História personalizada


FOTOS: DIVULGAÇÃO

Apropriações (1, 2) de Velásquez e Botticelli, por Marcos Lima, e instalação (3) de Hilal Sami Hilal, verdadeira floresta de blocos de papel


Morgan da Motta (*)
CRÍTICO/ARTES VISUAIS


Inaugurada no fim de semana na Galeria Agnus Dei, a exposição de Marcos Lima, artista plástico e professor de artes visuais, apresenta o que há de mais recente de sua produção. Enfim, depois da série identidades realizada ano passado na Galeria Celma Alvim - Arte Contemporânea, a atual exposição tem como mote as ilusões, tema central. Daí, se desliga da trilha dos ícones da história e mergulha na linha dos sentimentos e emoções, conceitos sociais e princípios éticos. Sem dúvida, uma grande virada.

Graduado em artes visuais (pintura), tendo estudado com o professor espanhol Jorge Gueron, na Escola de Belas Artes de Bilbao, Espanha, este jovem professor e artista surpreende a cada nova exposição individual que realiza. Trafegando pelas pinturas acrílicas e óleos sobre telas, suas propostas são, na sua maioria, nos formatos 0,80 x 1.30, exceto uma única obra que mede 1,50 x 2 metros, ou seja, quase um painel.
No catálogo, assim se expressa a crítica de arte Celma de Faria Alvim: “A presente mostra de Marcos Lima, intitulada ‘Ilusões’, segue o rastro de sua última exposição, apresentada em 2007 na Galeria Minas Contemporânea. Naquela ocasião, o artista, ainda estreante, defendeu, com êxito, conceitos e execução da série ‘Identidades’, conjunto de retratos - de estrutura técnica assumidamente acadêmica - de personagens famosos em âmbitos diversos como política, religião, arte e ciências. Em ‘Ilusões’, se desvincula da trilha dos ícones da história para voltar-se para uma linha de sentimentos e emoções, conceitos sociais e princípios éticos que se colocam como opção de sustentabilidade do homem moderno. Assim, busca percurso cotidiano de cada herói de sua coleção, revelando o íntimo de cada um, suas emoções e seus sentimentos”.
Enfim, apesar de praticamente usar os mesmos suportes relacionados com as propostas anteriores, sendo que a partir das apropriações alcança-se suas próprias criações, não seria um novo aproach de Art about art, que tem em Pedro Guedes (ora com exposição na Galeria Objeto Singular, Antiquário e Galeria na Rua do Ouro, 582, Serra) o símbolo maior desta tendência. Daí, respeitando diferentes suportes e suas próprias linguagens, são duas mostras que recomendamos com entusiasmo.
«Ilusões», a mais nova exibição de propostas de Marcos Lima, pode ser visitada na Galeria Agnus Dei, à Rua Santa Catarina, 1155, Lourdes, até o dia 26. Horários de visitas: de segunda a sexta, de 10 às 18 horas, e aos sábados, de 9 às 13 horas.
Outra mostra de destaque ocupa as duas maiores galerias do Palácio das Artes, em plena Avenida Afonso Pena, e de quebra, com todo o respeito que temos pelo artista e sua trajetória, encerra-se hoje deixando um rastro de polêmica e de protesto. Por que uma exposição vista por longo período no Museu Vale, que ocupava a antiga Estação Pedro Nolasco, em Vila Velha, Espírito Santo, por mais de um mês, ocupou a Grande Galeria Alberto da Veiga Guignard e a megagaleria do subsolo?
Ao que parece, abre-se espaços para mostras importadas de outros Estados e outros centros, enquanto que artistas locais têm de percorrer uma via sacra complicada e nem sempre bem-sucedida. A excepcional retrospectiva do ex-aluno do mestre Guignard, Petrônio Bax, se não tivesse o patrocínio da Usiminas e, por extensão da Usicultura, jamais lá teria sido realizada.
Toco no assunto porque foi a pedido de curadores, artistas plásticos e professores de artes visuais mineiros, bem como produtores de exposições de todos os gêneros, de pequenos formatos, médio ou monumentais
Voltando à exposição em si, em termos de apropriações e arte conceitual, sem dúvida, é uma das mais interessantes das realizadas no gênero lá no Palácio das Artes. Reconheço a importância do artista Salim Hilal, aprecio seus objetos e instalações valorizados pelas transparências, suportes e as mais variadas mídias ou técnicas.
Fica aí o registro, para a devida análise. Nossa intenção é contribuir como uma crítica construtiva e, repito, que vem sendo pedida nos últimos cinco anos.



(*) Morgan da Motta é jornalista e crítico de arte, membro da Associação Brasileira de Críticos de Arte e da Associação Internacional de Críticos de Arte - Orgão da Unesco.
Home Page: www.morganmotta.com
E-mail: mmotta@hojeemdia.com.br


15.09.2008