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Pinturas das fases figurativa e geométrica de Jarbas Juarez



Morgan da Motta (*)
CRÍTICO/ARTES VISUAIS

Jarbas Juarez Antunes, ausente das principais galerias da cidade há bastante tempo, retorna ao comemorar 50 anos dedicados às artes plásticas, com pinturas e desenhos inéditos de técnica mista. Inaugurou, ainda, no fim de semana o calendário 2007 da Agnus Dei Galeria de Arte. Aluno do mestre Guignard, acompanho a trajetória do artista desde os tempos que ele foi meu colega na primeira turma de Comunicação da UFMG (1961-1964). De volta às origens, o artista de Nepomuceno pretende, nesta individual, estabelecer um diálogo de propostas dos anos 60 com obras recentes, composta, em sua maioria, de pinturas coloridas e desenhos de técnica mista, tendo como “best-seller” os desenhos a bico de pena.
“Há quarenta anos, eu já dizia que não era um pintor, mas sim um aprendiz. E continuo na minha teimosia, que ainda sou um aprendiz, que a cada dia tento desenvolver um novo processo, que, na prática, é mais um aprendizado. Não sei quando ou mesmo se vou chegar a ser um grande pintor ou um bom desenhista”, disse. Essa cruel autocrítica o leva, não poucas vezes, a inutilizar, queimar e até a jogar no lixo o que não lhe agrada. Tudo revela toda a grandeza do ícone maior do desenho mineiro.
Sobre Jarbas assim se expressou Yara Tupinambá no catálogo da exposição: “Querido Jarbas, eu deveria fazer uma apresentação de seus desenhos na Agnus Dei, falar da beleza de sua linha pura, do lirismo que perpassa por suas figuras e que é, verdadeiramente uma das características da arte mineira, da inovação que você introduziu no desenho, escavando o papel e a ele incorporando relevo e luz. Mas, não! Quero dizer, antes, dos longos anos que, com afeto, trilhamos juntos, do seu amor e dedicação ao ofício escolhido, de sua perseverança no trabalho, nas longas horas que gastou em pesquisas e em busca da expressão e da beleza. Mas, principalmente, falar de seu coração em romper com o quotidiano nos salões dos anos 60/70, quando apresentou trabalhos hoje classificados de conceituais, em uma época em que esta palavra nem existia, e fazer ações, hoje chamadas de performances, estas sim políticas e sob a ameaça da ditadura militar (...).”

- Individual comemorativa dos 50 anos de atividades de Jarbas Juarez. Em carta até o dia 31, na Galeria Agnus Dei (Rua Santa Catarina, 1155 Lourdes). De segunda a sexta, de 9 às 18 horas, e aos sábados das 9 às 12 horas.



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“Crucificação”, óleo sobre tela de Heleno Nunes


Heleno Nunes na Biblioteca Pública
Heleno Nunes realiza vernissage amanhã na Galeria de Arte Paulo Campos Guimarães, na Biblioteca Pública. O pintor, que vive e trabalha em Lagoa da Prata, apresenta nesta individual suas obras mais recentes: figuras humanas, nus femininos, Cristos, camponeses e até naturezas mortas.
É estimulante descobrir que ao contrário de suas fases anteriores, deixou de lado o cubismo e o quase-cubismo com ‘ressaibos‘ de um Portinari. Por sua vez, trafegando pelo expressionismo parece que atingiu linguagem própria, oscilando entre o sacro e o profano.
Desde sua individual realizada na Galeria Debret, da Embaixada do Brasil, em Paris, há seis anos, Heleno Nunes, na sua modéstia e simplicidade não realizava uma exposição. Portanto, saltam aos olhos sua nova fase, valorizada por uma técnica irrepreensível.

- Exposição de Heleno Nunes. Vernissage amanhã das 19h30 às 22 horas, na Galeria de Arte Paulo Campos Guimarães da Biblioteca Pública Prof. Luiz de Bessa (Praça da Liberdade). Em cartaz até o dia 5 de abril. Visitas de segundas aos sábados.


(*) Morgan da Motta é jornalista e crítico de arte, membro da Associação Brasileira de Críticos de Arte e da Associação Internacional de Críticos de Arte (ABCA-AICA).Home Page: www.morganmotta.com. E-mail: mmotta@hojeemdia.com.br

19.03.2007