Par de peso


01. Mural - Acrílica sobre parede de J.B Lazzarini.
Foto: Divulgação do Artista

02. Acrílica sobre tela de J.B Lazzarini.
Foto: Divulgação do Artista

03. Esculturas da série "Sementes" de Leonardo Gabriel.
Foto: Divulgação do Artista

Morgan da Motta (*)
CRÍTICO/ARTES VISUAIS


J.B. Lazzarini e Leandro Gabriel são atração no recém-restaurado Centro Cultural PUC Minas (DCE Casa do Estudante), na Avenida Getúlio Vargas. A dupla mostra começa com dois murais de Lazzarini, na fachada. Ele optou, à elaboração dos murais, por composições geométricas, fazendo contraponto com situações ligeiramente cubistas, de acordo com suas características desde o início de sua trajetória, há dez anos. No segundo andar estão megapinturas, quase painéis, criados por J.B. com os artistas Guido Boletti e Rodrigo Guimarães.
Por sua vez, Leandro Gabriel se faz presente com quatro esculturas de porte médio, da série “Semente", mais vma vez plantadas no chão. No mezanino estão objetos de portes pequeno e médio, da série “Biscoitos". Paralelamente, no recém-inaugurado Studio Cerâmico (Rua Tomé de Souza, 550, Savassi), Gabriel expõe a série “Assentáveis", sofás de ferro e couro em pêlo zebrados, no primeiro andar. E logo na entrada estão objetos de porte médio, conjugados com esculturas que partem do andar térreo e atingem o segundo andar.
A peculiaridade da obra do artista faz com que suas propostas sejam vistas ora como esculturas, ora como objetos e até instalações.

A Casa do Estudante surgiu em 1955, quando o terreno da Avenida Getúlio Vargas foi doado pela Prefeitura ao DCE PUC-Minas. Sem recursos, o Diretório levou 15 anos para inaugurar seu centro cultural. Em 1970, ano de sua abertura para os estudantes, e mesmo sofrendo com a censura, o espaço era usado para ensaios de grupos musicais, peças teatrais, espetáculos com grandes nomes da MPB, como João Bosco, além de calouradas e as famosas “horas dançantes". Além disso, o Centro Cultural tornou-se espaço para contestar a opressão do regime militar. Nos anos 80, entrou em decadência, chegando a funcionar com boate. Agora, comemorando 50 anos de criação, restaurado e remodelado, o espaço promete voltar aos seus tempos áureos.

Completando o cardápio de sugestões da semana, vale visitar a Léo Bahia Arte Contemporânea, que encerra encerra seu calendário 2005 com dupla atração: desenhos de Ivan Serpa, sob o título “Mas isto também é?", e uma coletiva das bordadeiras da Vila Mariquinhas.
Ivan Serpa é um dos ícones do modernismo brasileiro. No contexto da Escola de Arte Visuais do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, nos anos 50, ele se transformou num dos maiores nomes como artista e professor de arte visuais do Brasil. Seus desenhos são propostas de pequenos formatos que pairam nos limites das raridades ou preciosidades. Recomendamos com entusiasmo.
Também as bordadeiras da Vila Mariquinhos, fugindo dos bazares de Natal e enfatizando o ambiente das galerias, são atração imperdível.

J.B. Lazzarini e Leandro Gabriel _ No Centro Cultural PUC (Avenida Getúlio Vargas, 856). De segunda a sábado, de 14 às 22 horas. Até o dia 30. Ivan Serpa e Bordadeiras _ Na Léo Bahia Arte Contemporânea (Avenida Raja Gabaglia, 4875, Santa Lúcia). De segunda a sexta, de 10 às 19 horas, e aos sábados, de 11 às 14 horas. Até 28 de janeiro.

(*) Morgan da Motta é jornalista e crítico de arte. Home Page: www.morganmotta.com. E-mail: mmotta@hojeemdia.com.br)

12.12.2005