Arte x 3


FOTOS: CRISTINA MONTHEIRO/JÚLIO HUBNER

1 - Escultura em ferro e aço de Ricardo Carvão
2 - Pintura “Janela”, de Gilberto Todt Ferreira
3 - Brincadeiras de Crianças, segundo Ricardo Ferrari



Morgan da Motta (*)
CRÍTICO/ARTES VISUAIS


O Centro Mineiro de Referência em Resíduos, depois de algumas inaugurações informais, entra de vez e de fato no roteiro das grandes mostras, sob o comando do ex-secretário do Estado de Cultura, José Oswaldo Lasmar. São dois espaços distintos: o primeiro, ao ar livre, corresponde a quase dois campos de futebol. O segundo, parte dele construído num misto de galpões e lofts (similares aquelas imensas galerias da Rua West Broadway de Nova Iorque), representam espaços para aulas e galerias de portes variados. Por sua vez, monumentais esculturas de Ricardo Carvão Levy, l5 inéditas e várias dúzias de diferentes fases, ocupam todo o espaço externo desde o fim de semana; marcando, assim, a inauguração definitiva.
A série Tubismo, assim nomeado por Levy, por se tratar de propostas escultóricas, projetadas e desenvolvidas por ele, a partir da forma explícita do tubo. Criadas em tubos de aço oxidado, a partir de resíduos de construção de pontes no Brasil e no Canadá, reafirma a vital importância da atividade artística cultural do escultor e o seu comprometimento com o meio ambiente.
Além disso, discute espacialidade versus visualidade, conjugadas com ferro e resíduos industriais, estrutura básica de todas as obras em display. Medindo de 3 a 4,5 metros, pesando entre 500 e 700 quilos, as esculturas são concebidas em tubos quadrados de aço carbono oxidados e ferro velho.
Carvão Levy nos presenteia, com obras de arte, o material produzido pela natureza (minério), que são inseridas na malha urbana, democraticamente expostas à apreciação de todos. Tubismos é o desdobrar coerente de sua esmerada e fecunda produção em mais de três décadas.

Janelas no Mercure

O artista plástico Gilberto Todt Ferreira, que trafega em diversas áreas, encerra no fim de semana, na galeria de arte do Hotel Mercure Lourdes, sua individual com a “Série Janelas”. Sua principal característica é a cor. Tanto com material reciclado quanto na pintura, ele aproveita a possibilidade de sobrepor camadas e, até mesmo, sobrepor outros materiais que, no seu entender, enriquece sua pintura, proporcionando exercício para o olhar do visitante no geral. Todt destaca a possibilidade de enxergar paisagens em cada fragmento da tela nostálgica e lúdica.
Através das janelas, o artista resgata a criança que conviveu com mudanças, tendo residido em 18 diferentes cidades. São lembranças de infância, caixas deixando sua casa a caminho do caminhão de mudanças, que ele sempre acompanhava pela janela. Assim, através do emaranhado de cores e texturas, Todt expressa o dentro e o fora, interior e exterior.


Ricardo Ferrari: última chamada

A mostra individual de Ricardo Ferrari encerra-se no fim de semana, na Galeria Errol Flynn. São três séries distintas: a primeira remete às lembranças da infância dos objetos - personalidade única em pinturas, fazendo contraponto com uma terceira, com objetos de porte pequeno e médio.
À primeira vista, chama a atenção o catálogo, mais parecido com um bem elaborado-diagramado livro de estórias infantis. O projeto gráfico de Ana Lúcia Silva e fotos de Julio Hubner saltam aos olhos. Por sua vez, suas pinturas em espaços estanques similares a colagens infantis, tão ao gosto do artista, entre o sonho e a realidade, demonstra, antes de tudo, o casamento perfeito entre a técnica e a temática.
No catálogo, texto do ex-secretário de Estado de Cultura Geraldo Elísio, sintetiza as propostas ora reais ora oníricas de um profundo conhecedor do meio a que Ferrari se propõe.
Segundo Roberto Elísio: “Ricardo Ferrari em seu laboratório de cores parece ter encontrado o segredo da juventude eterna, que transpõe para as telas sem revelar, mas deixando em aberto a percepção com a logomarca de sua pintura. Basta comparar a fase Memórias da Infância com o atual período dos Objetos”. Ferrari tem um traço maduro com a visão de uma criança que certamente se perdeu no tempo resguardando-se na memória.



Tubismos.
Centro Mineiro de Referência em Resíduos (Rua Belém, 40, Bairro Esplanada - esquina de Av. dos Andradas). Visitas de segunda ao sábado, das 9 as 17 horas. Patrocínio da CRMM, Servas, Feam e Governo de Minas.

Janelas, de Gilberto Todt Ferreira. Hotel Mercure Lourdes (Av. do Contorno, 7315) Visitas 24 horas por dia, até o próximo sábado.

Ricardo Ferrari. Galeria Errol Flynn (Rua Alagoas, 977 - Savassi). Vitas até o próximo sábado à tarde.


(*) Morgan da Motta é jornalista e crítico de arte, membro da Associação Brasileira de Críticos de Arte e da Associação Internacional de Críticos de Arte (ABCA-AICA).Home Page: www.morganmotta.com. E-mail: mmotta@hojeemdia.com.br

14.07.2008