No mundo das imagens


FOTOS: DIVULGAÇÃO


COMPOSIÇÃO de objetos artesanais (1) de Déa Tomich, aspectos do Prêmio Design (2) e (3), em São Paulo, e propostas (4) e (5) de Abraham Palatnik e Júlio Le Parc




Morgan da Motta (*)
CRÍTICO/ARTES VISUAIS

Para quem vai viajar para São Paulo neste mês de janeiro, os destaques no calendário de Ano Novo são duas mostras coletivas: a primeira, no Museu da Casa Brasileira, apresenta o 21º Prêmio Design; a segunda, no Instituto Tomie Ohtake, Os “Cinéticos”, reúne o que há de mais representativo no gênero. Aproveitando as férias, ambas as exposições valem uma esticada até Sampa. Aqui, em BH, a atração é a individual da fotógrafa Déa Tomich, “Artesanato Mineiro”. A mostra foi inaugurada no fim de semana, na galeria do Sesc.
A mais nova edição do Prêmio Design, cartaz no Museu da Casa Brasileira em São Paulo, tem como mote a inventividade brasileira em oito categorias, com propostas selecionadas entre os 394 inscritos, de 14 Estados e 42 cidades. Neste ano, ao completar sua maioridade, a premiação volta-se para reflexões sobre o ensino do design no Pais, a própria premiação e a forma de viver e pensar de nossa sociedade.
Dividida em oito categorias, a mostra coletiva apresenta 41 objetos escolhidos por catorze especialistas. As peças em display compõem painel bastante diversificado das tendências do design brasileiro. Tem de tudo um pouco: de ares retrô e características artesanais à poltrona de algodão e madeira, desenhada pelo baiano Aristeu Pires, passando por vasos de plantas coloridos em plástico, que evita a dengue, e até luminárias transformadas em assentos e outros objetos que fazem parte do nosso dia-a-dia. No entanto, por sua inventividade, uma cadeira de balanço estilizada acabou por ser “best-seller”.
A coletiva fica em cartaz até o próximo domiingo, na sede do MCB, na Avenida Brigadeiro Faria Lima, 2705, bairro Jardim Europa, em São Paulo. Visitas podem ser feitas de terça a domingo, de 10 às 18 horas.
Ainda em Sampa, “Os Cinéticos” exibe oitenta criações de 45 nomes consagrados das mais diferentes gerações. O curador cubano Osbel Suarez visa, antes de tudo, mapear o que há de mais importante na arte cinética na Europa, nos Estados Unidos e até na América Latina. Lado a lado estão - entre outros notáveis como Alexander Calder, Giacomomo Balla e Salvador Dali -, o argentino Julio Le Parc e o brasileiro Abraham Palatnik, esses dois últimos bastante conhecidos desde as bienais de São Paulo das décadas 60 e 70.
A vontade de introduzir o movimento como elemento plástico, seja de forma real, por meios mecânicos e elétricos, ou de forma virtual, através de técnicas visuais, pairou sobre a arte do século XX; O movimento, a velocidade como referência da modernidade e a máquina, como símbolo do progresso tecnológico, estiveram presentes desde o início do discurso artístico de vanguarda.
A exposição pretende mapear as expressões plásticas desta vontade de cinetismo a partir de dois postulados básicos. O primeiro define e rastreia a obra cinética através da história da arte, desde o início da modernidade até as últimas manifestações artísticas, sem ater-se às estritas periodicidades e classificações que tradicionalmente foram sendo estabelecidas, a não ser desde uma perspectiva transversal. O segundo postulado trata de reinterpretar o alcance e significado do cinetismo na América Latina como contribuição ao discurso geral da arte moderna.
A mostra é cartaz deste final de semana no Instituto Tomie Ohtake, na Rua Coropés, 88, bairro Pinheiros.
Aqui em BH, a fotógrafa Déa Tomich, por várias décadas, trabalhou como foco principal na cobertura de grandes eventos e fotografias técnicas para peças publicitárias. Há mais de 20 anos numa profissão em que a maioria é masculina, ela não se incomoda com a surpresa e comentários sobre sua escolha profissional.
Entre os vários programas que costuma cobrir na capital mineira, Déa desenvolve trabalho paralelo de arte, talvez, por influência de sua formação em Desenho e Plástica, pela Fuma. Na presente individual, seu olhar explora temas como a beleza contida nas oferendas ritualísticas, na arquitetura grandiosa ou na decadência dos casarios em demolição e, ainda, a releitura contemporânea da fotografia.
“Artesanato Mineiro” é um ensaio para o calendário Sesc deste ano. Foram produzidas mais de mil fotografias, de doze matérias-primas predominantes no uso pelos artesãos mineiros. O que era para ser apenas fotografias para um calendário, se transformou em releituras, sempre sob a luz natural.
Nessa exposição individual estão trinta fotografias que, muito além do objeto, revelam novos ângulos e emoções do artesanato mineiro, sob curadoria de Joubert Cândido.

Déa Tomich - De segunda a sexta, de 12h30 às 18h30, na galeria do Sesc (Rua Tupinambás, 956, 1º andar)


(*) Morgan da Motta é jornalista e crítico de arte, membro da Associação Brasileira de Críticos de Arte e da Associação Internacional de Críticos de Arte (ABCA-AICA).Home Page: www.morganmotta.com. E-mail: mmotta@hojeemdia.com.br

14.01.2008