Arte na semana


FOTOS: DIVULGAÇÃO/CRISTINA/DIVULGAÇÃO

1 - Sara Ávila e o curador da mostra em Coimbra
Miguel de Carvalho, no Museu da Cidade

2 - Escultura de Daniel Vilela, na Galeria Mercure

3 - “Art 2,1”, da dupla Helder Profeta e Gustavo Rosa, na Cemig

4 - Exposição "O Armazém que fez Escola", na Galeria de Arte da Copasa


Morgan da Motta (*)
CRÍTICO/ARTES VISUAIS


A professora e artista Sara Ávila, única mineira que integra o Grupo Internacional Phases, acaba de retornar da Europa, onde visitou exposições do grupo fundado por Edouard Jaguer. Com trânsito por galerias e museus dos Estados Unidos e Europa, ela participa com frequência de coletivas do Phases, bem como exposições de caráter solo. Inicialmente ela visitou a mostra “O Reverso do Olhar - Exposição Internacional de Surrealismo Atual”, em Coimbra. Lá, sob a curadoria do escritor, curador e artista plástico Miguel de Carvalho, prestou homenagem aos portugueses que integram este movimento, Cruzeiro Seixas e Mário Cesariny, está último falecido há um ano, e que são figuras conceituadas deste movimento em Portugal.

Em Coimbra, às exposições foram realizadas no Museu da Cidade de Coimbra, no Edifício Chiado e na Galeria Pinho Diniz, nos meses maio e junho. O mesmo grupo que conta ainda com artistas dos Estados Unidos, França, Inglaterra, República Checa, África do Sul, Suiça, Costa Rica, Holanda, Indonésia, Chile e Argentina além de Sara, do Brasil, e os dois portugueses homenageados, vai ser realizada exposição, de 6 de setembro a 19 de outubro, na Galeria Artur Bual, na cidade portuguesa de Amadora.
Por sua vez, Sara também participou com duas pinturas surrealizantes no Museu de Saint Brieuc, na Bretanha, em homenagem póstuma a Jaguer, pertencentes a um colecionador francês, que as adquiriu em mostras anteriores na França.
Enfim, no geral percebe-se nas diversas propostas, uma espécie de diálogo não se importa o pais de origem ou a temática, ligados por dois elementos: o surrealismo e a contemporaneidade, que sempre pontua suas respectivas trajetórias.
Inauguradas na última sexta-feira, duas individuais de Daniel Vilela, o escultor de 37 anos que vive e trabalha em Belo Horizonte, bem como a dupla Helder Profeta e Gustavo Maia, cujas individuais ocupam a galeria de arte da Cemig.
Daniel usa e abusa dos vergalhões, sendo que o vergalhão, por vezes, é a linha com a qual ele desenha volumes sobrepostos, resultando em imagens e sombras. Graduado em Design pela Uemg, ele iniciou sua trajetória nos anos 90, atuando em diversas áreas: web-designer, designer gráfico, fotógrafo e videomaker. Em 2000, fez sua primeira exposição em termos do tridimensional (leia-se esculturas) e não parou mais.
A dupla Helder Profeta e Gustavo Maia, na Galeria Cemig, através de suas respectivas individuais - Exposição Art 2,1, cujo título da mesma é formado pelas iniciais de Artistas que trabalham com Recursos Tecnológicos e pelo número de artistas reunidos em um único espaço (2.1) -, visam a tecnologia que não está mais apenas nas salas e escritórios, mas já adentrou para o espaço artístico. Gustavo e Helder demonstram disposição para aderir às inúmeras possibilidades que a tecnologia pode oferecer à criação de uma obra de arte.
O trabalho de Gustavo Maia nasce de um embate entre o “horror vacui” (termo que significa “horror ao vazio”), barroco e elementos de um novo imaginário de formas surgido com a era digital. Segundo Maia, não se trata de utilização de técnicas digitais e, a partir daí, a transposição de linguagens, mas da formulação de uma linguagem em si.
As paisagens pintadas por Helder Profeta não pretendem ser tradicionais, preferindo trazer uma adequação moderna em nível de linguagem. Os contrastes entre o verde e o vermelho, entre o azul e o amarelo, e entre o laranja e o rosa, juntamente com as imagens de prédios, jardins, muro e mangás, em meio a natureza, criam um ambiente distinto do convencional em relação aos quadros de paisagens.
As imagens escolhidas são digitalizadas, modificadas e impressas em um novo suporte. Na maioria das vezes, realiza uma nova pintura em cima de sua reprodução modificada, criando um processo de reconstituição de todas as imagens apropriadas.


Vernissage na Copasa

O único vernissage em Artes na Semana acontece quinta feira, na Galeria de Arte da Copasa, que vai receber a exposição “Armazém que fez Escola”, com obras dos alunos da Escola Casa Aristides - Ateliê de Artes e Ofícios de Nova Lima, que oferece cursos gratuitos para a população. A mostra, com 150 obras, tem o objetivo de divulgar o trabalho social desenvolvido na região de 24 de julho a 14 de agosto. Lá, o público poderá conferir as peças desenvolvidas pelos estudantes das oficina de aquarela, pintura em madeira, acrílica, óleo e porcelana, modelagem em cerâmica, desenhos, marcheteria, madeira, cerâmica e materiais reciclados. A Escola Casa Aristides é um espaço amplo, sem divisória, com portas e janelas abertas durante todos o dia.


Daniel Vilela - De hoje até o dia 18 de agosto, no hall do Mercure Hotel (Avenida do Contorno, 7315)

Helder Profeta e Gustavo Maia - Galeria de Arte do Espaço Cultural da Cemig (Av. Barbacena, 1200), até o dia 6 de agosto, das 8 às 19 horas, de segunda ao sábado.


(*) Morgan da Motta é jornalista e crítico de arte, membro da Associação Brasileira de Críticos de Arte e da Associação Internacional de Críticos de Arte (ABCA-AICA).Home Page: www.morganmotta.com. E-mail: mmotta@hojeemdia.com.br


21.07.2008