A expressão do abstrato


FOTOS: ANDRÉ LUPPI E INSTITUTO TOMIE OHTAKE/DIVULGAÇÃO

Umberto Nigi inaugura calendário 2007 com individual na Copasa (1) e (2) e Exposição "Tomie Gráfica" (3).


Morgan da Motta (*)
CRÍTICO/ARTES VISUAIS

O artista plástico italiano radicado em Belo Horizonte Umberto Nigi inaugura exposição individual amanhã, na Galeria de Arte da Copasa, a partir das 19 horas. Por sua vez, a mostra abre o calendário 2007 da cidade, em termos de espaços culturais e galerias comerciais.
A propósito, as demais galerias belo-horizontinas, até princípio de fevereiro, continuam alternando o que sobrou de suas mostras natalinas com obras do acervo.
Voltando ao expositor de amanhã, Umberto Nigi, ele estará apresentando o que há de mais recente de sua produção artística, resultante de duas vertentes: expressionismo abstrato fazendo contraponto com sua fase abstracionista geométrica.
Nascido em 1945, na ilha de Gorgona, na região da Toscana, morou em cidades como Pisa e Livorno (conhecida por ter sido a terra natal de Amedeo Modigliani). Na juventude, foi assíduo freqüentador de museus por toda a Europa, principalmente o Peggy Guggenheim, em Veneza. Nessa época, esteve em Paris. No anos 80, após várias individuais na Europa, travou contato com a pintura abstrata de Jackson Pollock, de Kooning e Rothko, quando de visitas a Nova Iorque.
De volta ao Velho Mundo, radicou-se em Florença. Em 1998, depois de visitar Buenos Aires e o Rio de Janeiro, fixou-se em Belo Horizonte, desde o nascimento de sua filha Valentina. Enfim, Nigi se considera "naturalizado" brasileiro e, por extensão, mineiro. Afinal, tem residência no Bairro Santo Antonio e ateliê no entorno da Praça do Papa.
Umberto Nigi é bastante conhecido por suas monumentais telas, quase painéis, trafegando ora pelo abstrato geométrico ou simplesmente pelo abstracionismo. Daí o título de sua individual que tem vernissage amanhã, "Abstrakt".

"Abstrakt" - Mostra individual de Umberto Nigi pode ser visitada até o mês de fevereiro, na Galeria Copasa. Rua Mar de Espanha, 525, de segunda a sexta-feira, no horário comercial.


Exposição "Tomie Gráfica", em São Paulo, comemora 93 anos de Ohtake

O Instituto Tomie Ohtake, de São Paulo, optou por uma maneira criativa para comemorar o seu quinto aniversário de fundação e os 93 anos de nascimento da mais conceituada de todos os artistas nipo-brasileiros. Trata-se de exposição "Tomie Gráfica", uma mostra retrospectiva do trabalho em gravura de Tomie.
Por que as gravuras? Embora ela seja mais conhecida por suas monumentais pinturas, bastante premiadas no Brasil e no exterior, as gravuras chegaram algumas vezes a antecipar a linguagem de seu trabalho em pintura. Elas começaram a ser feitas em 1968, resultando atualmente numa fecunda produção com aproximadamente mais de 400 unidades, realizadas em série ou individualmente. No início, pelo processo silk-screen (leia-se serigrafias), depois em litografia e, nos últimos vinte anos, em gravura em metal.
Além das gravuras tradicionais, como se conhece - ou seja, bidimensionais e retangulares -, ela criou gravuras de grandes dimensões, imagens unidas de 3 em 3, em cores diferentes; de formas recortadas e distantes 10 centímetros da parede, com a sombra compondo nova forma, e ainda com dobra em ângulo reto. Ao não se apegar às tradições da arte, a artista expressa a liberdade com que compõe sua obra.
Nosso primeiro contato com Tomie foi na década de 60, quando ela conquistou, com monumentais pinturas, o prêmio da Mostra de Arte Contemporânea, promovida pelo Museu de Arte da Pampulha, quando nós, há apenas cinco anos trafegando pela crítica, integramos júri composto por Jayme Maurício, crítico do Correio da Manhã e do Jornal Última Hora; Harry Laus, crítico do Jornal do Brasil e da Revista Veja; e Antonio Bento, então presidente da Associação Brasileira de Críticos de Arte.
Diga-se de passagem, dos áureos tempos da ABCA, quando a sede era no Rio de Janeiro, com reuniões ora no MAM, ora na ESDI (Escola de Desenho Industrial), comandada pela historiadora e crítica Carmen Portinho. Enfim, depois que a sede mudou para São Paulo, a entidade só tem entrado em declínio. Que pena...
Para aqueles que irão a São Paulo até fevereiro, recomendamos a retrospectiva de Tomie Ohtake com entusiasmo. Não é todo dia que alguém passa dos 90 anos e continua criando com uma força de fazer inveja a muitos artistas jovens.
Ainda sobre o Instituto, gostaríamos de lembrar que a individual de Siron Franco, sob o título "O que se vê do Cerrado", também fica em cartaz lá até o dia 5 de fevereiro.

A exposição "Tomie Gráfica" fica em cartaz até o dia 21 de fevereiro, no Instituto Tomie Ohtake: Avenida Faria Lima, 201, entrada pela Rua Coropés, em Pinheiros, São Paulo. Visitas de terça a domingo, das 11 às 20 horas. No mesmo local, Siron Franco, até 5 de fevereiro.


(*) Morgan da Motta é jornalista e crítico de arte, membro da Associação Brasileira de Críticos de Arte e da Associação Internacional de Críticos de Arte (ABCA-AICA).Home Page: www.morganmotta.com. E-mail: mmotta@hojeemdia.com.br

22.01.2007