Outono em Nova Iorque

Fotos: Guggenheim/Moma

DESTAQUES: Estação de esqui na Áustria (1), na visão de Zaha Hadid;
monumental desenho (2) de Jackson Pollock, e objeto (3) da coletiva do Movimento Dada



Morgan da Motta (*)
CRÍTICO/ARTES VISUAIS

Àqueles que têm viagens marcadas para Nova Iorque, exposições da vanguardista arquiteta iraniana Zaha Hadid e Jackson Pollock são as atrações maiores no Guggenheim. Rembrandt brilha no Museu Metropolitano. No Moma, o destaque é “Movimento Dada: Zurich, Berlim Hanover, Colônia, Nova Iorque e Paris”. Em pleno outono nova-iorquino, haja fôlego para tantas atrações. Por aqui, a 27ª Bienal Internacional de São Paulo pode ser visitada até dezembro.
Aliás, estamos em Sampa e, na próxima semana, o mote será “Como viver Junto”, tema central desta Bienal.
Se viver junto é complicado, imagine em termos de curadorias plurais e numa das mais polêmicas bienais internacionais depois da mais antiga de todas, a de Veneza. Aguardem. Mas, de volta a Nova Iorque, celebrando o 400º aniversário de nascimento de Rembrandt, dois museus exibem extenso acervo de suas respectivas coleções.
O Metropolitano apresenta 58 trabalhos do artista e influentes nomes da sua escola, denominada “Dutch School” - holandesa e a mais importante em termos de desenhos. Na Morgan Library & Museum, há gravuras de Rembrandt e Van Gogh. Raramente, tais preciosidades são expostas ao público. No Guggenheim, Zaha Hadid, a primeira mulher a ser premiada com o conceituadíssimo prêmio Pritzker de Arquitetura, é revista em retrospectiva de seus trinta anos de trabalho dos dois lados do Atlântico.
Nascida em Bagdá, em 1950, Zaha estudou na Suíça, Inglaterra e no Líbano. Suas propostas, mais que arquitetônicas, são o supra-sumo do contemporâneo. Além de projetos, a exposição, que prossegue até o dia 25, inclui pinturas e móveis, ocupando do térreo ao último andar. Por sua vez, desenhos de Jackson Pollock, o nome maior do modernismo norte-americano, ocupa apenas 5% do espaço do Guggenheim, onde exibe trabalhos monumentais.
Finalmente, registre-se que o Movimento Dada, cartaz do Museu de Arte Moderna, o Moma, foi um dos mais importantes do século XIX. Respondendo aos desastres da Primeira Guerra Mundial, corresponde à explosão da modernidade, através de artistas que lideraram uma verdadeira revolução. Reagindo ao permissivo e destrutivo em termos nacionalistas, foi um movimento desafiador que se expandiu pelos continentes. Os curadores pesquisaram o que houve de mais importantes em Berlim, Colônia, Hannover, Nova Iorque, Paris e Zurich, as seis principais cidades do Movimento, entre 1916 e 1924. Os Dadaístas, além de ferrenhos opositores da guerra, deixavam bem à vista sua profunda ojeriza pelas instituições culturais e políticas. Na verdade, são o resultado da síntese de todo o horror causado pela Primeira Guerra Mundial.

(*) Morgan da Motta é jornalista e crítico de arte, membro da Associação Brasileira de Críticos de Arte e da Associação Internacional de Críticos de Arte (ABCA-AICA).Home Page: www.morganmotta.com. E-mail: mmotta@hojeemdia.com.br

16.10.2006