Violas e recantos


FOTOS: DIVULGAÇÃO


OS INSTRUMENTOS “Bambina”, feito por Benjamin Cândido Meirelles, “Mirabela”, elaborado por Zé Côco do Riachão, e “Noivinha”, de Vergílio Artur de Lima; nas fotografias de Carol Reis, Boto e paisagem do Rio Negro




Morgan da Motta (*)
CRÍTICO/ARTES VISUAIS

A mostra individual “Viola de Minas”, do colecionador e músico mineiro Cláudio Alexandrino da Silva, inaugura o calendário 2008 da galeria de arte do Espaço Cultural Cemig. A exposição reúne 50 exemplares, retratando um século de evolução do instrumento. A curadoria é de Roberto Sussuca, que ambientou todos os instrumentos numa colorida instalação em que predominam tecidos em chita e fitas e mais fitas.
“Minha intenção é contar um pouco da história das violas e de Minas Gerais por meio da coleção”, diz o músico. De acordo com Cláudio Alexandrino Silva, os instrumentos são bastante trabalhados, utilizando materiais como osso, ébano, marfim e madrepérola.
Cláudio Alexandrino é cantor e compositor, além de colecionador de violas caipiras artesanais. Natural de Betim, conta que desde a adolescência gravava, lia e ouvia tudo o que dizia respeito a violas. Em 1988, o violeiro Almir Sater chamou sua atenção. “Foi ele que mudou a idéia que as pessoas tinham sobre viola caipira”, afirma.
O colecionador adquiriu seu primeiro instrumento aos 27 anos e, diferentemente da maioria dos músicos, que aprendem a tocar violão primeiro, ele começou estudando viola capira. “Foi quando descobri que tenho um dom e, de aprendiz, virei violeiro e colecionador. A minha intenção não é só comprar violas; faço viagens pesquisando e aprendendo músicas regionais”.
A origem portuguesa do instrumento brasileiro é aceita por todos os estudiosos e folcloristas brasileiros, sendo que a viola foi o primeiro instrumento de cordas que o português divulgou no Brasil.
Mudando de conversa. O Diamond Mall apresenta inusitado ensaio fotográfico de Carol Reis. São 18 painéis com fotografias do Pantanal, Bonito, Floresta Amazônica, Nordeste e Machu Picchu, registradas pela Carol que, na maioria das vezes, capta imagens de estudantes de todo o mundo, ora inseridas no contexto da paisagem ou então isoladas. As imagens, em formato 1 x 1 metro, suspensas por fios de nylon e dispostas alinhadamente, formam corredor ocupando área de 30 metros quadrados.
Carol diz que a exposição resulta do trabalho que faz, desde junho do ano passado, junto a uma operadora de turismo que leva intercambistas de todo o mundo para conhecer a América do Sul. “O interessante é que, além de conviver com pessoas de diversos países, com percepções distintas de tudo que vivem e vêem, foi que fiquei muito mais orgulhosa do nosso país, porque eu conhecia muito pouco do Brasil”.
Carol é mineira, bisneta de italianos da Sicília que vieram para Ouro Preto, onde se tornaram pioneiros na divulgação do cinema, sendo proprietários de 11 salas de exibição no interior de Minas. Graduada em jornalismo pela PUC-Minas, ela presta serviços para empresas dos mais variados segmentos. Foi a fotógrafa oficial da equipe mineira tricampeã brasileira de vôlei masculino, de 1990 a 2001; desde 2004, vem fazendo a cobertura do Fórum das Artes e das Letras, em Ouro Preto.
Suas imagens, na maioria das vezes coloridas, conjugam paisagens com as mais diversas situações vividas por intercambistas (leia-se figuras humanas). Enfim, resultam no perfeito casamento do multiculturalismo versus turismo e meio ambiente.


“Viola de Minas”
- Diariamente, de 8 às 19 horas, incluídos sábados e domingos, na galeria da Cemig (Avenida Barbacena, 1200). Até o dia 25.

Carol Reis - Mostra “Câmera na Mão e Pé na Estrada”. De 10 às 22 horas, no 3º Piso do Diamond Mall (Avenida Olegário Maciel, em Lourdes, ao lado da sede do Clube Atlético Mineiro). Até o dia 30.


(*) Morgan da Motta é jornalista e crítico de arte, membro da Associação Brasileira de Críticos de Arte e da Associação Internacional de Críticos de Arte (ABCA-AICA).Home Page: www.morganmotta.com. E-mail: mmotta@hojeemdia.com.br

18.02.2008