Experiência & elegância

Propostas de Hildebrando de Castro
Foto: Divulgação Léo Bahia Galeria de Arte

Morgan da Motta (*)
CRÍTICO/ARTES VISUAIS


Hildebrando de Castro, artista pernambucano radicado em São Paulo, depois de estágios no Rio e Nova Iorque, apresenta uma das mais instigantes individuais em termos de apropriações e diversificados suportes, na Léo Bahia Arte Contemporânea. Ele oferece dez propostas, impressas em linho, tendo como mote a memória e o tempo.
Seu processo de criação parte da foto de cada pano bordado, revelada em papel; em seguida utiliza o pano (na maioria das vezes, toalhas bordadas do Nordeste), passando a ferro quente e retirando marcas e dobras; cada imagem é colocada em superfície de madeira, ficando completamente lisa. Depois, é tudo repintado com tinta a óleo _ as luzes, as sombras, as dobras ou rugas, dando assim o efeito ilusório desejado. Daí, o pano torna-se mais do que simples suporte, representando-se na pintura.
Nascido em Olinda, Castro sempre viveu e trabalhou no Rio de Janeiro. Agora, após sete anos de estudos em Nova Iorque, onde dedicou-se ao ofício de aprender a pintar a óleo, partiu para tais experimentações em diferentes suportes.
Por sua vez, a escultora Leda Selmi Dei Gontijo foi o nome escolhido para comemorar os 75 da fundação do Minas Tênis Clube. Afinal, há mais de 60 anos, ela foi campeã de tênis jogando pelo Minas, por mais de duas décadas. Além disso, foi das mais sérias pesquisadora em nível de esculturas em Minas Gerais, tendo sido uma das alunas da primeira turma da Fundação Escola Guignard, em 1944, estudando com o mestre Guignard e o escultor Franz Weissmann.
Leda revela o que há de mais recente de toda sua produção, ou seja, partindo das esculturas elaboradas em mármore, bronze e pedra sabão, sintetiza praticamente toda a sua trajetória, através de 17 esculturas em madeira.
Em seu trabalho, chamam atenção faces barrocas distorcidas e animais. Algumas criações surgem isoladas; outras compõem imagens sobrepostas, “cavadas" ou construídas a partir de uma peça de madeira.
Do alto dos seus 90 anos de idade, a artista plástica e desportista (a mais premiada jogadora de Tênis do Brasil, antes da campeã Maria Esther Bueno) é modelo em termos do casamento de atividades esportivas versus criações artísticas. Sem dúvida, um exemplo de vitalidade e criatividade.
Completando o cardápio da semana, na Galeria Murilo Castro, a mostra denominada “Nanoexposição" reúne 135 artistas em torno da questão da escala da obra de arte, provando que tamanho não é documento, muito menos parâmetro ou medida de valor. A proposta é fazer o observador debruçar-se sobre a obra, auxiliado por uma lupa, para descobrir seus detalhes, desvendar seus mistérios.
A coletiva esteve no Rio de Janeiro, São Paulo e Curitiba, com trabalhos de artistas como Isabel Lofgrem, Marco Antônio Portela, Mauro Bandeira, Patrícia Gouvea, Leonora Weissmann, Laís Sobral, Lau Caminha, Marcos Coelho Benjamin, Walter Navarro, Marcos Bonisson, Monica Barki e Nazareth Pacheco.

(*) Morgan da Motta é jornalista e crítico de arte. Home Page: www.morganmotta.com. E-mail: mmotta@hojeemdia.com.br)

Hildebrando de Castro _ Na Galeria Léo Bahia Arte Contemporânea (Avenida Raja Gabaglia, 4875, Santa Lúcia). De segunda a sexta, de 10 às 19 horas, e aos sábados, de 11 às 14 horas. Até 2 de dezembro. Leda Gontijo _ Na galeria do Minas Tênis Clube II (Avenida Bandeirantes, Serra), de terça a domingo. Até 15 de janeiro. Nanoexposição _ Na Galeria Murilo de Castro (Rua Benvinda de Carvalho, 60, Santo Antônio). De segunda a sabado, de 11 às 16 horas. Até o dia 30.


21.11.2005