Cidade impressa


FOTOS: MARLETTE MENEZES/REPRODUÇÕES HOJE EM DIA


IMAGENS URBANAS: Igreja de São José (1) e Praça da Estação (2) na fotografia estilizada de Marlette Menezes




Morgan da Motta (*)
CRÍTICO/ARTES VISUAIS

O Centro Cultural e Turístico, em Ouro Preto, inaugura seu calendário 2008 com a individual de Marlette Menezes, sob o título “Reflexos Urbanos”.
Natural de Araxá, Marlette trafega pela fotografia e o designer gráfico, agregando inúmeras experimentações multimídia ao trabalho. Graduada em Artes Plásticas pela Escola de Belas Artes da UFMG e Pós-graduada em Análise de Sistemas com Especialização em Marketing, ela apresenta duas séries distintas: as fotografias da série “Reflexos Urbanos”, fazendo contraponto com a série em gravura digital pelo processo cut-and-paste.
Na maioria das vezes, a artista captura imagens do que reside no espaço urbano e, com intervenções digitais, cria reflexos que se espelham e dobram sobre a cidade, construindo sentidos alternativos para a imagem.
Na arqueologia da imagem, em processo de des-construção e artesania digital, Marlette Menezes busca o aprofundamento e a unidade do olhar. Além disso, sobrepõe formas, fragmentos de imagens e informações que gravuriza, e sugere novas camadas de percepção. O resultado revela a inclusão do outro, uma ambigüidade de espaços onde o real e o virtual se fundem-confundem e ativam o ambiente. Enfim, a partir da busca do imaginário surge uma nova estética do urbano, sendo que entre o real e o virtual há cores, formas e transparências.
Sobre a fotografia e gravura digitais em chapa de cristal, material de alta transparência e resistência a impactos e raios ultravioleta, assim se expressa o crítico Savio Grossi: “Os Reflexos Urbanos de Marlette Menezes revelam um universo de signos que sensibilizam nossas retinas com impacto sobreliminar. Suas composições derivam de uma intervenção deliberada sobre a cidade cenógrafica que ela habita, pela sobreposição de fragmentos visuais que parecem virtualizar a paisagem da vida urbana e, no entanto, acabam por imprimir um registro de inarredável realidade”.
Mudando de assunto, de BH para Sampa: em promoção conjunta da Associação Brasileira de Críticos de Arte (Abca) e da Fundação Bienal de São Paulo, nesta quarta-feira, dia 23, no Museu da Escultura de São Paulo (Mube), críticos, curadores, artistas e demais interessados estarão discutindo alguma saída para a Bienal, que na última década mergulhou na crise, a partir das chamadas curadorias compartilhadas.
Na nossa modésta opinião e com nosso expertise de quase 50 anos, só vemos as seguintes soluções: a) Mudar o presidente e a maioria dos conselheiros; b) Acabar com as curadorias compartilhadas e fixar num curador-geral e um adjunto, como ocorreu na última Bienal de Veneza, com o curador Robert Storr, que conseguiu ressuscitar a falida bienal Italiana e até obteve um senhor up-grade). Leia mais na nossa home page. No mesmo site, comentários comparativos sobre a mostra Dokumenta de Kassel, na Alemanha, e Bienal de Veneza.
A verdade é que se critérios espetaculosos não forem abolidos, sem dúvida, a Bienal Internacional de São Paulo não terá mais jeito....

Marlette Menezes - A partir de sexta-feira, na sede do Centro Cultural e Turístico de Ouro Preto (Praça Tiradentes, 4, Ouro Preto). Até 24 de fevereiro.


(*) Morgan da Motta é jornalista e crítico de arte, membro da Associação Brasileira de Críticos de Arte e da Associação Internacional de Críticos de Arte (ABCA-AICA).Home Page: www.morganmotta.com. E-mail: mmotta@hojeemdia.com.br

21.01.2008