Arte de peso vai ao Parque




FOTOS: REJANE BORBA/PAULOCOELHO/DIVULGAÇÃO/ROBERT
RAUSCHENBERG


1 - Escultura de Gilberto Lustosa, em aço, destaque na coletiva do Parque Municipal

2 - Proposta de Paulo Coelho em aço e madeira

3 - Proposta de Robert Rauschenberg no Instituto Tomie Ohtake



Morgan da Motta (*)
CRÍTICO/ARTES VISUAIS


O que há em comum entre os integrantes da coletiva Grandes Esculturas no Parque? Alem de trafegarem pelo tridimensional criam esculturas e objetos monumentais e utilizam-se das mais diferentes técnicas e mídias, predominando o ferro, o aço incluso o inox, bem como a madeira e até a argila. Considerando que a colocação da escultura em espaços públicos sempre fez parte da história da arte, desde a antiga Grécia, quando os homens e heróis olímpicos eram enaltecidos com a exposição de suas imagens nos espaços das cidades. Passando pelo Renascimento e pelo período Neo-Clássico, que ainda viam na escultura essa finalidade, ganhou novo modo de ser, a partir de fins do século XIX, com Rodin, que veio trazer a visão não apenas dos grandes heróis, mas especialmente de personagem do cotidiano, homens e mulheres que, na luta diária pela sobrevivência e afirmação dos ideais, se transformaram em heróis dos tempos modernos. Hoje, fazendo parte dos espaços públicos, como antigamente, a escultura procura nova finalidade - a de mostrar a diversidade de concepção da forma e do espaço que norteia os artistas e a valorização das individualidades que ficaram como marca registrada da arte contemporânea. Baseada em tais princípios ou mote, foi ai o ponto de partida da curadora da super-mostra, a artista plástica Yara Tupinambá.

Belkis Diniz, Elisa Pena, Valéria Delfin, Sonia Toledo e Pedro Miranda, Roberto Rangel, optaram pela escultura figurativa. Por sua vez, Fátima Santiago, Gilberto Lustosa, Paulo Coelho, Leandro Gabriel e Regina Mello de acordo com as premissas do neo-concreto, aflorando os ocos, os vazados e as curvas, a partir dos recortes planos e das linhas retas construídas - desconstruídas em aço SAC 50, ferro e até sucatas de ferro.Enfim, serviu para marcar os 112 anos do Parque Municipal Américo Rennê Giannetti e, de quebra, os 112 anos de Belo Horizonte.Na confusão dos festejos do fim de ano praticamente passou despercebida, no entanto, desde o início de janeiro: última chamada considerando que fica até o dia 31 de dezembro com possibilidade de ser adiada até meados de fevereiro, aproveitando período de férias. Recomendamos com entusiasmo.

Visitação de terça a domingo, das 6 às 18 horas, até o dia 31 de janeiro (considerando que ainda não definiu se vai ser prorrogada até fevereiro). O caminho mais curto de visitação é entrar como se fosse ao Teatro Francisco Nunes e em vez de entrar à esquerda virar á direita até a saída próxima ao DER, nos limites da Alameda Ezequiel Dias. Em tempo: participam com bancos pintados Talma de Oliveira, Guilherme Bitarães e Mário Rufino.


Rauschenberg in Sampa

Um dos mais notáveis nomes de arte norte americana do século passado e um dos papas da pop-art ao lado de Jasper Johns e Andy Warhol, o Institulo Tomie Ohtake apresenta até fevereiro, mini-retrospectiva que permite uma visão abrangente da trajetória do artista e de sua obra.As propostas dele rompiam o que até então vigorava, ou seja ,a divisão de modalidades - pintura, escultura, gravura, desenho.Enfim, reunia num mesmo suporte, a pintura, imagens fotográficas e tipográficas reproduzidas em técnicas de gravura, e até objetos na superfície da tela, como podemos conferir na presente mostra.Além disso, nenhum ícone pop escapava de sua visão ferina, da bandeira dos estados Unidos à família Kennedy, passando pelo indefectível logotipo da Coca-Cola.Tal estilo peculiar, recorrentes a um Marcel Duchamp, tornou-se conhecido pelos métodos na época incomuns de criação, como colagens de imagens preexistentes de símbolos da mídia e da industria de massa até pedaços de sucata e citações de pinturas renascentistas.

A propósito, quando participou da Bienal Internacional de São Paulo ele concedeu apenas uma rápida entrevista coletiva em São Paulo. Sabendo em qual hotel ele ficaria por dois dias no Rio, depois de puxar conversa na praia e no bar do hotel em Copacabana, conseguimos uma entrevista bem humorada com ele que, na ocasião, ainda estudante da primeira turma de jornalismo da UFMG, publiquei no jornal onde fazia estágio, o Diário da Tarde, do qual anos depois fui efetivado e alçado a condição de crítico de artes plásticas e de teatro. Em tempo: não se restringe apenas a pinturas, gravuras e instalações, inclusive apresenta vídeos e detalhes de cenários e figurinos desenvolvidos por ele com Merce Cunninnham, John Cage e David Tudor, no Black Mountains College (Carolina do Norte) onde estudou com Joseph Albers pelo qual nutria mixing sentimentos de admiração e ódio. Da Bienal de São Paulo só participou, no entanto, após conquistar prêmio na Bienal Internacional de Veneza tornou-se nome maior da pop-art norte americana. A propósito, trata-se de um tributo ao artista que muito desejava estar presente no evento da inauguração, já que foi no Brasil a sua primeira participação numa Bienal Internacional.Infelizmente, veio a falecer pouco menos de um ano da data em 2008, tendo nascido em 1925, em Port Artur, no Texas.

Mostra retrospectiva de Robert Rauschenberg fica em cartaz até o dia 17 de fevereiro, no Instituto Tomie Ohtalke, Rua Coropés, 88 - Pinheiros em São Paulo.Terça, domingo e feriados de 11 às 20 horas.Recomendamos com entusiasmo. Entrada grátis.


(*) Morgan da Motta é jornalista e crítico de arte, membro da Associação Brasileira de Críticos de Arte e da Associação Internacional de Críticos de Arte - Orgão da Unesco.
Home Page: www.morganmotta.com
E-mail: mmotta@hojeemdia.com.br


18.01.2010