Nasce a Botânica


FOTOS: GALERIA BELIZÁRIO-DIVULGAÇÃO/
FARID AUN/DIVULGAÇÃO-FC

DESTAQUES: Branca de Neve (1), na visão de Ricardo Mogiz; objeto (2) de Rigo, e acrílica sobre tela (3) de Fernando Cardoso




Morgan da Motta (*)
CRÍTICO/ARTES VISUAIS

A galerista, consultora de moda e estilo Iris Chaves traz pela primeira vez à cena das artes e do mundo fashion o Ateliê Botânica Contemporânea, com vernissage previsto para 19 horas da próxima sexta-feira, reunindo propostas inéditas do vanguardista Fernando Cardoso.
Para marcar a inauguração do mais novo espaço cultural da cidade, Fernando Cardoso, um dos notáveis vanguardistas dos anos 90, foi o nome escolhido. Lá, as propostas a serem exibidas em primeira mão têm uma dimensão lírica, reflexiva e o desejo de reiventar um outro espaço, apto a equalizar sentimentos de enredamento, obstáculo e solidão. De acordo com o expositor: “Minha pesquisa foge ao purismo das tradições centradas apenas na questão da forma. Uso o desenho como registro narrativo, visando antes de tudo, criar uma leitura cínica e narcisística de um mundo igualmente cínico e narcísico”. Enfim, figuras humanas - na maioria das vezes com um toque surreal - através de painéis em acrílica sobre telas que se contrapõem aos desenhos sobre o tema ou viés “Botânica”.
Por sua vez, Iris, que é casada com o médico e dono de um núcleo de futuro colecionador Eduardo Janot Pacheco Lopes, promete consultoria em nível de moda, estilo e até decoração.
Por funcionar anexo ao endereço residencial da consultora Iris, na Pampulha, para o vernissagte exige-se o convite e depois da inauguração tanto ela como artista plástico Fernando Cardoso atenderão mediante hora marcada. Sem dúvida, o perfeito casamento do artístico com o fazer chic.
A Botânica Contemporânea tem vernissage para convidados, a partir de 19 horas da próxima sexta-feira, no ateliê de Iris Chaves, na Pampulha.
Por sua vez, na mostra intitulada “Labirinto Fabuloso”, o artista plástico Rodrigo Mogiz reúne obras inéditas desde o fim de semana, na Belizário Galeria de Arte, do marchand Orlando Lemos. São 20 obras, que pairam nos limites das pinturas e dos bordados, e dessa forma ocupam todo os espaços da galeria. Enfim, os bordados aliados à pintura são suas ferramentas principais e traduzem a força de seu trabalho inédito.
Tais propostas, principalmente os bordados que são feitos sobre a entretela, uma espécie de tecido ou papel usado para forrar a roupa que por ter uma certa transparência possibilita o artista de bordar figuras em cada camada. Daí, através de sobreposição, acaba criando uma narrativa, espécie de diálogo entre essas figuras. Foi assim que então assumiu trabalhar com 12 histórias infantis de conhecimento universal dentro de nossa cultura ocidental, propondo questionamento e reflexões que estão escondidos nas mesmas, sendo que na maioria das vezes as pessoas não percebem. Resultado, visualização versus experimentações e, por extensão engloba até psicanálise...
Em outro destaque, o aço em contraponto com a leveza são os conceitos que norteiam a exibição do artista Ricardo Gomes, artisticamente Rigo, que procura transformar o peso e a rigidez do aço em movimento e flexibilidade. Ele apresenta suas obras em metal, sob curadoria da dupla Glauco Moraes e Elaine Tassini, no espaço cultural do Porcão, no seu Domingão Cultural.
Ele trafega por chapa de aço, que resultam em esculturas para jardim e hall de edifícios, adornos e até peças de decoração. Mineiro de Belo Horizonte, produz, há dez anos, esculturas de parede, mesa e chão ora em chapa oxidada ora em aço inox. De fazer inveja àqueles artistas que produzem muito e não vendem quase nada, Rigo tem parceria com diversas construtores mineiros e de Brasília, para colocação de obras em halls de prédios e os mais diferentes ambientes. Ele é uma espécie de Casa Cor andante ou ambulante, se preferem...

Rodrigo Mogiz - Na Belizário Galeria de Arte (Rua Ceará, 999, Funcionários). De segunda a sexta de 10 às 19 horas e, aos sábados das 10 às 13 horas. Até 3 de novembro.
Rigo - Na galeria do Porcão (Avenida Raja Gabaglia, 2985, São Bento). Visitas de 11 às 15h30 e de 18h30 à meia-noite de sexta a domingo e feriados. Até 2 de dezembro.


(*) Morgan da Motta é jornalista e crítico de arte, membro da Associação Brasileira de Críticos de Arte e da Associação Internacional de Críticos de Arte (ABCA-AICA).Home Page: www.morganmotta.com. E-mail: mmotta@hojeemdia.com.br

15.10.2007