Quatro décadas de talentos





.1 - Óleo sobre tela de Sérgio de Paula
.2 - Escultura em aço inox de Sérgio de Paula
.3 - Fazenda Iperó, de 1938, de Renée Lefévre

Morgan da Motta (*)
CRÍTICO/ARTES VISUAIS


O artista plástico e arquiteto Sérgio de Paula, ao celebrar 40 anos de atividades artísticas, em vez de apresentar uma retrospectiva, opta por uma megaindividual. São 20 esculturas em aço inox e mais 20 óleos sobre telas, reunindo toda a sua criação artística.
Nascido em Belo Horizonte, em 11 de abril de 1946, ele obteve diversas premiações em várias bienais e mostras de arte contemporâneas nacionais, e tem diversas obras nos acervos de vários museus, bem como em inúmeras coleções particulares no Brasil e exterior.

Voltando a expor em Belo Horizonte, Sérgio apresenta duas séries distintas: óleos sobre telas que pairam nos limites do geométrico e neoconcreto e esculturas de aço inox polido e lixado. Suas esculturas plantadas no chão e de paredes, em lâminas curvas e sinuosas, conferem uma configuração espacial múltipla, resultando em efeitos e ângulos diversos. Por outro lado, a combinação de aço inox escovado e polido oferece contraste impactante.

Integrante da geração 1960-1970, foi revelação nas artes plásticas na época, tendo obtido o «Prêmio de Aquisição de Desenho», na IX Bienal Internacional de São Paulo, em 1969. Além disso, ao lado de José Ronaldo Lima, Décio Noviello, Madú, Lótus Lobo, Manfredo Souza Netto entre outros, correspondia a Vanguarda dos anos 60-70 rebatizada de neo-vanguardas de Minas, nos anos 90. Os trabalhos em display na Santofício, correspondem a uma grande virada em sua carreira e, na sua maioria foram elaborados nos últimos anos.

Outra mostra de destaque: o vernissage da mostra individual de Fernando Fiúza, «Pinturas Inéditas», acontece amanhã, a partir de 19 horas, na Galeria Forum Lafayette.

Fotógrafo, desenhista e pintor, Fiúza selecionou para sua nova exposição uma série de telas com temática variada, mostrando desde figuras humanas até paisagens do campo e da cidade. «Minha temática é a própria pintura. Não tenho preocupação com temas, mas com a pintura em si», considera o expositor.
Por sua vez, no espaço cultural Galeria Momo, a junção de duas individuais resulta na dupla mostra de Eliane Pinho e Tony Rodrigues. Eliane se considera autodidata; fez cursos livres com Selma Wiessmann, Beth Lírio e Glauco Morais; elegeu a acrílica sobre tela como sua mídia preferida.

Tony Rodriguês, dublê de pintor, designer de objetos e chefe de cozinha em seu bistrô «Só na Sexta», juntamente com Eliane mantém escritório de arte na Raul Pompéia, 77, na Savassi.

De Minas para São Paulo: O Brasil de Renée Lefévre, livro de Enock Sacramento, comemorativo do centenário da artista, foi lançado no fim de semana, na Pinacoteca do Estado. Paralelamente ao lançamento do livro do crítico mineiro radicado em São Paulo há mais de 35 anos, foi inaugurada exposição sob curadoria de Ruth Sprung Tarasantchi: «O Brasil de Renée Lefévre».
De acordo com o crítico Enock Sacramento, «A obra plástica de Renée Lefévre é quase toda consagrada ao Brasil, ainda que tenha ela recriado, com pinceladas e traços amorosos, algumas paisagens européias, sobretudo parisienses. Trata-se de uma explícita declaração de amor ao país em que ela nasceu e ao qual dedicou, com talento e disciplina, sua vida de artista».
Algumas obras a que se refere o crítico e outras mais, totalizando 61, entre pinturas, desenhos e guaches, integram a exposição.

O crítico Geraldo Ferraz, escrevendo sobre a artista, registra que o Patrimônio Artístico Nacional deveria adquirir toda coleção de Mademoiselle Lefévre. A propósito, nas décadas de 60 e 70, desenhos de Renée Lefévre foram reunidos em quatro notáveis livros de iconografia brasileira, co-editados pela Universidade de São Paulo: «Minas: cidades barrocas», «Maranhão - São Luís e Alcântara», «São Paulo, sua arquitetura: Colônia e Império» e «Recantos, encantos e prantos da Bahia», que receberam, respectivamente, textos introdutórios de autorias de Sylvio Vasconcellos, Odylo Costga Filho, Carlos Lemos e Fernando Luiz da Fonseca.

A mostra de Renée Lefévre é cartaz até 28 de maio, na Pinacoteca do Estado de São Paulo (Praça da Luz 2, São Paulo-SP), podendo ser visitida de terça a domingo, de 10 às 18 horas.

SERVIÇO

Sérgio de Paula _ Na Santofício (Avenida Getúlio Vargas, 872, Savassi). De segunda a sexta, de 10 às 19 horas, e aos sábados, de 10 às 13 horas. Até 31 de maio. Fernando Fiúza _ No Espaço Cultural Galeria Forum Lafayette (Avenida Augusto de Lima, 1549, Barro Preto). Vernissage amanhã, a partir de 19 horas. Até 30 de maio. Visitas de segunda a sexta, de 8 às 18 horas. Tony Rodrigues e Eliane Pinho _ No Momo (Avenida do Contorno, 6081, Savassi). A partir de quarta-feira. Até 30 de maio.


(*) Morgan da Motta é jornalista e crítico de arte. Home Page: www.morganmotta.com. E-mail: mmotta@hojeemdia.com.br)

17.04.2006