Retratos do Brasil


Instalações de artistas que participam da coletiva territórios.

01. Rogério Gomes
02. Cartazes Poloneses em coletiva no MAC.

Sem limitar-se ao regional, exposição na capital paulista reúne artistas de várias partes do país


Morgan da Motta (*)
CRÍTICO/ARTES VISUAIS

O Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC USP) abriga a exposição coletiva "Territórios", que reflete sobre a produção de artistas de várias partes do país, sem deter-se às fronteiras regionalistas. Sem dúvida, esse é o desafio apresentado por pesquisadores, curadores e críticos de arte na mostra.São 80 obras que, apesar de estarem em regiões e espaços distintos, denotam uma direção comum.

Envolvidos por uma estética rica de sentidos e utilizando técnicas diversas, os artistas ultrapassam os limites geográficos para apresentar suas respectivas poéticas. Em comum, motivam a participação do público à experiência estética, reafirmando a arte como território livre. Para Elza Ajzenberg, coordenadora da exposição e diretora do MAC-USP, "essa estética de um território de liberdade designa aquele espaço em que realidade e imaginação estão em conflito. De um lado está a realidade do mundo concreto; de outro, uma realidade em que o artista apresenta-se como guardião de fronteiras, revelando o mundo através de suas descobertas ou metáforas poéticas".

A visão do artista, repleta de símbolos e imagens, pode tornar a realidade do mundo externo mais plena de sentido, retomando a concepção de Paul Klee - a arte torna visível o invisível. Enfim, a mostra "Territórios" envolve a idéia de território livre e está associada a projetos de arte contemporânea que orientam a superação de limites econômicos- sociais e culturais. Organizada em três núcleos - "Cotidiano", "Fragmentos da Terra" e "Entre o Visível e Invisível" , na exposição estão presentes a motivação, a visão e a idéia de que o ambiente expositivo proposto não é o limite. Para participar da escolha dos artistas, foram convidados pesquisadores, curadores e críticos de arte da Associação Brasileira de Críticos de Arte (ABCA):

Dayse Peccinini, Ana Mãe Barbosa, Lisbeth Rebollo Gonçalves, Elvira Vernaschi, Ana Cristina Miranda e Kática Canton. Estão presentes na coletiva obras dos artistas Alciando Moreira, Ana Maria Nogueira, Anna Barros, Berna Reale, Branca Coutinho, Carlos Eduardo Uchoa, Carlos Fajardo, Carmela Gross, Cristina Ribgas, Diana Domingues e Grupo Artecno, Eliene Zaroni, Elias Santos, Fernando Limberger, Fernando Magalhães Velloso, Francisco Klinger, Frida Baranek, Fulvia Molina, Geraldo Souza, Grupo Uni, Gustavo Rezende, Hortência Barreto, Humberto Espíndola, Iara Freiberg, Iole de Freitas, José Carratu, Juliano Moraes, Luiz Hermano, Luiz Roque Filho, Marcelo Nitsche, Márcia Clayuton, Norma Grinberg, NTAV, Orlando da Rosa Farya, Percival Tirapeli, Rafael Maldonado, Regina Carmona, Rogério Gomes, Sergio Romagnolo, Valeska Soares, Vera Gramma e Vitória Gasaia. No mesmo MAC estão "Cartazes Poloneses", do acervo do Museu de Arte Contemporânea da Universidade, considerada a mais completa coleção fora da Polônia, abrangendo affiches de 1920, passando pelos anos 30, 40, 50, 60 e 70 e até os dias atuais. Entre os artistas estão Anatol Wladyslaw, Julian Palka, Josef Mroszczac, J. Treutler, Roman Cieslewicz, Jan Lenica, J. Treutler, J. Venerka, Witold Janowski, Hubert Hilslcher e Wiktor Gorka.

As mostras ficam em cartaz até o dia 29, de terça a domingo, de 10 às 19 horas. À parte as exposições, outro fato relevante em termos do acervo do MAC é que parte do acervo de Edemar Cid Ferreira está no local, sob guarda e administração provisória. Como se sabe, tudo aquilo que foi apreendido da coleção do ex-banqueiro, e direcionado a diversas instituições artístico-cuturais.

Como se vê, nem tudo está perdido no Brasil das falcatruas e campeão de lavagem de dinheiro....


(*) Morgan da Motta é jornalista e crítico de arte. Home Page: www.morganmotta.com. E-mail: mmotta@hojeemdia.com.br)

23.01.2006