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FOTOS: DIVULGAÇÃO


1 e 2 - Acrilicas de Miguel Gontijo, que realiza mega exposição na Grande Galeria do Palácio das Artes

3 - Joan Miró da exposição Coleções sob Guarda Provisória




Morgan da Motta (*)
CRÍTICO/ARTES VISUAIS

Miguel Gontijo, mineiro de Santo Antonio do Monte, mudou-se para Belo Horizonte na década de 60 onde estudou História e Filosofia e é pós-graduado em Arte e Contemporaneidade. Nome essencial da arte contemporânea mineira e, por extensão brasileira, com o apoio cultural da Valouarec & Mannessman (GrupoV.M. Do Brasil) e Usiminas, apresenta um recorte dos mais expressivos de toda sua obra e carreira na Grande Galeria Alberto da Veiga Guignard, na Fundação Palácio das Artes. Sem dúvida, uma oportunidade para se fazer uma revisão de toda sua obra, ou seja, sem cair nas armadilhas da maioria das mostras restrospectivas.


Pintuas, aquarelas e objetos

Miguel Gontijo trafega pela maioria dos diferentes suportes, tais como aquarelas, guaches, desenhos, pinturas incluso os objetos, no entanto, ele se estabeleceu como um dos notáveis da arte contemporânea mineira pelos seus desenhos e pinturas acrílicas. Divididos em espaços estanques, aqui vai um tip (leia-se uma dica) da maneira mais prática e objetiva de percorrer os caminhos da individual. Comece pelos objetos de porte médio e pequenos, veja desenhos, aquarelas e guaches e, em seguida sugere-se uma vista d'olhos mais demorada nas pinturas acrílicas de proporções médias e monumentais. Por fim, as pinturas sobre plásticos quase que estandartes, por sinal, adquirida por “marchand” novaiorquino que o representa na Big Apple desde sua primeira mostra realizadas lá há cinco anos passados. Fala-se muito na morte da pintura, Miguel no entanto, através de suas propostas relacionadas com a série “Pintura Contaminada” mesmo título do livro paralelamente lançado no vernissage tem manifestado grande confiança nesse meio expressivo ou suporte. Suas apropriações englobam desde o surrealismo, pop-art, passando pelo realismo fantástico e até o hiper-realismo, sendo algumas vezes complementados com um certo grafismo por sí só ou escritos. Enfim, suas apropriações e estilizações por incrivel que pareça abarcam até o período renascentista em interface com a arte contemporânea. Composta de obras do seu acevo particular fazem “pendant” com propostas cedidas por conceituados colecionadores. A propósito, as telas mais antigas, surpreendem ao revelar um estilo eminentemente surrealista, o que não compromete, ao contrário recomenda. Numa de suas mostras realizada sob nossa curadoria na Galeria Telemar em 2001, assim escrevemos: um olhar desavisado pode remeter suas propostas ao surrealismo, porém nada fica no campo do onírico ou foi orientado pelo inconsciente. É a expressão crítica, pontuada de humor e ironia, da nossa civilização urbana, abrindo espaço para todas às tendências, num mais que perfeito hibridismo visual (ais).

- Mostra individual de Miguel Gontijo fica em cartaz até o fim do mês, na Grande Galeria Alberto da Veiga Guignard, das 9 às 21 horas, de terça-feira à sexta-feira, sendo aos domingos depois das 17 horas até às 21 horas, em função da Feira de Arte e Artesanato.


Coleções sob guarda provisória

Em novembro de 2005, por determinação da 6a. Vara Criminal de São Paulo, o Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo recebeu a guarda e a adminstração provisória de parte da coleção de obras de arte pertencente ao Banco Santos, do ex-banqueiro Edemar Cid Ferreira. Nas mesmas condições processuais, em 2008, o MAC USP passou a abrigar duas novas coleções, sendo uma delas do colecionador Naji Nahas e outra do colecionador Juan Ramirez Abadia que, somadas a do Banco Santos, totalizam cerca de 200 peças, em variados suportes e segmentos da arte moderna e contemporânea, produzidas por expressivos artistas nacionais e internacionais. O conjunto de obras preeenche muitas lacunas, atualizando seu acervo e proporciona um grande salto de qualidade. A exposição que ora se apresenta, integrada por 118 obras é um recorte desse legado. Trata-se de uma chance rara até então exibidas em mansões e escritórios luxuosos. Fica em cartaz na séde do MAC do Parque Ibirapuera, onde podem ser vistas até o fim de abril, de domingo a domingo, permanecendo fechado às segundas. Neste cenário, destacam-se importantes e conceituados artistas como: Joan Miró, Emiliano Di Cavalcanti, Cândido Portinari, Amilcar de Castro, Ciildo Meirelles, entre outros. É a forma do MAC USP, uma vez mais, oferecer ao público visitante a oportunidade de usufruir deste inestimável patrimônio.



(*) Morgan da Motta é jornalista e crítico de arte, membro da Associação Brasileira de Críticos de Arte e da Associação Internacional de Críticos de Arte - Orgão da Unesco.
Home Page: www.morganmotta.com
E-mail: mmotta@hojeemdia.com.br


22.03.2010