Tintas para a ecologia


FOTOS: DIVULGAÇÃO DOS ARTISTAS

Intervenção de Manfredo de Souzanetto (1), Pintura de Luiz Chaves transposta de tapeçaria (2) e (3) obra de Abadia França, da série “Gaia”


Morgan da Motta (*)
CRÍTICO/ARTES VISUAIS


Martim Francisco Borges de Andrada, o novo diretor do Museu de Arte da Pampulha (MAP), com a abertura da coletiva "Entre Salões 1969-2000 - O Acervo do MAP no Contexto do Salão Nacional", entra em contato com a comunidade das artes visuais. Arejado em termos de arte contemporânea e bem articulado, à primeira vista conquista confiança e atenção de importante núcleo, no qual me incluo, sempre torcendo para o Museu dar certo.

A exposição também coletiva, que encerrou o mandato do último diretor, pecou pela falta de coerência, de pesquisa; a atual tem lá suas ausências e distorções. Afinal de contas, raras são as ocasiões em que se fala na memória e, por extensão, no registro histórico propriamente dito. A pressa, a preocupação para valorizar uns e ignorar outros são as causas sempre repetidas e somadas ao eterno despreparo. Mas é bom ver propostas de vanguardistas como José Ronaldo Lima, Manfredo Souza Neto, pioneiros das apropriações e das instalações como Terezinha Soares e Décio Novielo. Por sua vez, já que o mote ou tema central seria destacar as obras premiadas que marcaram um período, uma carreira, uma tendência, é lamentável a ausência de Manoel Augusto Serpa Andrade, inúmeras vezes premiado, sendo que o Museu tem no acervo desenhos, objetos e até proposta conceitual registrada por vídeos e principalmente fotografias. Depois da visita até certo ponto "leitura dinâmica" da inauguração e de uma visita mais prolongada, prometemos voltar ao assunto. A mostra fica em cartaz até o dia 2 de agosto, no MAP (Avenida Otacílio Negrão de Lima, 16585, Pampulha, de 8 às 20 horas, de terça-feira a domingo). Mudando de conversa, Abadia França, muito antes de tanto se falar em arte-e-ecologia, reciclagem e meio ambiente inclusos "eco-chatos", trafegava por tudo acima citado e mais arte-reciclagem com muita consciência ecológica. Daí, foi das mais acertadas sua escolha para comemorar o Dia do Meio Ambiente no Espaço Cultural do Via Brasil, na Pampulha, que transforma caixas de papelão e papel de filtro de café em telas. O que ela procura falar e reiterar através de reciclagem e obras artísticas é lembrar que o bem-estar da humanidade depende da preservação, proteção e vitalidade da Terra. Politicamente correta, Abadia está com sua exposição individual no Via Brasil, por sinal, uma galeria de arte e espaço cultural muito bem instalados, com bom espaço, excelente iluminação e até escada rolante. A mostra "Gaia, A Nossa Casa" fica no mezanino até o dia 2. Visitas no mesmo horário do supermercado-shopping, na Avenida Pedro Primeiro, Jardim Atlântico. Outra mostra individual de destaque é a de Luiz Chaves, a ser inaugurada na pequena galeria anexa ao Teatro da Cidade, sábado, às 20 horas. O artista vai mostrar o que há de mais recente de sua criação em termos de óleo sobre telas. Sem se desligar por completo de suas tapeçarias e das influências de seu mestre maior, o falecido tapeceiro Degois, de maneira prática e objetiva Chaves transporta às telas tudo aquilo que criou há 30 anos em tapeçarias. O resultado, não poderia ser outro: mulheres, folclore do Brasil, flores e fauna guardam a representação, em nível de pinturas, de antigas imagens de suas tapeçarias. Há ainda, através de sua safra mais recente, cavalos inspirados nos desenhos de Da Vinci, confirmando seu compromisso com a beleza. Até 12 de julho, de segunda a quinta, de 14 às 19 horas, e às sextas, sábados e domingos, de 16 às 21 horas.

(*) Morgan da Motta é jornalista e crítico de arte, membro da Associação Brasileira de Críticos de Arte e da Associação Internacional de Críticos de Arte - Orgão da Unesco.
Home Page: www.morganmotta.com
E-mail: mmotta@hojeemdia.com.br


15.06.2009