Rugsvan e a vida vã

01 - Sagrado Coração (FOTO DENILSON HUGSVAN)
02 - Fragmento do vídeo "Jardin Distante" de Denilson Rugsvan
03 - Fragmento do vídeo "Pergunte-me como! " de Denilson Rugsvan

(FOTO: DENILSON HUGSVAN)

Morgan da Motta (*)
CRÍTICO/ARTES VISUAIS


O Denilson Rugsvan inaugura o calendário 2006 da Quadrum Galeria de Arte, com a individual “Pergunta-me Como!", a ser inaugurada dia 23, quinta-feira, com vernissage de 19 às 22 horas.

Conceitos como espaço e amplitude, além do uso de materiais e técnicas diversificados, caracterizam o que há de mais recente na produção do multimídia Rugsvan, que desta vez oferece uma instalação curiosa: uma mesa de reunião em grama, cadeira de rodas, bancos de automóvel e mangueiras são os objetos comunicantes.
A exposição remete ao ponto de interrogação que muita gente insiste em manter sobre a obra contemporânea. Todo mundo quer saber pra que isto ou aquilo servem, se não é tudo vão.

A mostra reúne imagens reinventadas e editadas, realçando cortes, acrescidos de frases e palavras contextualizadas, induzindo o espectador a perguntar-se “o que é isso".
Por sua vez, as fotografias apresentam fragmentos de carne, grama e, como pano de fundo, gente. “Foram os elementos que elegi para este trabalho, em que o resultado paira em nível do efêmero", explica o autor.
Os objetos que compõem a mostra são caracterizados pela simplicidade. Peças de jardim, mangueiras, esguichos, peças provocativas que propõem ao visitante um viés do lúdico e a arte do desentendimento.
Nascido em Belo Horizonte, em 1967, fotógrafo e professor graduado em artes plásticas pela Fundação Escola Guignard, Rugsvan tem realizado inúmeras mostras pelo Brasil e no exterior. Ele, que foi integrante de uma das edições do Resumo HOJE, na década de 90, tornou-se bastante conhecido por trafegar pelo experimentalismo.

A propósito, uma de suas experimentações foi uma operação de amígdalas _ as dele _ em tempo real, conectada com a internet. Outra deveras instigante foi aquela que media, em quilômetros, vôos de urubus em Londres. O que não ficou muito explicitado: por que ir à Europa para criar uma proposta do outro lado do Atlântico, quando dispomos de urubus dos mais diversos tipos por todo o Brasil?

Outra mostra de destaque está na Galeria Arlinda Corrêa Lima, da Fundação Palácio das Artes, que inaugura seu calendário do segundo semestre com a individual de Alexandre B. São propostas recentes, que realçam a pesquisa de variações possíveis na técnica do desenho.
O movimento escapa tão logo se pretende fixá-lo, mostra Alexandre B. O instante nasce para morrer cada vez que surge. Nesse devir inalcançável, onde tudo se desfaz, não há lugares fixos, só o entrelugar.

É então no domínio do quase, existência em eterno trânsito, que as imagens se desenvolvem.Denilson Rugsvan _ Na Quadrum Galeria de Arte (Avenida Prudente de Morais, 78, Cidade Jardim). Visitas de segunda a sexta-feira, de 12 às 19 horas, e aos sábados, de 10 às 14 horas. Até 13 de abril. Alexandre B. _ Na Galeria Arlinda Corrêa Lima do Palácio das Artes (Avenida Afonso Pena, 1537, Centro). De segunda a sábado, de 12 às 21 horas, e aos domingos, de 17 às 21 horas. Até o dia 27.


(*) Morgan da Motta é jornalista e crítico de arte. Home Page: www.morganmotta.com. E-mail: mmotta@hojeemdia.com.br)

20.03.2006