Talento em três tempos


FOTOS: DIVULGAÇÃO/GALERIA MANOEL MACEDO/RM

1 - Exemplo de pintura da múltipla Ana Maria Maiolino, artista italiana radicada no Brasil desde 1958

2 - “Contidas Regras” na visão da artista Rogéria Maciel, que interpreta signos da violência praticada entre os homens

3 - Escultura de Ana Maria Maiolino entre os destaques da mostra na galeria Manoel Macedo até o dia 13 de dezembro



Morgan da Motta (*)
CRÍTICO/ARTES VISUAIS

Semana movimentada com cardápio variado tendo como destaques maiores Ana Maria Maiolino na Manoel Macedo Galeria de Arte e Sala Especial de Humberto Araújo na Galeria Errol Flynn, com suas esculturas barrocas.Por sua vez, são até certo ponto destaques, mostras em cartaz, nas mais variadas galerias da cidade na sequência de Artes na Semana.

O que há de mais recente da vanguardista Ana Maria Maiolino, ex-aluna de Ivan Serpa, ícone da arte contemporânea brasileira, pode ser checado na Manoel Macedo Galeria de Arte. Nascida em Scalea, na Calábria, mudou-se para o Brasil em 1958, naturalizando-se brasileira. Pintora e escultora, passando pelos desenhos até alcançar as esculturas-objetos, incluindo instalações, ela tem em seu currículo mostras no país e, principalmente, no exterior, trafegando pelos mais variados suportes e materiais. Saltam aos olhos pinturas recentes, bem como mini-objetos e inclusive algo que paira nos limites das esculturas Ana Maria Maiolino fica em cartaz até o dia 13 de dezembro, na galeria Manoel Macedo, à Rua Lima Duarte, 158, no Carlos Prates. A exposição pode ser vista de segunda a sexta, de 10 às 19 horas, e aos sábados, de 10 às 14 horas. Outra mostra de destaque é composta de 11 esculturas em madeira de autoria do artista plástico Humberto Araújo, na Sala Especial na Galeria Errol Flynn. Aos 10 anos de idade, ainda convivendo com o seu tio e mestre Maurino de Araújo, Humberto se interessou pela arte e desde então se tornou uma referencia da escultura barroca mineira em nível de arte contemporânea. Temas sociais fazendo “pendant” com arte sacra dão seqüência à programação paralela da galeria, que de três em três meses resgata um nome conceituado e às vezes ausente do circuito das galerias, no entanto, presente no acervo da Errol Flynn. As esculturas em madeira com influências barrocas de Humberto Araújo podem ser apreciadas até o final da semana na sede da galeria à Rua Alagoas, 977, Savassi, de segunda a sexta, de 9 às 22 horas, e aos sábados, de 9 às 14 horas. Completando o leque de atrações, a exposição itinerante de Rogéria Maciel Meira, no Centro Cultural da UFMG, entra em sua última semana.De caráter itinerante, o Projeto ‘’Contidas Regras’’ corresponde a uma pesquisa que tem como tema a violência do homem contemporâneo e as possíveis soluções para o seu inevitável crescimento.O conceito tem como ponto de partida os materiais utilizados. São esculturas esféricas em chumbo contendo algodão, macela ou plumas. Tais elementos ficam no interior das peças, invisíveis aos olhos do espector, simbolizando a abstração de nobres sentimentos humanos como o carinho e o amor, no intuito de buscar dialogar com possíveis soluções para o tema. Essas peças são associadas a textos sobre paredes, além de um áudio, contendo textos de autoria de uma população carcerária da região sudoeste da Bahia, que passa ou já passou pelo processo de reintegraçãogração através da leitura e da produção de textos escritos criativos. A mostra está no Centro Cultural da UFMG.



(*) Morgan da Motta é jornalista e crítico de arte, membro da Associação Brasileira de Críticos de Arte e da Associação Internacional de Críticos de Arte - Orgão da Unesco.
Home Page: www.morganmotta.com
E-mail: mmotta@hojeemdia.com.br


17.11.2008