Universo Brasileiro


FOTOS: FIAT

INSTALAÇÃO de Henrique Oliveira(1),“Retrato Contemporâneo”(2) de Leonora Weissmann, fotografia(3) de Mariana Silva, e o viaduto da Lagoinha(4),na visão de Rodrigo Freitas


Morgan da Motta (*)
CRÍTICO/ARTES VISUAIS

O Porão das Artes da Fundação Bienal de São Paulo apresenta até o fim do mês, no Parque Ibirapuera, em São Paulo, propostas de 30 artistas selecionados de um universo superior a dois mil inscritos. Entre os selecionados estão trabalhos que acenam com novas estratégias para pensar a contemporaneidade, de criadores brasileiros que ainda não foram absorvidos pelo circuito das artes.
Segundo o júri, como todo o projeto dos 30 anos da Fiat é voltado a refletir sobre o futuro, apostou-se nas obras que planejam novos vetores em termos da produção artística, de autores ainda não conhecidos. Visa antes de tudo, revelar a quantas andam as vibrações do movimento contemporâneo brasileiro. As propostas escolhidas correspondem a 30 artistas provenientes de oito Estados, entre eles oito de Minas Gerais. A representação mineira: Fabíola Tasca, Leonora Weissman, Marta Neves, Nydia Negromonte, Ricardo Cristóforo, Rodrigo Freitas, Rodrigo Borges, Grupo Vulgo e Leonora Weissman, com seus retratos contemporâneos em interface com o que há de mais criativo em termos de hiper-realismo, fazendo pendant com Rodrigo Freitas, que se apropria de viadutos urbanos com efeitos que pairam nos limites do expressionismo e surrealismo incluso variações do Viaduto da Lagoinha.
Fabíola Tasca nos remete a uma espécie de videoinstalação com sua proposta Livro-Escritura.
O juiz-forano Ricardo Cristóforo, da fusão esculturas e objetos, cria objetos através da fragmentação de imagens e sons.
Por sua vez, Marta Neves criou um vídeo a partir de pessoas leigas visitando o Centro Cultural de São Paulo, tendo Elke Maravilha como guia. O resultado supera toda a expectativa e fica nos limites do papo cabeça e do humorismo...
Nydia Negromonte com sua performance, instalação e apropriação do espaço, apresenta o que seria uma big casa de vitaminas onde os liquidificadores são os destaques maiores.
Quanto ao Grupo Vulgo, logo à entrada do Porão das Artes, com três traillers, nos oferece galeria de arte, restaurante e até cinema.
Enfim, em interface com que se cria no País e no Exterior, são propostas contemporâneas permitindo o diálogo entre diferentes propostas e suportes.
O Porão das Artes funciona no subsolo do Conglomerado da Fundação Bienal de São Paulo. No entanto, para nossa surpresa, o resultado alcançado por Giselle Beiguelmann, webartista e conceituada professora de Semiótica da pós-graduação da PUC-SP, uma espécie de curadora geral, e seus adjuntos, estão muitos furos acima de Lisette Lagnado e seus curadores - leia-se da atual Bienal de São Paulo.
Paralelamente, Ray Kurzweil, cientista, pesquisador de inteligência artificial, diretamente de Dallas (U.S.A.) em pessoa, discorreu sobre tecnologia do futuro. Enfim, ele foi o destaque maior no Simpósio FIAT 30+, no Teatro Tuca da PUC/SP. Coversou com a platéia através de sua imagem virtual projetada no palco com grande realismo e tridimensionalmente.

(*)Morgan da Motta viajou a convite da Fiat Mostra Brasil)

Mostra Brasil - No Porão das Artes, subsolo do prédio da Fundação Bienal de São Paulo. Visitas de terça a sexta, de 9 às 21 horas; sábados, domingos e feriados, de 10 às 22 horas. Até o dia 30.

(*) Morgan da Motta é jornalista e crítico de arte, membro da Associação Brasileira de Críticos de Arte e da Associação Internacional de Críticos de Arte (ABCA-AICA).Home Page: www.morganmotta.com. E-mail: mmotta@hojeemdia.com.br

20.11.2006