Tempos modernos


FOTO: DIVULGAÇÃO

“Moça solitária sobre o azul”(1),óleo sobre papel de Elton Lúcio; Beto e Ralph (2) na visão de Samir Lucas, e pintura (3) de Alberto Becker



Morgan da Motta (*)
CRÍTICO/ARTES VISUAIS


A junção de duas individuais, na Galeria Cemig, resulta em dupla mostra que destaca talentos jovens ou emergentes: . Por sua vez, o dublê de professor do Colégio Militar e artista plástico Alberto Eraldo Becker é o destaque no calendário da Galeria do Pic Cidade.

Elton Lúcio e Samir Lucas têm como ponto de partida a fotografia para criar suas obras ora em display, no Espaço Cultural Cemig. O primeiro visa, antes de tudo, permitir que possa levar a foto para seu ateliê e transformá-la de acordo com sua proposta de mostrar o espaço vazio que contorna o homem. O que interessa é a relação entre as pessoas e o local no qual elas se encontra.
A partir daí, Elton lança um questionamento para seus espectadores em termos de fazê-los pensar sobre onde estão, para onde vão e o porquê da existência. Diz ele: “Ilustro o aspecto solidão como se o homem estivesse em busca de algo. Procuro mostrar que existe um caminho a seguir. Não sei qual, mas as pessoas devem encontrá-lo”, reitera o Lúcio.
No início, suas propostas guardavam fortes ligações coma pop-art norte-americana com um viés hiperrealista, mais aos poucos foram substituídos por temas mais próximos da estética do cotidiano em nível de espaços vazios do cotidiano acrescido do homeme sua solidão.
Samir Lucas, cujos rretratos também surgem a partir da fotografias, explica que sua memória é visual e que suas lembranças são fotografias. “Quero transformar fotografias em quadros e não fazer uma cópia, explica Samir, acrescentando: “enquanto faço a pintura, manuseio, vejo, conheço a imagem e
posso trabalhá-la na tela”.
Enfim, na maioria das vezes o que importa é a forma ou a tendência realista, bem como os retratados se relacionam e
dialogam, sugerindo uma única família a partir dos “portraits” do seus pais e amigos ou colegas que vivem e circulam no seu entorno.
Outro elemento em comum nos dois artistas: Elton Lúcio trocou amonumentalidade presente na sua individual no BDMG Cultural e na coletiva Resumo HOJE, por formatosmenores e, emvez da tela, cria pinturas sobre papel. Por sua vez, Samir usa e abusa das acrílicas e dos óleos sobre telas nos portes pequeno, médio e ate grande quase que monumental.
No PIC Cidade, Alberto Becker realiza sua primeira individual. Ex-aluno de Alan Fontes, no Departamento de Artes Plásticas e Centro de Extensão da Escola de Belas Artes da UFMG e Ateliê Livre empintura e aquarela de Thalma de Oliveira Rodrigues, ele surpreende pela qualidade de suas propostas, em se tratando de carreira iniciada como autodidata.
Becker sempre viu nas construções e na geometria um desdobramento de suas figuras iniciais. Suas referências maiores são o concreto e o neo-concreto, alcançado por ele sem maiores malabarismos e num desdobrar coerente a partir dessa exposição. Sem dúvida, um talento emergente em evolução que, a partir de agora, passa a integrar núcleo representativo da pintura contemporânea das Minas Gerais.


“Elton Lúcio e Samir Lucas -
Na galeria Cemig (Avenida Barbacena, Santo Agostinho).
Alberto Eraldo Becker - Na Galeria do Pic Cidade (Rua Cláudio Manoel, 1185, Funcionários). De segunda a sexta-feira, de 10 às 22 horas. Até o dia 30.




(*) Morgan da Motta é jornalista e crítico de arte, membro da Associação Brasileira de Críticos de Arte e da Associação Internacional de Críticos de Arte - Orgão da Unesco.
Home Page: www.morganmotta.com
E-mail: mmotta@hojeemdia.com.br


18.08.2008