Fé na forma

FOTOS: DIVULGAÇÃO

Exemplos da criação internacionalmente reconhecida de Amilcar de Castro

Morgan da Motta (*)
CRÍTICO/ARTES VISUAIS

Tudo já se falou e praticamente se esgotou em termos da trajetória e da produção das esculturas de Amilcar de Castro em nível de esculturas em aço em nível de cortes e dobras. Agora, numa iniciativa da Galeria Gesto Gráfico, chegou a hora e a vez de um conjunto inédito de escultura em madeira e de uma seleção de desenhos que teria acontecido em 2003, não fosse a morte do artista. Daí, de comum acordo entre a marchandise Fátima Pinto Coelho, o espaço foi colocado à disposição da família, para realizá-la quando achasse ser o melhor momento.
Um impressionante acervo de 15 peças, verdadeiras raridades, dá uma pequena amostra da importância do conjunto que paira nos limites da arte moderna e contemporânea.
Se por um lado nas escultura em aço saltam aos olhos as influências neoconcretas e referências do seu mestre maior Franz Weissman, por outro lado, com suas esculturas modulares, os cortes e deslocamentos são uma constante que, além de permitir a interação com o público, com seus encaixes geométricos, permite mil e uma possibilidades em termos de construção e desconstrução.
Daí, trata-se de uma exposição que recomendamos com entusiasmo. E para encerrar, nada como um texto daquele que, ao lado de Franz Weissmann e Lygia Clark, continua sendo referências maiores da escultura contemporânea brasileira: “Tenho fé na forma que não deixa resto que estampa e cala, como a fala do poeta que em silencia contém o mundo”.
Mudando de assunto, aqui em Belo Horizonte nenhuma exposição individual ou coletiva foi realizada em função da Copa do Mundo. No entanto, em São Paulo, são sete ao todo, destacando-se “A Pátria de Chuteiras”, que apresenta gravuras sobre futebol e objetos que pertenceram a grande craques, na Praça de Eventos do Banco Real, na Avenida Paulista, 1374, no centro financeiro de Sampa.
Uma das grandes atrações e a camisa 10 que Pelé usou na segunda partida da Copa de 1962, quando o craque saiu contundido logo no inicio do jogo.
Enfim, a oletiva relembra os momentos importantes dos 17 campeonatos mundiais já disputados. São fotos, vídeos com lances históricos e objetos como troféu, bola e chuteiras de vários cantos do mundo.
O material foi coletado no acervo particular de colecionadores e de jogadores, no Museu Mané Garrincha do Maracanã e no National Football Museum, da Inglatrera.
A mostra é dividia em ordem cronológica, em dez módulos. Engloba do período entre 1938 e 1950, em que o Mundial foi suspenso por causa da Segunda Guerra, que não fica de fora da mostra. Capacetes de combatentes e fotografias de seleções organizadas em campos de prisioneiros ajudam a contar a história da época.
As demais mostras paulistanas são: “Brasileiros Futebol Clube”, no Sesc Villa Mariana; “Futebol Pensado”, Sesc Vila Madalena; “O Futebol na Arte Naif”, Sesc Vila Mariana, e “Gravuras do Futebol” e “Show De Bola Galeria”, respectivamente no Sesc Santa e Brasiliana, em Pinheiros. Finalmente, no Espaço Vivo, a mostra “Futebol e Arte”, com propostas de artistas modernos e contemporâneos, sob curadoria de Lisbeth Rebollo Gonçalves, que tomou posse como Diretora do Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo na semana passada. A propósito, trata-se do seu segundo mandato.

Amilcar de Castro - Na Galeria Gesto Gráfico, Bairro São Pedro. Todas as propostas da exposição têm garantia de autenticidade, através do Instituto Amilcar de Castro. Até 5 de agosto.

(*) Morgan da Motta é jornalista e crítico de arte. Home Page: www.morganmotta.com. E-mail: mmotta@hojeemdia.com.br)

19.06.2006