Ouro negro e Oriente


FOTOS: MAM/DIVULGAÇÃO-MI/DIVULGAÇÃO-CG

Trabalho (1) de Atsuko Tanaka (em SP), pintura sobre madeira (2) de Cassio Giovani, e “O Leque” (3), no Museu da Inconfidência, em Ouro Preto



Morgan da Motta (*)
CRÍTICO/ARTES VISUAIS


Sob o título “Petróleo, Sheik do Universo”, o artista belo-horizontino Cássio Giovanni tem vernissage amanhã, a partir de 19 horas, na Galeria do Anexo Professor Francisco Iglésias da Biblioteca Pública Estadual Luiz de Bessa.

Giovanni, vindo do universo fotográfico, descobre o potencial das telas em 1980, no entorno das praias de Trancoso e Arraial D’Ajuda, onde adquire noções básicas do pintor brasiliense José Francisco Rodrigues. Suas intervenções cromáticas, na maioria em tons neutros, desta feita se prestam para realizar propostas em torno de arte-e-ecologia e, ao mesmo tempo fazer crítica e protestar em termos do possível fim de tal energia, enquanto o biodiesel não substitui de vez o petróleo. Visão futurista, medo da poluição? Não importa. O que conta é a capacidade de criar novas situações que, sem se desligar de fases anteriores, dão continuidade à pesquisa centrada na falência das fontes naturais de energia versus as possibilidades no futuro. Daí, tal título espetaculoso: “Petróleo, Sheik do Universo”. Outra mostra de destaque, “Uma Brisa no Ar” é cartaz no Museu da Inconfidência - Sala Manoel da Costa Athaide -, em Ouro Preto. Tão antiga como a história da humanidade é a história do leque. Sua origem, ainda que obscura, sem dúvida se relaciona aos lugares de clima quente. Posteriormente, torna-se instrumento de status ornamental e favorece à sedução. Muitos mitos e lendas o cercam, assim como diferentes povos reivindicam a sua criação. Os mais antigos dele fizeram uso, do Egito à Assíria, Pérsia, Índia, China, Grécia e Roma. De grandes dimensões para que os escravos refrescassem seus senhores, foram transformados como símbolo de poder. Na condição de ventarola ou abano de superfície, assumiam formas variadas. Acredita-se que chegaram à Europa nos séculos XII e XIII, provenientes do Oriente, e foram mais difundidos a partir do século XVI, quando portugueses e espanhóis trouxeram os primeiros exemplares de suas colônias na Ásia, introduzindo-os na Itália e França. E para quem vai a São Paulo, algumas dicas em termos do centenário da Imigração Japonesa para o Brasil. “Diálogo com o Futuro Brasil-Japão”, no MAM, reúne 140 propostas de brasileiros e japoneses, entre arquitetos e estilistas. Em sete ambientes, vê-se desde o vestido feito de sacos de lixo, do estilista Jum Nakao, à pintura de Atsuko Tanaka. Na Pinacoteca do Estado, até 22 de junho, “O Florescer das Cores: A Arte do Período Edo” reúne 160 peças, vindas do acervo de quinze museus japoneses. A seleção, a cargo do curador Takamasa, inclui quimonos, adornos femininos, cerâmicas, artefatos em laca e indumentária de samurais, incluindo espadas e armaduras, datados de 1603 a 1867.



Cássio Giovanni -
Vernissage amanhã, a partir de 19h30, na galeria anexa à Biblioteca Pública Estadual Luiz de Bessa (Rua da Bahia, 1889, 2º andar).
“Uma Brisa no Ar” (A História dos Leques) - Na Sala Manoel da Costa Athaide, Anexo do Museu da Inconfidência, em Ouro Preto. Visitas de 12 às 17h30, de terça a domingo. Até 18 de maio.


(*) Morgan da Motta é jornalista e crítico de arte, membro da Associação Brasileira de Críticos de Arte e da Associação Internacional de Críticos de Arte (ABCA-AICA).Home Page: www.morganmotta.com. E-mail: mmotta@hojeemdia.com.br

21.04.2008