Inspirados conteporâneos


FOTOS: JUNINHO MOTTA/SW/THIAGO KLEIB

LAGARTO em malha de algodão (1), de Annie Rottenstein; desenho
em técnica mista (2) de Selma Weissmann, e a trupe (3) formada por Cláudia Renault, Eymard Brandão, Marco Túlio Resende, Thais Helt, Fátima Pena, Isaura Pena e Carlos Wolney



Morgan da Motta (*)
CRÍTICO/ARTES VISUAIS

Carlos Wolney, Cláudia Renault, Eymard Brandão, Fátima Pena, Isaura Pena, Marco Túlio Resende e Thaís Helt, integram o elenco de sete professores da Escola Guignard. Trata-se de projeto que une pesquisas inovadoras em termos de técnica litográfica e tecnologia contemporânea em contraponto com as mais diversificadas maneiras de expressar de cada um. A respeito da coletiva assim se expressam os integrantes do Grupo dos 7, em depoimento assinado em conjunto: “Ao falar em gravura, no caso a litografia, não poderíamos deixar em segundo plano a relação que temos sempre mantido com esta técnica. Independentemente de nossas trajetórias pessoais de artistas plásticos, o fato desta coletiva ser realizada na Sala Arlinda Correia Lima do Palácio das Artes (anteriormente espaço onde funcionou por décadas a Escola Guignard), mantém também um elo condutor com nossa propostas para este trabalho conjunto. Desde sua origem até a época atual, sulcar, riscar, processar e multiplicar imagens resultou também em uma forma de expressão que vai
das mais rudimentares às mais sofisticadas tecnologias de nossa sociedade contemporânea. Usar a pedra nos últimos anos se transformou em atitude algumas vezes pouco provocativa, devido aos avanços da sociedade informatizada numa época de tendência que pretendem esvaziar a plasticidade inerente ao fazer artístico. Nesse contexto, a litografia tem toda uma ligação com seu próprio percurso, quando é através dela que se chega ao off set, aos processos fotográficos, aos novos suportes de impressão e materiais utilizados para diversificadas matrizes, não excluíndo a pedra e o papel”. Enfim, todo este processo que foi desenvolvido em 2006 na Oficina 5, visa primordialmente a técnica da litografia como ferramenta básica para o resultado de experiências inovadoras com a linha e o desenho percorrendo suas respectivas trajetórias até o momento atual. As gravuras expostas terão tiragem bastante limitada, algumas com provas únicas somente.
Como se vê, não foi casual a idéia da reunião do Grupo dos 7, todos professores da Escola Guignard, para o presente projeto. Nele, as pesquisas inovadoras na técnica litográfica em interface com a tecnologia contemporânea se encontram resultando em uma proposta de união coerente com as mais diversificadas maneiras de expressar de cada um.
Mudando de conversa, a conceituada professora e artista Selma Weissman, reunindo propostas suas e de seus alunos, de maneira informal e apresenta obras do Atelier S.W., referência nacional em termos de educação e criação artística. Lá, os alunos aprendem espontaneamente a arte da pintura, o fascinante mundo das cores e o manusear dos pincéis, num espaço totalmente inusitado. Na maioria das vezes aacompanhados de boa música e grande pesquisa os alunos mergulham com criatividade no mundo das artes visuais. Tais coletivas sempre trazem um diferencial, na montagem, no coquetel e na curadoria, sendo que a deste ano conta com a curadoria compartilhada de Selma e do produtor cultural Luiz Otávio Brandão.
Integram a coletiva 2006, além de Selma Weissmann e o convidado especial Tibi Dias, os seguintes alunos: Alexandre Fonseca, Amanda Pires Cerqueira, Ana Cláudia Cerávalo, Weissmann.Também estão elencados: Marafaria, Marcela Sardinha, Marcelo Machado, Maria Angélica, Marilú Ventura, Mariana Laterza, Miran, Pamela Kayser Nejn, Raphael Baptista e Renata Dornas. Local: Espaço Cultural Nonna Olímpia.
Outra atração é Annie Rottenstein, artista autodidata e escultora têxtil desde 1976, em sua individual com sabor de coletiva, na Penna Contemporânea (Sandra & Márcio). Na produção dessa artista, a escultura, o objeto e as instalações em algodão, ramí, bambu, junco e mesmo as cores que utiliza são pigmentos naturais de cores e de óxidos de ferro buscados em Itabirito, Taquaral e Rio Acima.
No entanto, em todas as técnicas e fases, pouco mudou. Seu gosto pelos elementos essencialmente naturais equilibram-se e dialogam respectivamente através de diferentes suportes, ou seja, a partir dos relevos, passando pelas esculturas, até alcançar suas monumentais instalações.


(*) Morgan da Motta é jornalista e crítico de arte, membro da Associação Brasileira de Críticos de Arte e da Associação Internacional de Críticos de Arte (ABCA-AICA).Home Page: www.morganmotta.com. E-mail: mmotta@hojeemdia.com.br


18.12.2006