Vignoli” no Museu

 


FOTOS: RAFAEL CARRIERI

1 - "Renascimento" de Vignoli, óleo sobre tela 2009, que está exposto no Museu Inimá de Paula até o final do mês

2 - A célebre Times Square, com seus yellow cabs, em um óleo sobre tela 2009

3 - "A Farmácia", outra obra recente, mostra influências dos artistas da pop-art americana


Morgan da Motta (*)
CRÍTICO/ARTES VISUAIS


“Expressiva Mente Surreal segundo Vignoli” é o destaque na seara das artes plásticas esta semana, na capital mineira. Depois da boa receptividade registrada nos Estados Unidos, onde recebeu centenas de visitantes em dois meses, através de individuais em Nova Iorque, cidade na qual agora reside a metade do ano; a mostra com sabor de retrospectiva chega ao Museu Inimá de Paula, onde permanece aberta à visitação até o final do mês. Paralelamente, Fernando Vignoli está lançando “Vida e Obra”, seu primeiro livro, editado pela historiadora e crítica de arte, Guiomar Lobato.

A montagem mineira reserva novidades: através de espaços estanques, quase que corredores expositivos, Vignoli surpreende pelas imagens surreais, às vezes com referências ao universo pop -influência da pop-art norte-americana e, principalmente, em interface com o que se cria nos dois lados do Atlântico em termos de arte contemporânea.
Composta por dezenas de pinturas de porte médio e monumentais, a mostra representa uma grande virada na carreira do referido artista. Entre perspectivas de corredores fazendo contraponto a ambientes sombrios, Vignoli remete o visitante ao último plano, como que em busca da luz.
Recheadas com obras recentes, as duas séries essencialmente surreais e pop-art, com telas criadas nos Estados Unidos e obras do seu acervo, do período em que ainda residia em Belo Horizonte (como, por exemplo, a série “Topografia da Alma”); fazem pendant e o resultado demonstra, antes de tudo, que, mais maduro, o artista está pronto para ousar e experimentar.
O catálogo, de maneira prática e objetiva, assim sintetizou toda a trajetória do artista e da obra: “O belo-horizontino Fernando Vignoli, depois de se fazer muito conhecido aqui, defrontou-se com uma dúvida, para ele angustiante: era muito conhecido pela mídia, pelos trabalhos decorativos ou pelo seu real valor como artista?”
E prossegue: “Seu nome, associado às três funções que exercia, não se dissociava de nenhuma, e ele precisava, queria saber se, num mercado de arte exigente como o dos Estados Unidos, sua obra “falaria” sozinha, ninguém sabendo quem é, de onde era, o artista Vignoli”.
No livro, ele conta como se deu esta prova e o resultado que o consagrou.
Fernando nunca disssociou-se do que fez aqui, no início de sua trajetória artística. A crítica e historiadora Guiomar, por seu turno, registra: “Tudo foi exercício e treino. Agora, o desejo de Vignoli é - tendo sido colocado, nos Estados Unidos, lado a lado de Richter, Wessemann, Warhol e outros ícones norte-americanos contemporâneos – consolidar sua posição e nela permanecer, porque se chegar onde chegou é difícil, permanecer é desafio ainda maior”.
Enfim, depois do lançamento da mostra, que tem sabor de retrospectiva, e do livro, escrito por Guiomar, é garantir a realização das novas exibições das obras em Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo, antes da itinerância maior pelos Estados Unidos e Europa, em 2010.

Mostra Individual de Fernando Vignoli - Em cartaz até o próximo dia 30, na Galeria de Mostras Paralelas do Museu Inimá de Paula (Rua da Bahia, 1.201, esquina com Álvares Cabral). Visitas às terças, quartas, sextas-feiras e aos sábados, das 10 às 19 horas, e às quintas-feiras, das 10 às 21 horas.

(*) Morgan da Motta é jornalista e crítico de arte, membro da Associação Brasileira de Críticos de Arte e da Associação Internacional de Críticos de Arte - Orgão da Unesco.
Home Page: www.morganmotta.com
E-mail: mmotta@hojeemdia.com.br


20.07.2009