O grande Weissmann


FOTOS:DIVULGAÇÃO/MM


DESTAQUES: Esculturas (1) monumentais e coloridas de Franz Weissmann, maquete (2) de projeto de Eólo Maia e esculturas em madeira (3) de José Bento




Morgan da Motta (*)
CRÍTICO/ARTES VISUAIS

Inaugurada no fim de semana, na galeria da Escola Guignard, a exposição de Franz Weissmann pode ser visitada a partir de hoje, na sede da entidade, no bairro Mangabeiras.
Nascido na Áustria, em 1911, Weissmann chegou ao Brasil em 1921; em Belo Horizonte, em 1944. Nesse período, convidado por Alberto da Veiga Guignard, com ele inaugurou a primeira escola de arte moderna da cidade, sendo que Guignard veio a convite do então prefeito Juscelino Kubitscheck.
Considerado pela crítica especializada brasileira como um dos maiores representantes da arte brasileira, Weissmann foi professor de Mary Vieira e Amílcar de Castro, entre outros. Do seu currículo constam participações nacionais e internacionais entre as mais variadas e importantes bienais e museus do mundo, casos de Sala Especial na Bienal de Veneza e Documenta de Kassel.
O artista morreu em 2005, e a intenção é, antes de tudo, prestar uma homenagem a ele, por sua trajetória, promovendo a revisão da obra de um dos líderes do movimento neoconcreto no Brasil. Sem dúvida, uma individual com sabor de retrospectiva.
Em suas esculturas e objetos, Franz Weissmann sempre utilizou e priorizou as cores, especialmente o vermelho, o amarelo e o verde em contraponto com o negro e o oxidado. Nesta individual com sabor de coletiva, são apresentadas esculturas elaboradas no aço, no ferro e até no alumínio, na maioria das vezes em formatos diferenciados, ou seja, de pequeno médio e grande porte, de diferentes épocas, bem como do acervo de colecionadores mineiros. Dentre as obras cedidas, destacam-se raridades que fazem parte do acervo da Escola Guignard, através de comodato.
Sem dúvida, trata-se de um dos destaques maiores dentre as várias exposições em cartaz na cidade. Através desta homenagem, a primeira realizada em Belo Horizonte desde a morte do artista, reafirmamos o conceito maior do neoconcretismo. Além disso, abre-se um leque para experimentações, incluindo o minimalismo, tendência da qual Weissmann foi pioneiro.
Por sua vez, a 21ª Mostra Gabinete de Arte, coletiva realizadas no decorrer de todo um ano no gabinete do prefeito de BH, foi inaugurada semana passada, reunindo obras de artistas plásticos e arquitetos: Éolo Maia, Erli Fantini, Jô Vasconcellos, João Diniz, José Octavio Cavalcanti, Sandra Bianchi, Sylvio Emrich de Podestá e Zé Bento.
Éolo Maia e sua viúva Jô Vasconcelos estão presentes com maquetes dos seus respectivos projetos vanguardistas, da série “Casa Rua dos Arquitetos”, antes vistas em mostras nacionais e internacionais, todas executadas pelo maquetista Aristide Lourenço Pinto. Éolo e Jô são espécie de presenças hors-concours, por suas trajetórias e premiações no País e exterior.
Outros destaques são José Octávio Cavalcanti e Sandra Bianchi, com seus notáveis desenhos e aquarelas; Erli Fantini, com cerâmicas e uma única escultura-objeto em ferro e bronze; João Diniz, com estruturas-objetos em aço pintado; José Bento, com esculturas em madeira de formatos cilíndricos e espaciais, e Sylvio Emrich de Podestá, com têmperas sobre papel e madeira, verdadeiros estudos ou croquis do Cine Brasil.



Franz Weissmann - Na Galeria da Escola Guignard (Rua Ascânio Burlamarque, 540, Mangabeiras). Visitas de segunda a sexta, de 9 às 22 horas, e aos sábados, de 9 às 12 horas. Até 15 de setembro.



(*) Morgan da Motta é jornalista e crítico de arte, membro da Associação Brasileira de Críticos de Arte e da Associação Internacional de Críticos de Arte (ABCA-AICA).Home Page: www.morganmotta.com. E-mail: mmotta@hojeemdia.com.br


20.08.2007