A fotografia em questão





FOTOS: RENATO SOARES/MYRIAM VILAS BOAS


1 - Kuarup - a última viagem de Orlando Vilas Bôas

2 - Exposição Azul/Crença de Myriam Vilas Boas



Morgan da Motta (*)
CRÍTICO/ARTES VISUAIS


Myriam Vilas Boas e Renato Soares, em nível de fotografias, apresentam duas mostras imperdíveis. A primeira no prédio anexo da Biblioteca Pública Estadual. O segundo, com Kuarup na Galeria Genesco Murta, da Fundação Palácio das Artes. Daí, vamos no quem é quem.

A Galeria Passarela Cultural exibe imagens do Congado Mineiro, nos revelando a expressão religiosa mantida pela tradição oral na celebração afro-brasileira de Nossa Senhora do Rosário. Segundo a fotógrafa, a exposição consiste em revelar o ritual religioso dos negros congadeiros, em honra à Nossa Senhora e aos Santos Pretos, ou seja; mesclando a religiosidade da cultura negra com os santos católicos (leia-se sincretismo religioso).Enfim, a comunidade incorpora, entre cantos e batidas dos tambores, os personagens de reis, rainhas, coroados, porta-bandeiras, capitães regentes, dançantes, cantadores, caixeiros e, juntos, forma a guarda de congado – devidamente trajados – o que resulta em imagens de forte expressão em celebração ao sofrimento e às angustias em imagens de forte expressão em celebração aos sofrimentos dos negros oprimidos.O ritual não se baseia em uma manifestação folclórica, mas se traduz em uma celebração de fé, em honra à Nossa Senhora do Rosário e demais santos negros.
Formada em Direito pela PUC-MINAS, Myriam começou a fotografar em 2003. Interessada por toda forma de expressão afro-brasileira, em 2005, iniciou este registro tendo como referência a chamada Guarda de Moçambique Nossa Senhora do Rosário, Guarda de Moçambique Senhora das Mercês e Guarda do Congo Nossa Senhora do Rosário, de Oliveira, sudoeste mineiro. A exposição além der ser um instrumento de preservação da memória da religiosidade do povo afro-brasileiro, pretende, ainda, potencializar olhares multiplicadores sobre esta tradição oral que é o Congado. Após temporada em Brasília, em janeiro deste ano, no Espaço Chato da Fundação Assis Chateaubriand, ainda inédita em Belo Horizonte, traz fotografias realizadas durante os últimos cinco anos. Trata-se de um trabalho aberto, sendo que ela vai continuar com novos desdobramentos.

- A individual de Myriam fica em cartaz no espaço do prédio anexo da Biblioteca Pública Estadual Luiz de Bessa – Professor Francisco Iglésias – Passarela Cultural, à Rua da Bahia, 1899 – segundo piso.Visitas de 8 às 20 horas e aos sábados de 8 às 13 horas até o dia 31 de julho.


Em cartaz I & II

O fotógrafo Renato Soares tornou-se conhecido em torno dos índios e seus rituais. O resultado de suas propostas resultou na mostra Kuarup, acervo da família de Orlando Villas Boas, que pode ser conferida na Galeria Genesco Murta, à Avenida Afonso Pena, 1537 até o dia 8 de agosto. Visitas, na Fundação Palácio das Artrers de terça aos sábados das 09h30 às 21 horas, sendo aos domingos das l6h30 horas até às 21 em função a Feira de Arte e de Artesanato, da qual fui um dos fundadores há mais de 45 anos. Por fim, em cartaz II, corresponde a uma “tip” ou dica se prefere com relação a emoçãoart.ficial 5.0 – Bienal Internacional de Arte e Tecnologia (Autonomia Cibernética). Enfim, se você não foi a Sampa no último fim de semana, feriado paulista do Nove de Julho, recomendamos com entusiasmo. Afinal, inaugurada no dia primeiro de julho fica em cartaz até o dia 5 de setembro, no Itaú Cultural, avenida paulista, 149, São Paulo (SP). Um zoológico com diferentes espécies de robôs, um caracol artificial que responde a estados emocionais humanos, arvores que aprendem a reagir à poluição... Autonomia é o conceito que une os trabalhos em display, sendo que todos têm a capacidade de dialogar...


(*) Morgan da Motta é jornalista e crítico de arte, membro da Associação Brasileira de Críticos de Arte e da Associação Internacional de Críticos de Arte - Orgão da Unesco.
Home Page: www.morganmotta.com
E-mail: mmotta@hojeemdia.com.br


12.07.2010