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01. "Bordado Livre", obra em construção de Juçara Costa
02. Escultura em ferro de Leandro Gabriel
03. Estandarte de Maria Amélia (Foto Divulgação)

Morgan da Motta (*)
CRÍTICO/ARTES VISUAIS


A mais nova galeria de arte da cidade tem seu vernissage de inauguração amanhã a partir de 20 horas, com a coletiva «Quatro X Quatro». Integram a mostra inaugural Juçara Costa, Leandro Gabriel, José Orlando Castaño e Miguel Gontijo.

Da associação do leiloeiro Gustavo Costa e do moldureiro Carlos Roberto, a Contemplo Galeria de Arte é a primeira a ser inaugurada este ano, que promete três outras no segundo semestre. A propósito, todas elas dedicadas à arte contemporânea e de diferentes proprietários.
Castaño, que trabalha as cores de forma despojada e segura, como se fossem testemunhos carregados de significados, destaca-se pelas pinturas em técnica mista sobre tela, predominando o abstracionismo. Juçara Costa propõe uma obra em construção, em eterno processo de elaboração. São bordados sobre tecidos e vestuários, numa peculiar versão contemporânea recorrentes a nomes como Bispo e Leonilson. Por sua vez, Leandro Gabriel, utilizando-se do ferro, apresenta pela primeira vez a série «Rombóides».

Tais esculturas-objetos lidam com construções feitas de vazios e intervalos e de tudo que deixa rastro. Pelas suas dimensões, na sua maioria, criadas especialmente para ambientes externos. Miguel Gontijo procura, antes de tudo, mostrar retratos a nos espreitar incluso seu auto-portrait. Serão colocadas em display em espaços estrategicamente selecionados e reservados. Enfim, imagens irreverentes e irônicas, segundo ele dispostas de maneira a nos inquirir. Todas elas de formatos tamanho natural. Ele propõe um universo cambiante entre o eu e o outro, onde o estranhamento possibilita o diálogo. Será?
Muita gente acha que nossa cidade não comporta mais nenhuma outra galeria comercial. Discordamos. Afinal de contas, haverá sempre espaço para aqueles que souberem unir um calendário de nível a um trabalho essencialmente profissional. Os profissionais ficam e os amadores desaparecem...
Por sua vez, a mostra coletiva «Ave Maria», inaugurada no fim de semana na Minas Contemporânea, numa iniciativa das curadores Carine Alvim e Maria do Carmos Arantes, reúne artistas de diferentes estilos e técnicas. Compõem o núcleo da exposição pinturas, desenhos, objetos, bandeiras e estandartes de conhecidos artistas belo-horizontinos: Abraão Jabour, Angela Geo, Beatriz ABic-Acl, Décio Novielo, Eliza Pena, Francisco Fátima de Araújo, Umberto de Aráujo, Leo Maciel, Lisbeht Macher, Marcelo A.B., Marcelo Brant, Maria Amélia, Maurino de Araújo, Nivalda Mendonça, Olindo de Araújo e Yara Tupinambá.
Essa seleção de diferentes propostas dá uma pequena amostra da coletiva. O ponto em comum está no claro viés figurativo da maioria deles. Todos eles propõem novas abordagens de um tema exaustivamente trabalhado desde o início da Idade Média até os tempos de hoje. Além disso, se exprimem por meio de pinturas, esculturas e instalações. Para quem pensa que a coletiva se restringe a uma temática ultrapassada, sem dúvida pode surpreender.
No Parque Municipal, Elisa Pena, Léo Santana e Elisa Pena, que trafegam pela escultura figurativa, foram os artistas plásticos escolhidos pela curadora Yara Tupinambá, a fim de compor a coletiva Mostra de Esculturas no Parque.
No catálogo, assim escreve Yara Tupinambá: «A colocação de escultura em espaço público sempre fez parte da história da arte, desde a Antiga Grécia, quando homens e heróis olímpicos eram enaltecidos com a exposição de suas imagens nos espaços das cidades. Preocupados com isto, os artistas buscaram, na figuração, a possibilidade de expressar mais amplamente o sentir diante do mundo, acrescentando à escultura, além de valores estéticos inerentes a toda obra de arte, seus próprios conceitos sobre a vida contemporânea, com seus personagens saídos do povo, permitindo, desta forma, uma interação muito mais efetiva entre arte e público.

Quatro x Quatro» _ Vernissage amanhã, às 20 horas, na Contemplo Galeria de Arte (Rua Barão de Macaúbas, 261, Santo Antônio). De segunda a sexta, de 8 às 18 horas, e aos sábados, de 8 às 13 horas. Até 17 de junho. «Ave Maria» _ Na Minas Contemporânea (Rua Alagoas, 989, loja 13, Savassi). De segunda a sexta, de 10 às 18 hoiras, e aos sábados de 10 às 13 horas. Até o dia 31. Coletiva _ Com Léo Santana, Elisa Pena e Sonia Toledo. No Parque Municipal Américo Renné Gianneti, de 8 às 18 horas. Até quinta-feira.


(*) Morgan da Motta é jornalista e crítico de arte. Home Page: www.morganmotta.com. E-mail: mmotta@hojeemdia.com.br)

15.05.2006