Yara e o Rio

Visão geral do painel “O Desbravamento do Rio São Francisco", transferido para o campus da Universidade Federal de Minas Gerais (foto divulgação UFMG)

Desde a semana passada, o acervo da Universidade Federal de Minas Gerais, no campus da Pampulha (que já contava com o painel “Inconfidência Mineira", abrigado no prédio da Reitoria) foi enriquecido com a doação da obra “O Desbravamento do Rio São Francisco", instalado no mais novo prédio do campus, na Faculdade de Educação (visitas ao local devem ser solicitadas com uma semana de antecedência).
Esses dois painéis marcam profundamente toda a trajetória de criatividade da conceituada muralista Yara Tupinambá, um dos mais representativos nomes da arte mineira e brasileira.
Em quatro décadas de ofício, ela alargou seus interesses como criadora de monumentais painéis, de maneira prodigiosa.
Atualmente, entre paisagens e figuras humanas, ainda denota a fonte surreal, desta feita banhada pela luz do sertão sobre o Velho Chico.
No catálogo, fartamente ilustrado e todo em papel cuchê, registramos um resumo da produção em que Yara Tupynambá destaca-se também por explicitar o resultado de longas pesquisas.
“O Desbravamento do Rio São Francisco" vai não só integrar o mais novo núcleo arquitetônico do Campus, como sintetizar toda a saga do Velho Chico, fazendo a união da arte em contraponto com a história, por intermédio da muralista maior de Minas Gerais: Yara Tupynambá.
Do catálogo consta também a Memória Descritiva, desdobrada em quatro cenas ou módulos: Cena I - A partida dos desbravadores - o rio é um caminho que chama para a aventura - a despedida das mulheres; Cena II - Os barcos esperam para o encontro dos homens com a nova terra; Cena III - Os desbravadores - a posse da terra, a civilização do gado, a abertura da navegação do rio das Velhas, que alcança o coração de Minas; Cena IV - A ligação de Minas com a Bahia pelos barcos que navegavam a partir de Pirapora - as carrancas e as tradições pulares; o homem descansa e contempla o rio.
Colocado inicialmente no Banco Mercantil do Brasil, em 1968, sob encomenda do Presidente do Banco, Vicente de Araújo, o painel de lá foi retirado há seis anos, quando, por intermédio do vice-presidente Virgílio Horácio de Paiva Abreu, foi negociada sua doação à Universidade Federal, que o recebeu para ser restaurado.
Por iniciativa da reitora Ana Lúcia de Almeida Gazzola e da direção do Banco Mercantil, o monumental trabalho foi conservado e incorporado ao acervo da Universidade, como um bem cultural que pertence a todos.

Morgan da Motta
25.12.2003