Los hermanos

“Soladeras", obra de José Clemente Orozco: representando o México, país convidado (Foto FBM/Divulgação)

Renato Malcon, presidente da Fundação Bienal de Arte Visuais do Mercosul, reuniu entre os meses de outubro e dezembro, representantes da Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Paraguai e Uruguai, além do México, país convidado, para traçar as diretrizes em nível de curadorias e módulos da 4ª Bienal do Mercosul, programada para 2003.
O sonho de criar o maior programa das Américas, abordando a arte latino-americana, tornou-se realidade. Afinal, as três mostras, realizadas em 1977, 1999 e 2001, tranaformaram o Brasil no pólo cultural do Mercosul.
Tendo como suporte os governos federal, estadual e municipal, a mostra conta ainda com apoio de empresários e da comunidade cultural dos países que integram o Mercosul.
Antes da Bienal, foram realizadas a Pré-Bienal Internacional de São Paulo e a Bienal Latino-Americana, na década de 70, visando antes de tudo valorizar as representações latinas junto à Bienal Internacional.Este crítico, ao lado dos colegas Rhadá Abramo, José Roberto Teixeira Leite e Jacob Klintowitz, integrou grupo de trabalho (uma espécie de Conselho Curatorial) que rendeu não só up-grade das represtações latinas, mas uma valoriação maior da Bienal Internacional.
Enfim, o programa se destaca particularmente por meio de três grandes exposições: Mostra do País Convidado, Mostra Histórica e Mostra Transversal, além de apresentar cada um dos seis países integrantes do evento, por meio de representações nacionais e mostras icônicas.
As seções nacionais serão constituídas por msotras de artistas contemporâneos, e as icônicas serão exposições especiais destinadas a abordar, com profundidade, um destaque da arte de cada nação.
O México, país convidado, trará José Clemente Orozco, um dos três mestres do muralismo, ao lado de Rivera e Siqueiros, à integração entre o remoto e o contemporâneo.
No módulo da Mostra Histórica (Arqueologia das Terras Altas), teremos a arte pré-colombiana transandina que entreabre caminhos estéticos, transpondo a ponte temporal e desemborcando em questões enfrentadas pela contemporaneidade artística.
Finalmente, a Mostra Transversal, sob curadoria de Afonso Hug, próximo curador da Bienal Internacional de São Paulo, visa, antes de tudo, o percurso de Simon Bolívar como ponto de partida para uma expedição pela paisagem cultural latino-americana. Os demais curadores serão Franklin Pedrosos e Nelson Aguilar.
A Bienal do Mercosul vai ocupar o Museu de Arte do Rio Grande do Sul, Armazéns do Cais do Porto e Memorial do Rio Grande do Sul (antiga sede dos Correios e Telégrafos e Usina do Gasômetro, o conjunto representa um exemplar da arqueologia industrial do século XX).

Morgan da Motta
23.12.2002