Diálogo entre criadores e suportes

01. Valéria Delfin
02. Instalações com vergalhões e Tótens de Gilberto Lustosa

Clipping de Soraya Beluzzi extraído do Jornal O Tempo

Ipatinga recebe a exposição “Tridimensional Contemporâneo”, que reúne cem obras com curadoria de Morgan da Motta

Objeto?Escultura?Ou instalação?A exposição “Tridimensional Contemporâneo” não pretende responder essas questões e,sim, ampliar as indagações.Com curadoria do crítico de arte Morgan da Motta, a mostra pretende estabelecer um diálogo entre 16 artistas mineiros que trafegam em tais suportes e seus mais variados desdobramentos.

“Eu não quis fazer um panorama ou uma resenha.A cena artística mineira é muito diversa e não quis enfrentar esse desafio.Então, preferi um conceito.Visitei ateliês de vários artistas nos últimos meses e procurei fixar naqueles que desafiam a linha divisória entre os conceitos de objeto, escultura e instalação”, explica Motta.

01. Regina Costa
02. Tula Kawasaki

“Na arte contemporânea, essas fronteiras estão diluídas.
E, quando não estão, causamos um deslocamento, uma subversão, uma desordem.Partindo disso,podemos aglutinar trabalhos que dialogam de uma maneira surpreendente.Mesmo que, em um primeiro momento, não se perceba esta possibilidade.Essas divisões que algumas pessoas do próprio meio insistem em fazer não nos interessa”, garante o curador.

“A desordem é o que provoca diálogo e aglutina tudo em uma direção só”


Estarão expostas cem obras de diferentes artistas, de gerações diversas, que têm como ponto comum a pesquisa entorno da tridimensionalidade.Os materiais variam de vergalhões,tecidos,resíduos industriais,até chapas de ferro,madeira,garrafas e materiais orgânicos.Entre os participantes, estão os artistas Fabrício Fernandino,Maria Amélia,Fátima Santiago,Ricardo Carvão,George Hardy,Walter Navarro e Tiago Fazito.

Fabrício Fernandino

A organização do espaço foi feita de forma a agregar ao conceito da exposição a diluição da semelhança,optando pela desordem como fator de aglutinação e geração de pensamento do público.”Visualizei a disposição das obras no espaço antes mesmo de abrir as caixas.Mas, depois que abri, percebi que o que tinha planejado tinha que ser revisto”, admite Motta.

“Na arte contemporânea, as fronteiras estão diluídas.E, quando não estão, causamos um deslocamento,uma subversão”

“Procurei, ao mesmo tempo, fazer a subversão, e buscar a desordem como o que seria responsável pela aglutinação.Como tínhamos uma equipe de trabalho um pouco fora do padrão usual, tivemos a possibilidade de investigar várias formas de montagem e ainda cabem algumas modificações.Em síntese, a desordem é o que provoca diálogo e aglutina tudo em uma direção só”, explica.

Arte sem compartimentos

Dos “tótens” de Gilberto Lustosa às instalações suspensas de Paulo Coelho, “Tridimensional Contemporâneo” propõe ao público uma experiência de arte sem rótulos,gavetas ou segmentação.Segundo o curador Morgan da Motta,uma maneira de aproximar o público cada vez mais distante das galerias e museus.

“O George Hardy, por exemplo, parte de experimentações com um material sintético chamado corian e cria esculturas de montar com um efeito interativo, com o público colocando a mão na massa”, conta Motta.

Na sexta-feira, acontece um debate aberto ao público, que contará, entre outros convidados, com a presença de Elza Ajzenberg, diretora do Museu de Arte Contemporânea (MAC) da USP.Os artistas envolvidos na exposição e outros críticos de arte também estarão presentes.

22.06.2005