Com a palavra, a pintura

Acrílica sem Madeira de Miguel Gontijo
(Foto: Júlio Hebner)

Morgan da Motta (*)
CRÍTICO/ARTES VISUAIS


Mostra coletiva reunindo pesos-pesados da pintura mineira será aberta na quarta-feira na galeria Agnus Dei. Trata-se, sem dúvida, do destaque maior na semana.
De fato, a exposição “Pintura Contemporânea", núcleo inicial do projeto “4 Estações", é mais que uma simples coletiva.

É a oportunidade de conferir 30 propostas de sete conceituados artistas contemporâneos mineiros que trafegam pela pintura. Utilizando óleos, acrílicas, grafite sobre telas e placas de resina, estão reunidos representantes das gerações intermediárias, nova e novíssima. São obras de grandes formatos.

Beatriz Abi-Acl traz suas montanhas, quase abstrações, com verdes e terras que levam cada espectador à sua própria vereda, ao encontro de si mesmo.

Fernando Pacheco oferece situações que pairam nos limites do expressionismo e do realismo fantástico. São, na sua maioria, referências do dia-a-dia e do seu entorno.

ÓLEO SOBRE TELA de Fernando Pacheco
(FOTO DIVULGAÇÃO)


Décio Noviello usa e abusa da espacialidade versus visualidade, dando ênfase a espaços estanques de sua mais nova série, “Imagens da Violência".
Demilson Vigiano, com seus monumentais trípticos, contempla ao mesmo tempo o passado e o presente no conjunto hiper-realista (paisagens e corpos fragmentados).

Acrílica sobre Tela de Décio Noviello
(Foto: Leandro Perez)


Laís Sobral mistura técnicas variadas, como a colagem a pintura e o desenho, em propostas que são abstratos recortes de memória, resgatando a valorização estética daquilo que foi descartado. As imagens remetem aos antigos cartazes de espetáculos de Paris, desgastados pelo tempo e esquecidos, aos muros das cidades, cobertos de escritos e restos de papéis sobrepostos.
Marcelo AB apresenta a transformação da paisagem em sítios arqueológicos onde são radiografados homens, mulheres, Giottos, Aleijadinhos, imagens bizantinas e barrocas.



Grafiti sobre Placa Resina de Denilson Vigiano
(FOTO DIVULGAÇÃO)


Miguel Gontijo, através de sua mais nova série, uma homenagem ao cinema, realça o clima da nouvelle vague e das fotonovelas. Mas há, essencialmente, no conjunto uma atitude do artista perente relações desconhecidas e convincentes entre seres e tempos distintos.
A mostra tem caráter itinerante, passando por Rio, São Paulo e talvez ganhando o mundo, dependendo de patrocínios.

Pintura Contemporânea " _ A partir de quarta-feira, na Galeria Agnus Dei (Rua Santa Catarina, 1155, Lourdes). De segunda a sexta-feira, de 9 às 18 horas, e aos sábados, de 9 às 13 horas. Até 27 de maio.

(*) Morgan da Motta é jornalista e crítico de arte. Home Page: www.morganmotta.com. E-mail: mmotta@hojeemdia.com.br)

18.04.2005