Cerâmicas & Instalações

Amantes das artes plásticas têm boas mostras para conferir nestas férias, em BH

 


FOTO: DIVULGAÇÃO

Trabalho da artista plástica Ana Paula Lanari, que pode ser conferido na mostra da Galeria Agnus Dei



Morgan da Motta (*)
CRÍTICO/ARTES VISUAIS


O mês de julho reserva boas opções para os amantes das artes plásticas na capital mineira, a começar pela Coletiva de Cerâmica que ocupa a galeria Agnus Dei; da exposição individual de Sérgio Machado com suportes variados, na Cemig, e pelas pinturas de Amaury Franco de Battisti, na Fundação Alfredo Ferreira Lage (FUNALFA), em Juiz de Fora. Um menu variado, acrescido, ainda, pelos eventos paralelos do Festival de Inverno de Ouro Preto e Mariana.

Na Agnus Dei, o público pode conferir os trabalhos do grupo composto pelos conceituados ceramistas Ana Paula Lanari, Cibele Tietzmann, Fernanda Nicacio Silveira, Juliana Gontijo Aun, Leninha Latalisa, Marcus Chiari, Regiane Espírito Santo, Samara Arbex, Sebastião Pimenta e Susana Fornari. No ano passado, foi o primeiro coletivo a participar de um programa de estudos na arte da porcelana na China. O intercâmbio foi realizado na cidade de Jingdezhen, considerada a capital mundial da porcelana. Lá, o Sanbao Ceramic Art Institute abriu suas portas para os ceramistas mineiros, que tiveram oportunidade de aprofundar seus conhecimentos nesta arte milenar e ter contato com a cerâmica contemporânea que hoje é produzida na China e que tem como um de seus expoentes o artista Jackson Lee - um dos proprietários do Sanbao. Minas Gerais, que por várias décadas teve como referências, no âmbito da cerâmica, os nomes de Leda Selmi Dei Gontijo e Erli Fantini, passa a contar com outros renomados da nova geração. Sob o título de "Ganbei, Um brinde ao Brasil na China", a coletiva deve ser visitada e recomendamos com entusiasmo. Sebastião Pimenta, coordenador do intercâmbio, esclarece que foi uma experiência única, na qual os artistas puderam utilizar o ateliê do Sanbao, equipado com plaqueira, torno e bancadas, e as pastas de porcelana e argila chinesas, que são muito diferentes do produtos disponíveis aqui, no Brasil. A Agnus Dei fica na Rua Santa Catarina, 1, 155, Lourdes, e a mostra pode ser visitada de segunda a sexta de 9 às 18 horas, ou aos sábados, das 9 às 13 horas, até o dia 20. SÉRGIO MACHADO Cadeiras e faixas de demarcação, elementos primordiais das obras do artista plástico Sérgio Machado, estão na individual "O Espelho de Sherazade", na Galeria Cemig. Nela, o artista procura, antes de tudo, relacionar seus desenhos, em lápis preto sobre papel, com o tridimensional, o objeto. São dez desenhos, além de miniaturas de cadeiras e faixas de demarcação, numa busca que exercita a perspectiva. A propósito, assim se expressou Machado: "Procuro o desafio dessa matéria tão intrigante e que tanto fez evoluir o ser humano com a sua descoberta". Quanto à instalação que é mote e dá título à sua mostra, 1.001 cadeiras, esculpidas por ele mesmo, na dimensão de 4 x 7 cm, surgem perfiladas. Para realizar a exposição, Machado utilizou madeira encontrada nas ruas e no lixo de marcenarias de Tiradentes, na qual mantinha um ateliê.Por fim, as 1.001 cadeiras correspondem a uma figura no chão, ocupando espaço de 10 metros quadrados, sendo que utilizada fitas plásticas nas cores preto e amarelo - as mesmas cores empregadas na sinalização do trânsito. Experiente e campeão em termos de experimentalismo, sem dúvida suas diversas vertentes são revisitadas em termos de perspectiva e do tridimensional. A individual de Sérgio Machado fica até o final de semana, e a Galeria Cemig fia na Avenida Barbacena, 1,200, com visitas de 8 às 19 horas.


AMAURY NA FUNALFA

Paralelamente, está em cartaz, só que em Juiz de Fora, a mostra retrospectiva do artista plástico mineiro (nasceu em Guiricema, em 1965), Amaury Franco de Battisti, na Fundação Cultural Alfredo Ferreira Lage -Funalfa. Conceituado, o artista lançou o livro "Paisagem Decorrente - Referências e Desenvolvimento de uma Linguagem em Pintura". Trata-se de um profissional de produção fortemente ligada ao modernismo e à desconstrução, o que, até certo ponto, seria uma espécie de"art about art" ("arte sobre arte"), considerando suas apropriações de artistas notáveis do Brasil e do mundo. "Paisagem Decorrente" é recomendado para professores e alunos dos diversos cursos de artes visuais. O livro é o resultado de uma monografia desenvolvida para a conclusão do curso de Pós Graduação, "Pesquisa e Ensino no Campo das Artes Plásticas", da Escola Guignard/UEMG. Para quem quer conferir a retrospectiva, a Funalfa fica na Avenida Rio Branco, 2234.


(*) Morgan da Motta é jornalista e crítico de arte, membro da Associação Brasileira de Críticos de Arte e da Associação Internacional de Críticos de Arte - Orgão da Unesco.
Home Page: www.morganmotta.com
E-mail: mmotta@hojeemdia.com.br


13.07.2009