Rei MoMA

Ampliação do Museu de Arte Moderna de Nova Iorque, o MoMA, resulta em marco arquitetônico.

01. Detalhe da fachada MoMA
02. Monomental escultura de Bruce Naumann
03. As diversas fachadas do MoMA

Foto: Divulgação MoMA

Morgan da Motta (*)
CRÍTICO/ARTES VISUAIS


Reinaugurado no final do ano passado, o mais novo módulo do Museu de Arte Moderna de Nova Iorque, o Moma, resulta num dos principais ícones da arquitetura contemporânea em nível de museus. Nos dois lados do Atlântico, por muitas décadas, vai reinar absoluto.
O sucesso do projeto de Yoshio Taniguchi deve-se, antes de tudo, ao fato de integrar todos os módulos anteriores numa proposta única, sem se desfazer das fachadas dos arquitetos Philip Johnson, Godwin and Stone e Pelli _ responsável pela Torre, o penúltimo módulo, devidamente articulado e integrado. Da fusão do granito negro e alumínio, na maioria da fachada, surge o novo MOMA, exatamente ao comemorar seus 75 anos de fundação.

O espaço do novo módulo corresponde ao anteriormente ocupado na Rua 54, onde ficavam o Dorset Hotel e vários brownstones (leia pequenos prédios em tijolinhos de cinco ou seis andares).
A partir do grande hall do mezzanino, de onde partem todos os elevadores e escadas rolantes, o destaque maior é para a monumental escultura de Bruce Naumann, no centro, com altura correspondente à do pé-direito de um prédio de 15 a 20 andares. Escadas rolantes e elevadores permitem o acesso sem maiores dificuldades.
A reinauguração teve como mostra principal a retrospectiva dos pioneiros do modernismo, Cezanne e Pissaro, na galeria do sexto andar, batizada de Galeria Joan e Preston Robert Tisch, onde, daqui pra frente, serão realizadas as mostras temporárias.

Por outro lado, “Demoiselle D'Avingon", de Pablo Picasso, e o painel de Jackson Pollack, o papa do modernismo nos Estados Unidos, suprem a falta do mural “Guernica", que há mais de vinte anos retornou à Espanha, e continua no Museu Rainha Sofia.

Para alegria dos brasileiros, propostas dos artistas Cildo Meireles, Lygia Clark, Jac Leirner e Madalena Schwartz estão entre as aquisições-doações recentes do acervo. Por incrível que pareça, a origem dos trabalhos não é de nenhum colecionador brasileiro ou outra instituição qualquer. Para nossa surpresa, são da coleção da família Cisneros, da Venezuela, com promessa de doação no futuro. Afinal de contas, não faz parte da tradição brasileira milionários empresários ou colecionadores doarem nada. Ainda teremos que aguardar várias décadas para isso ocorrer por aqui.

Mas, encerrada a retrospectiva de Cézanne e Pissaro, em termos de mostras temporárias a atração continua sendo “Segurança: Design toma suas chances", que tem como mote apetrechos variados, para serem usados no terrorismo e suas variantes _ refletindo a atual preocupação em termos de segurança em Nova Iorque (principalmente), Londres, Roma...
Esses trabalhos estão causando neurose aos residentes locais, e “canseira" nos visitantes em geral.


(*) Morgan da Motta é jornalista e crítico de arte. Home Page: www.morganmotta.com. E-mail: mmotta@hojeemdia.com.br)

14.11.2005