Calendário 2010




FOTOS: DIVULGAÇÃO/RICARDOBENJAMIN/DIVULGAÇÃO


1 - Trabalho de Otto Stupakoff: uma das mostras mais atraentes da agenda das galerias de Belo Horizonte

2 - Rodrigo Paiva e Élida Ribeiro; Ana Galvão e Rico Maciel, da mostra “O Corpo e Seus Extremos”

3 - Poesia Digital de Eduardo Kac

4 - Convite da exposição "Sobras Divinas"


5 - Boneco de Zé Armando, na exposição "Sobras Divinas"




Morgan da Motta (*)
CRÍTICO/ARTES VISUAIS


O calendário 2010 começou atípico em termos de janeiro-fevereiro. Já se foi o tempo em que nada acontecia em termos das artes visuais. Predominaram a fotografia contemporânea fazendo contraponto com experimentações digitais e, por extensões cinéticas. No entanto, ocorreu até dupla atração tendo como mote propostas tridimensionais e pinturas. Daí, os destaques maiores foram Otto Stupakoff, no Centro de Arte Contemporânea, Fotografia da Fundação Clóvis Salgado (antigo Instituto Moreira Salles de Belo Horizonte), Coletiva de Fotografias dos jovens talentos: Ana Galvão, Élida Ribeiro, Rico Maciel e Rodrigo Paiva na Galeria de Arte Paulo Campos Guimarães da Biblioteca Pública Estadual Luiz de Bessa “O Corpo e seus Extremos, somados a excepcional Poesia digital: 1982-98 de Eduardo Kac na Oi Futuro Galeria de Arte e a Coletiva, “Sobras Divinas, de Luciano Irrthum, Viváine Rebouças e Zé Armando, no Centro Cultural UFMG, que andou um tanto o quanto ausente em termos das artes visuais no ano passado, ao contrário de outras atividades, como exemplo, o teatro.

Stupakoff no novo centro

Nascido em São Paulo, em 1935, aos 17 anos ele ingressou no Art Center School de Los Angeles, onde estudou fotografia de 1953 a 1955. Ao regressar ao Brasil, em 1955. Projetou e seu próprio estúdio em Porto Alegre, onde buscou espaço próprio para desenvolver sua linguagem, trabalhando prioritamente com a fotografia preto-e-branco em grande formato a exemplo dos grandes nomes da fotografia das décadas de 30-40 nos USA e na Europa. Em 1956, transfere-se para o Rio de janeiro, onde realiza as primeiras propostas para agências de publicidade e fotografa capas de discos. No ano seguinte, estabelece-se em São Paulo, onde desenvolve sua carreira profissional e, ao mesmo tempo, mantém intenso relacionamento com artistas plásticos e pintores, como Wesley Duke Lee, com quem manteve duradoura amizade e intercâmbio artístico. Em 1965, muda-se para Nova Iorque, , onde alem de trabalhar para diversas publicações, como Harper's Bazaar, Life, Esquire e Look Maganize conquistou prestígio e notoriedade internacional.Além de produzir editoriais de moda, retratou personalidades como, Truman Capote, Richard Nixon, Sofia Loren e Jack Nicholson.Conviveu com os fotógrafos Richard Avedon, Irving Penn e Diane Arbus entre outros, transferindo-se em 1973 para Paris, onde fotografou para a Vogue francesa, Elle, Marie Claire e Stern, entre outras, desde seu falecimento sua obra fotográfica completa do período de 1955a 2005 foi incorporada ao acervo do Instituto Moreira Salles.Sem dúvida, a síntese de toda a trajetória de Stupakoff, um dos mais notáveis fotógrafos de moda do Brasil e um dos primeiros a conquistar carreira internacional dos dois lados do Atlântico.

- Recomendamos com entusiasmo até o dia 21 de março, com visitas de terça a domingo, das 12 às 19 horas e às quintas, das 12 às 21 horas, à Avenida Afonso Pena, 737 – Centro, próximo da Praça 7. Até meados de março última chamada.

Nos caminhos do calendário 2010

Eduardo Kac, na Galeria Oi Futuro, corresponde a uma das mais instigantes e experimentais mostras em cartaz na cidade. Ele que é professor na Universidade de Chicago nos USA e trabalha com Poesia Digital englobando de 1982 a 1998, sob curadoria de Alberto Saraiva – o mesmo curador de outra sua mostra na Oi Galeria do Rio, é imperdível. Afinal, lá estão vídeos, instalações, objetos e suas experiências incluso up side up and down, num conjunto à altura de sala especial em bienal internacional ou museus dedicados à arte contemporânea em qualquer lugar do mundo.Sem exagero nenhum, a antiga galeria e teatro Telemar, atualmente Oi Galeria e Oi Teatro, inteiramente reformulados estão à altura do que fora anteriormente. É outra individual que recomendamos a estudantes de artes visuais no geral e interessados em propostas virtuais e digitais. Ele é o cara em se tratando de novas mídias. Inaugurada no dia 28 de janeiro, fica em cartaz até o dia 7 de março.das 9 às 18 horas.

Correndo fora das fotografias artísticas “Sobras Divinas” reunindo Luciano Irrtbum, Vivaine Rebouças e Zé Armando, tem como mote as esculturas e objetos dando ênfase ao tridimensional, bem como pinturas na linha pop-op de Viváine Rebouças. Tal coletiva colocam as principais galerias do Centro Culturas da UFMG na mídia de novo.Francamente, não dá para entender o por que da ausências de exposições no ano passado.A propósito, se não fosse a boa vontade dos expositores não teria saído, incluso criaram o convite no estilo postal e fizeram a montagem.Ao que parece, o Centro Cultural que fica na Avenida Santos Dumont, 174 próximo ao Museu de Artes e Ofícios, tem privilegiado o teatro...Por fim, duas mostras de Petrônio Bax, falecido no ano passado estão em cartaz no Museu Inconfidência de Ouro Preto e na Galeria Copasa do Alto do Santo Antonio.A primeira, em Outro Preto foi prorrogada até o dia 28 de fevereiro e, a segunda inaugurada às vésperas do carnaval, sob a curadoria de sua filha Simone Bax fica em cartaz até o dia21 de março, à Rua Mar de Espanha, 525.Voltaremos ao assunto Bax, que nas 3 semanas de férias escrevemos apenas em nossa home page: "www.morganmotta.com".


(*) Morgan da Motta é jornalista e crítico de arte, membro da Associação Brasileira de Críticos de Arte e da Associação Internacional de Críticos de Arte - Orgão da Unesco.
Home Page: www.morganmotta.com
E-mail: mmotta@hojeemdia.com.br


22.02.2010