ARTES VISUAIS


Casa Fiat inaugura hoje a exposição Arte da Velocidade



FOTO: CASA FIAT DE CULTURA

1 - “Formas Únicas da Continuidade no Espaço”, obra do
artista futurista Umberto Boccioni, de 1913, integra a mostra
2 - Pintura de Giacomo Balla
3 - Esboços de automóveis
4 - Automóvel dos tempos do futurismo
5 - Cadeiras/Abajour do design italiano



Morgan da Motta (*)
CRÍTICO/ARTES VISUAIS

Mostra coletiva que faz paralelo entre arte e velocidade versus o Movimento Futurista, entra em cartaz hoje na Casa Fiat de Cultura. O vernissage será às 19h30 horas, somente para convidados. A exposição estará aberta ao público a partir de amanhã, ficando em cartaz até 20 de setembro. Através de mais de 180 obras de arte, a mostra convida a uma reflexão sobre o culto à velocidade, que se iniciou com o Movimento Futurista. E, pelo ângulo das artes visuais, como ela modificou o cotidiano das pessoas, desde o início do século XX. São 44 pinturas, 22 desenhos, nove cartazes, 17 automóveis e motos históricos, objetos de design, maquetes, três vestimentas criadas por Emilio Pucci, uma escultura do futurista Umberto Boccioni, “Formas Únicas da Continuidade no Espaço, de 1913, preciosidade que faz parte do acervo do Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC/USP).
Sob a curadoria de Eugenio Martera, a exposição é resultado de um ano de trabalho, entre concepção e produção do projeto, que tem mais de oito toneladas de carga, e despendeu oito deslocamentos aéreos Itália/Brasil/Itália, 300 profissionais, 30 educadores, 95 dias de exposição, 750 metros lineares de parede expositiva e 1.400m2 de área expositiva. Com planejamento estruturado pela Contemporânea Progetti, empresa de Florença especializada na criação de exposições multimídias.
São 11 módulos que começam com a velocidade nos céus, dedicada aos aviões, apresentando obras de pintores futuristas, partes de aviões históricos e miniaturas. Entra em cena, então, páginas no Manifesto Futurista de Marinetti, que completará um século em 2009, reproduzidas em imensos painéis, que conduzem o visitante à época do nascimento do automóvel.
Já o design destaca a pesquisa das formas aerodinâmicas capazes de conquistar novos recordes e metas. Para ilustrar o tema, são expostos os projetos e miniaturas do engenheiro Giacosa, notável projetista. O módulo 4 é sobre o mito do automóvel entre o costume e a velocidade, o 5 sobre Futurismo e Arquitetura e o 6 diz respeito a velocidade da produção, com exposições de fotografias e ampliações. Quanto as seções 7 - A guerra - a velocidade volta-se para a expansão bélica, enquanto que os módulos 8 e 9 tratam do Boom: retomada econômica e velocidade do crescimento).
finalmente, a 10 e a 11 dizem respeito à competição (Mito das Corridas Ducati e Ferrari) e da Velocidade do Futuro: um longo corredor acompanha o visitante em direção à saída, e durante o percurso, dez telas com áudio contam o conceito de velocidade no futuro e em suas infinitas declinações.



Destaque são os artistas italianos do futurismo

Merecem especial atenção os principais artistas italianos do futurismo: Filippo Tommaso Marinetti, escritor, ideólogo, poeta e editor, um iniciador do mvimento, cujo manifesto foi publicado no jornal parisiense Le Figaro, em fevereiro de 1909; Giacomomo Balla, pintor que promoveu os avanços científicos e técnicos; Carlo Carrá, que influenciou bastante a arte na itália, nas décadas de 20 e 30, sendo que em 19l5, aliou-se a Giorgio de Chirico para realizar a primeira pintura metafícica; e Umberto Boccioni, cuja obra se manteve sob a influência do cubismo, mas incorporando conceitos de dinamismo e simultaneidade (formas e espaços que se movem ao mesmo tempo e em direções contrárias).
Para divulgação do movimento, publicou-se o Manifesto Técnico da Pintura Futurista, no qual estão registrados os princípios teóricos desta escola: desprezo pelo passado e a representação naturalista, indiferença em relação aos críticos de arte e rejeição dos conceitos de harmonia e bom gosto aplicados à pintura.
Por sua vez, De Chirico foi o responsável pelo movimento chamado pintura metafísica, que interrogava dimensões do conhecimento. Para isso, valeu-se da perspectiva tradicional do Renascimento Florentino, que proporcionava ao conjunto uma seção de infinitude e de uma luz uniforme.


Speed - A Arte da Velocidade - Abertura hoje, somente para convidados, às 19h30, na Casa Fiat de Cultura (Rua Jornalista Djalma Andrade, 1.250 - Belvedere). Aberta ao público, com entrada franca, a partir de amanhã (terça a sexta, de 10 às 21 horas, e sábados e domingos, de 14 às 21 horas). Informações e agendamento de visitas: (31) 3289-8900. Até 20 de setembro.


(*) Morgan da Motta é jornalista e crítico de arte, membro da Associação Brasileira de Críticos de Arte e da Associação Internacional de Críticos de Arte (ABCA-AICA).Home Page: www.morganmotta.com. E-mail: mmotta@hojeemdia.com.br

12.06.2007