios. Daí o título: “Mergulho - Bandeiras & Mastros”.



(*) Morgan da Motta é jornalista e crítico de arte, membro da Associação Brasileira de Críticos de Arte e da Associação Internacional de Críticos de Arte (ABCA-AICA).Home Page: www.morganmotta.com. E-mail: mmotta@hojeemdia.com.br

13.05.2008