Os 31+


.01 - De Eymard Brandão, técnica mista.
.02 - Obra de Décio Noviello, “Morro do Papagaio", em técnica mista.
.03 - Escultura de placa de acrílico tinta duco e parafusos cromados de Eduardo Sued.
.04 - Escultura em bronze, “Quadrúpede com Banana", de Florian Raiss (Fotos Catálogo da Galeria Murilo de Castro/Divulgação)

Morgan da Motta (*)
CRÍTICO/ARTES VISUAIS


A Galeria Murilo de Castro inaugura megacoletiva, Acervo 2005, a partir das 19 horas de amanhã. Reunirá um grupo, apresentado como artistas do acervo, propondo diversidade de caminhos, materiais e linguagens na produção artística contemporânea, sem a preocupação com panorama ou resenha. Apenas um conceito. Estão na mostra do Acervo 2005 Abraham Palatnik, Camile Kachani, Carlito Carvalhosa, David Curry, Eduardo Sued, Florian Raiss, Ivens Machado, Leda Catunda, Luiz Áquila, Monika Barki, Nazareth Pacheco, Paulo Pasta, Paulo Whitaker, Rubens Gerchman, Sergio Romagnolo, Silvia Mecozzi, entre outros.
A ala mineira começa por Décio Noviello, passando por Eymard Brandão, George Hardy, José Bento, Luiz Fernando Borgerth, Fernando Luchesi, a mineira radicada no Rio desde a década de 60 Maria do Carmo Secco, e encerra com José Alberto Nemer e Marcos Coelho Benjamin.

No catálogo, graficamente um dos mais belos e coloridos dos últimos anos, o diretor, produtor e curador da galeria, Murilo Castro, propõe um escritório de arte, que tem como função precípua vender arte. A galeria se dedicar a um projeto mais amplo e arrojado, que hoje tem importantes coleções formadas nos últimos 10 anos.
Mas considerando ser esta uma das coletivas mais abrangentes de artistas do eixo Rio-São Paulo-Belo Horizonte, há de se lamentar algumas lacunas. Por outro lado, é lamentável que George Hardy (destaque da mostra “Tridimensional na Arte Contemporânea no Centro Cultural Usiminas"), com propostas recentes criadas a partir do material sintético Corian, da Dupont, esteja presente com o que há de mais desinteressante de toda sua trajetória: esculturas-objetos em pedra bruta, “batizada" de fase Troglodita.

Coletiva de Acervo 2005 . Galeria Murilo Castro (Rua Benvinda de Carvalho, nº 60, Santo Antonio). A partir de amanhã, às 19 horas. Visitas de segunda a sexta, das 10 às 20 horas. Aos sábados das 10 às 14 horas. Em cartaz até 27 de agosto.

Gravuras

Dupla mostra na Galeria Cemig das gravadoras Maria do Céu Diel e Norma Mobilon reúne o que há de mais recente das duas em termos de gravuras. As artistas trabalham com calcogravuras, técnica que consiste em gravar em placa de metal - no caso delas, o cobre. Com instrumentos como o buril, a ponta seca ou processos químicos - com o uso de ácidos, tais como água forte e água tinta - , ranhuras são feitas na chapa e o desenho se compõe. Em seguida, a chapa recebe a tintura. A gravura como estampa, exposta, é a impressão em papel, feita por uma prensa, que grava os pontos e os ferimentos do metal no suporte final, que pode ser multiplicado em inúmeras imagens.
Maria do Céu é artistas plástica, pesquisadora e professora doutora do Departamento de Desenho da Escola de Belas Artes da UFMG. Norma Mobilon tem licenciatura em Artes Plástica pela PUC de Campinas (SP)

Dupla mostra de Maria do Céu e Norma Mobilon . Galeria Cemig (Av. Barbacena, nº 1200, Santo Agostinho). Visitas das 8 às 19 horas, de segunda a sábado. Em cartaz até 3 de agosto


Pinturas Masai

Acostumada a utilizar materiais orgânicos em suas propostas desde que se formou na Fundação Escola Guignard há dez anos, a artista plástica Maria Florêncio decidiu agora intensificar sua relação com a terra. De modo subjetivo, ela procura por suas raízes culturais e étnicas. O resultado dessa busca está nas cinco obras que compõem a mostra “Mulheres Masai", na Galeria de Arte da Cooperativa da União dos Artistas com Atividades em Artes Plásticas do Estado de Minas Gerais - Uniart. A artista partiu de três elementos-chave - a terra, o urucum e o pó de grafite - para pintar a beleza da tribo queniana dos Masai. Para retratar com fidelidade os Masais, ela pesquisou os costume e a cultura da tribo, inclusive entrevistando quenianos residentes no Brasil, inclusive em Minas Gerais.

"Mulheres de Masai - individual de Maria Florêncio". Galeria Uniart Cooperativa (Rua Campo Alegre, nº 86, Floresta). Visitas das 10 às 18 horas, diariamente Em cartaz até 1º de agosto,

Lixo e arte

A mostra “Lixo e Percussão" encerrou a primeira etapa do projeto artístico-cultural-educativo “Círculo de Tambores", no Centro Cultural Lagoa do Nado. Em display, instrumentos construídos na oficina, além de fotos e textos, que explicam o processo de trabalho coletivo e o reaproveitamento do lixo. Durante a oficina gratuita para confecção de instrumentos de percussão, os 20 participantes construíram surdos de vários tamanhos, zabumbas, ganzás, repeniques, entre outros instrumentos, utilizando sucatas de latas, tubo de papelão e radiografias.

(*) Morgan da Motta é jornalista e crítico de arte. Home Page: www.morganmotta.com. E-mail: mmotta@hojeemdia.com.br)

18.07.2005