Natal com arte


FOTOS: ABADIA FRANÇA/AGNUS DEI/GSM


BALANÇO (1) construído com papel de filtro de café, por Abadia França; cerâmicas (2) de Erly Fantini, Bruno Amarante e Wanessa Cruz, e tapete Odegard (3)




Morgan da Motta (*)
CRÍTICO/ARTES VISUAIS

No lugar dos bazares de Natal com trabalhos de pequeno porte, chegou a vez dos ditos presentes inteligentes e, na maioria das vezes, de todos os tamanhos e diferentes suportes. Por sua vez, lojas especializadas em antigüidades, que contam com galerias anexas oferecem uma diversidade de propostas que chegam a dar ciúmes marchands e marchandises restritos às artes contemporânea e moderna.Daí, vamos aos best-sellers.
Na Objeto Singular, de Regina da Costa, ao lado de cristais, pratarias e muranos, destacam-se pinturas de Marinela Uxa, Yara Tupinambá, Jarbas Juarez Antunes, Lisete Meimberg (tudo foi vendido no vernissage), passando pelas esculturas de Fátima Santiago, Carlos Goulart e até bijuterias e louças originários de antiquários da Europa e da Argentina. Logo à entrada, um grande Anjo em tecido bordado de Maria Amélia Guimarães, similar àqueles da decoração do Rockfeller Center de Nova Iorque.
Na Sandra & Márcio, especializada principalmente em móveis antigos e arte contemporânea, desta vez o destaque maior de fim de ano são os tapetes da Odegard, sobrenome da executiva Stephanie com estampas raras do Oriente, que na maioria das vezes resgata história de gentes, animais e florestas. Tem até tapetes tibetanos feitos à mão no Nepal. Vale a pena dar uma checada por aqueles que buscam algo de original.
Voltando às galerias de arte propriamente ditas: Na Minas Contemporânea (Galeria Celma de Faria Alvim), além dos artistas exclusivos do acervo, chamam atenção os oratórios de Maria José Medeiros. Da junção do artístico ao artesanal surgem oratórios de um bom gosto, lirismo e forte dose de criatividade que fogem de tudo que já vimos em termos de oratórios.
Na Agnus Dei Galeria de Arte, de Beatriz Abi-Acl, além de propostas recentes da marchand e artista Beatriz, saltam aos olhos esculturas de Fátima Santiago, Abreuvalle, Belkiss Diniz e Paulo Coelho. Na pintura e gravura, os destaques maiores são Carlos Wolney, Clébio Maduro, Décio Novielo, Denilson Vigiano, Glória Lamounier, Graça Pires, Jarbas Juarez, J.B.Lazzarini, Marina Nazareth, Mário Arreguy, Mário Bhering, Marisa Inneco e Mariza Trancoso.
Finalmente, por suas pesquisas em termos de materiais recicláveis, Abadia França usa e abusa da criatividade quando reaproveita o papel filtro de café para execução das esculturas e confecção de objetos como suas monumentais folhas, valorizadas pela coloração com pigmentos naturais.
Por falar em Abadia França, suas pesquisas e experimentações foram destaques no último fim de semana, na Feira de Papel que, infelizmente, durou apenas dois dias, ou seja, sábado e domingo. A partir de hoje, somente no ateliê da artista, na Pampulha, ou no acervo da Agnus Dei Galeria de Arte que, com sua coletiva sob o tema Presente Inteligente, oferece centenas de obras diferenciadas sem cair naquela faixa dos eternos bazares. No mesmo local, obras recentes de Sirlei Pimentel, Wanessa Cruz, Wilson e Paula, Yara Tupinambá e Zanne Neiva.
Finalmente, na Lemos de Sá, galeria da Beatriz Lemos de Sá (antiga Kolams), Luchesi, Marco Túlio Rezende, Jayme Reis e um sem número de talentos emergentes que expuseram recentemente nas galerias Quadrum, Copasa e Cemig. E, de quebra, artistas que fazem parte do acervo com bijuterias, jóias, esculturas e objetos. Umas ficam em cartaz até o dia 24 de dezembro. Outras, que não irão entrar de férias em janeiro, prometem os mesmos trabalhos até o final de janeiro.


(*) Morgan da Motta é jornalista e crítico de arte, membro da Associação Brasileira de Críticos de Arte e da Associação Internacional de Críticos de Arte (ABCA-AICA).Home Page: www.morganmotta.com. E-mail: mmotta@hojeemdia.com.br

17.12.2007