Além do visto e revisto


FOTOS: DIVULGAÇÃO

DESTAQUES: O vidro na arte de Thula Kawasaki (1), (2) “Galegada lasca fogo em obra de artista mineiro”, de Jayme Reiso e (3) exposição “Os Bijagós”, da Guiné Bissau




Morgan da Motta (*)
CRÍTICO/ARTES VISUAIS

Mostra individual de Thula Kawasaki, artista plástica da nova geração revelada através de nossas curadorias Resumo HOJE e Tridimensional na Arte Contemporânea, é o destaque maior em termos de vernissages na semana. A exposição, no Espaço Cultural da Galeria de Arte do Anexo da Biblioteca Pública Estadual Luiz de Bessa, resulta do mestrado da artista, na Escola de Belas Artes da UFMG.
Estarão em display algumas das propostas mais relevantes abordadas ao longo da dissertação, realizados entre 2003 a 2007, abrangendo desenhos, objetos e uma única instalação. A mostra, bem como a dissertação, trata de uma relação com arte construída através da intimidade, com o fazer, de uma vivência da casa e do desejo humano de dar conta do imenso volume de informações que recheia ou, se prefere, abarrota o mundo contemporâneo.
A respeito de suas experimentações e experiências, assim se expressa Thula: “Aqui estão relacionadas experiências na arte às experiências banais do dia-a-dia e às tentativas de, ao ordenar, construir um mundo que sempre escapa, que nunca se deixa apreender, que resulta sempre inconcluso, proliferante, caótico. Essa busca por uma ordem vê, expostos na arte, seus artifícios, a arbitrariedade de seus critérios, suas falhas, sua graça e até seu ridículo”.
Enfim, tanto o texto quanto a produção procuram se aproximar dessa beira do abismo - ainda que dentro do contexto aparentemente restrito do cotidiano doméstico que é a morada da ordem.
Em tempo: o título da exibição é “A Casa e a Vertigem da Ordem”, que corresponde praticamente a toda a trajetória desta notável artista contemporânea da nova geração. Sem dúvida, La Kawasaki está pronta para representar o Brasil em qualquer bienal internacional. Ivo Mesquita, que acaba de ser escolhido como curador da próxima Bienal Internacional de São Paulo, devia fazer uma visita ao seu “sight” e ateliê em Belo Horizonte.
A propósito, depois das desastrosas curadorias compartilhadas na Bienal de São Paulo, de Veneza e até na Dokumenta de Kassel na Alemanha, a saída, ao que parece, está na curadoria única, como ocorreu na última Bienal de Veneza, com o curador norte-americano Robert Storr, que ressuscitou Veneza. Sabia? Além de ter sido responsável pelo up-grade da última bienal veneziana, que encerra-se no próximo dia 21, ele tem servido de modelo para salvar combalidas bienais pelo mundo afora... Aquelas de curadorias compartilhadas, como a última de Sampa, que do título “Viver Juntos” resultou num bruto fiasco e em divórcio entre a curadora-chefe e as adjuntas...
Por sua vez, sob o título “Epiphania”, Jayme Reis, artista visual multimídia, encerra o calendário 2007 do Projeto Concorrência de Talentos promovido pela Galeria de Arte do Espaço Cultural Cemig (16ª Edição). As fotografias em back light revelam a mais nova fase do desenhista e pintor de formação, artista múltiplo que sempre se impôs principalmente pelo seus inúmeros objetos de suportes e variados formatos.
Jayme Reis, paralelamente aos seus criados personagens de conteúdos eróticos, utilizando-se da arte virtual e outros elementos aglutinentess da internet, sem fazer malabarismos alcança resultados que vão muito além da fotografia iluminadas pelo processo “back-light”.
Fechando o leque dos destaques, no final de semana foi inaugurada a exposição inédita “Os Bijagós”, que traz máscaras e objetos da cultura do povo Bijagó, da Guiné Bissau.
Com curadoria de Emanoel Araújo, criador e ex-diretor do Museu Afro-Brasil que fica no Parque Ibirapuera, em São Paulo, a mostra marcou o início do 4º Festival de Arte Negra, FAN, com essa exposição no saguão da Prefeitura e que faz parte do Festival que acontece de 19 a 25 de novembro. A propósito, reúne artistas nacionais e internacionais vindos de diversos pontos da África e suas diáspora, com uma vasta programação que inclui cortejo, shows musicais, exposições, espetáculo de teatro e dança, mostra de cinema, entre outras atividades.
O Festival comemora o aniversário de 110 anos de fundação de Belo Horizonte, hoje, e desdobra-se até o dia 27, até quando pode ser visitada a exposição no saguão da Prefeitura, na Avenida Afonso Pena, 1212.



Thula Kawasaki - Vernissage amanhã, no Anexo da Biblioteca Pública Estadual Luiz de Bessa (Rua da Bahia, 1889). Visitas de 8 às 20 horas, de segunda a sexta e, aos sábados das 8 às 12 horas. Até 30 de novembro.
Jayme Reis - De 8 às 19 horas, de segundas a sábado, na Galeria da Cemig (Avenida Barbacena, 1200). Até 28 de novembro.


(*) Morgan da Motta é jornalista e crítico de arte, membro da Associação Brasileira de Críticos de Arte e da Associação Internacional de Críticos de Arte (ABCA-AICA).Home Page: www.morganmotta.com. E-mail: mmotta@hojeemdia.com.br

12.11.2007