Cabot e Emanoel Araújo expõem

Os conceituados artistas trafegam pela arte contemporânea

Morgan da Motta (*)
CRÍTICO/ARTES VISUAIS


Mostras individuais de Roberto Cabot e Emanoel Araújo, conceituados artistas que trafegam pela arte contemporânea, são os destaques nas artes visuais desta semana. A exposição do primeiro ocupa, desde ontem, a Manoel Macedo Galeria de Arte. O segundo entra em cartaz hoje na Galeria Murilo Castro, que inaugura seu novo espaço, na rua Benvinda de Carvalho.


Esculturas de Emanoel Araújo
Sem Título I e II

Cabot cresceu entre Nova Iorque, Paris, Rio de Janeiro e os pampas da Argentina. Iniciou seus estudos em 198l, na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da UFRJ. Em 1982, parte para Paris, onde continua seus estudos na Escola de Arquitetura e na Escola Superior de Belas Artes. Em 1984, participou da Bienal de Havana, seguida de uma exposição coletiva no Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC - USP). Em 1987, deixa Paris. Na sequência, realiza individual em Innsbruck, Áustria. A partir daí, expôe regularmente em diversos países, até estabelecer-se em Madri.

Depois de participar, em 1996, da exposição "Dialog - Experiências Alemãs", no MAM do Rio de Janeiro; muda-se para Colônia, Alemanha, onde reside e cria até hoje, em alternância com o Rio, onde mantém ateliê. Conceitos como espacialidade versus visualidade, desdobrados como espaço e amplitude, além do uso de materiais diversificados, caracterizam a fase atual de Cabot. Ele, que tem formação como pintor, no entanto, costuma combinar diversos meios e mídias, que vão da pintura ao vídeo, passando por pinturas sobre paredes, sobre peças de linho belgas, até alcançar suas instalações, que pairam nos limites da arte conceitual e do minimalismo.

Emanoel Araújo

A Galeria Murilo Castro inaugura hoje o seu novo espaço com individual do baiano Emanoel Araújo. Natural de Santo Amaro da Purificação, Emanoel iniciou sua carreira como desenhista e gravador. Mais tarde, fixou-se na capital paulista, onde foi diretor da Pinacoteca do Estado, criador do Museu Afro-Brasil, na gestão de Marta Suplicy, e secretário municipal de Cultura, por dois meses, na administração do Prefeito José Serra, e trocou o bidimensional pelo tridimensional, com suas esculturas e relevos. O artista desenvolveu suas propostas com base nas idéias da escola européia do construtivismo, tão em voga na época, e, principalmente entre seus inspiradores maiores, conceituados nomes do neo-concreto brasileiro, tais como Franz Weissmann e Lygia Clark.

Escultura em madeira poli cromada
Emanoel Araújo

A abstração geométrica dos trabalhos de Emanoel vem recheada de significação mítica, presente nas cores e nas formas; a tensão do movimento que se expande rompendo o espaço e criando ritmo constrói contra formas expressivas, valorizando o espaço no entorno da obra e impondo-se neste de maneira majestosa, conforme escreveu o professor e curador Agnaldo Farias. Denotando influência de raízes africanas, ele constrói seu afro-minimalismo em peças de formas agudas, que reforçam o geometrismo de dobras e recortes em grandes formatos, na maioria das vezes recorrentes a tudo aquilo criado por um Franz Weissmann. Enfim, essa trajetória é revista agora em individual de 40 obras, ou seja, com esculturas, relevos e monoprints.

Emanoel Araújo - Vernissage hoje, às 19 horas. Em cartaz até 11 de junho, na Galeria Murilo Castro (Rua Benvinda Carvalho, 60, Santo Antonio). Roberto Cabot - Em cartaz até 4 de junho, na Manoel Macedo Galeria de Arte (Rua Lima Duarte, 158, Carlos Prates). De segunda a sexta, das 9 às 19 horas. Aos sábados, das 10 às 14 horas.

(*) Morgan da Motta é jornalista e crítico de arte. Home Page: www.morganmotta.com. E-mail: mmotta@hojeemdia.com.br)

19.05.2005