Imagens em alta

FOTOS: DIVULGAÇÃO-TF/JQ/EA

01. Corpo dissecado, de Tiago Fazito
02. Fotografia de Júlio Quaresma
03. Imagem premiada de Eduardo Albert

Morgan da Motta (*)
CRÍTICO/ARTES VISUAIS

Hoje, a partir de 20 horas, a galeria do BDMG Cultural tem vernissage da coletiva “Retratos”, resultado de uma disciplina de modelo vivo do curso de Belas Artes, na qual oa alunos transformam-se em modelos vivos - retratando uns aos outros - numa proposta, antes de tudo, personalizada. São trabalhos de 12 artistas-alunos do curso de Artes Visuais da UFMG: Aroldo Dias Lacerda, Danielle Carvalho, Eduardo Pansica, Isabel Rodrigues, Julio Quaresma. Mariana Discacciatti, Miriam Chiara, Raquel Souza Borges, René Coulaud, Sara Moreno, Vanessa Oliveira e Walney Soares. Percebm-se, entre eles, mais afinidades do que disparidades, mais aproximações que distanciamento, sendo o entusiasmo o elo comum. É o que afirma Wanda de Paula Tofani e Eugênio Pacceli Silva Horta, professores das disciplina.
Sem dúvida, um conjunto de portraits que foge ao retrato tradicional e alcança o experimental, ou seja, sem maiores malabarismos. Além disso, em termos de técnicas, são várias vertentes que dialogam e, na sua maioria, estão ligadas por um conjunto homogêneo e de qualidade criado por um grupo de talentos emergentes.
Outra exposição é a individual de Tiago Fazito, ora em cartaz na Galeria de Arte da Cemig, reúne pinturas, objetos e instalações sob o título “Charogne””. Suspensas em fios de náilon, as 25 propostas mostram o corpo humano estilhaçado ou fragmento se prefere: sem pelo, apenas na carne, realçada pelas cores fortes escolhidas pelo artista, que usa e abusa das tintas acrílicas vermelhas e pretas na concepção de todas às peças. A fria aparência dos fragmentos de corpos descarnados, aparenta que eles teriam sido dissecados.
A excentricidade atual do trabalho de Fazito começa pelo título: Charogne significa carniça e se refere ao destino que o corpo tende a ter. Ele faz menção ao poema “Une Charogne”, de Charles Baudelaire. Nesse poema, é como se o poeta fizesse de memória uma pintura do fedor de uma carniça.
Fechando o leque dos destaques da semana, Eduardo Albert, que foi matéria aqui, na capa do Cultura de 24 de abril, em função de suas fotografias premiadas, acaba de conquistar o prêmio maior da edição do Concurso de Fotografia Pierre Verger, na Bahia. Ele que começou a fotografar há apenas dez anos e é responsável renovação da estética em nível da fotografia contemporânea nas Minas Gerais e, por extensão no Brasil. Anteriormente, foi premiado na Dinamarca, na Itália e na Bélgica. Detalhes na nossa home page.
Ele conquistou sete prêmios no período de nove meses. Já pensou daqui a uma década? Só falta agora integrar os acervos de um colecionador do nível de Delcyr Antônio da Costa, ou então, do Tadeu Bandeira, cujo acervo de arte contemporânea é composto por 60% de fotografias. Sem dúvida, uma referência em termos de fotografia elevada à arte.
No momento, as fotografias premiadas no Concurso Pierre Verger podem ser vistas na Bahia, até o fim do mês.Para o segundo semestre, Albert promete as fotos premiadas e outras novidades, em galeria comercial de Belo Horizonte, antes de partir para viagens prêmios nos Estados Unidos e na Itália.

“Retratos” - Vernissage às 20 horas de hoje, na Galeria BDMG Cultural (Rua da Bahia, 1600). Visitas de segunda a sexta, de 10 às 18 horas. Até o dia 30. Tiago Fazito - Na Galeria de Arte Cemig (Avenida Barbacena, 1200, Santo Agostinho). De segunda a sábado, de 8 àS 19 horas. Até o dia 15

(*) Morgan da Motta é jornalista e crítico de arte. Home Page: www.morganmotta.com. E-mail: mmotta@hojeemdia.com.br)

12.06.2006