Artistas exploram o tridimensional



01. Tula Kawasaki - Interagindo com proposta de Tiago Fazito. (Foto: Sakiko Kawasaki)

02. Instalação de Leandro Gabriel - Resíduos Industriais e carvão.

03. Detalhe - Instalação de Paulo Coelho. (Foto Divulgação Centro Cultural Usiminas).

Morgan da Motta (*)
CRÍTICO/ARTES VISUAIS


O Centro Cultural Usiminas realiza hoje o vernissage da coletiva "Tridimensional na Arte Contemporânea". Exibida anteriormente no Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo, encerra sua itinerância brasileira, podendo ganhar mundo no próximo ano. A mostra reúne 16 artistas com obras inéditas. São cerca de 100 propostas entre instalações, esculturas e objetos, que utilizam materiais dos mais diversos. Entre os artistas, está Fabrício Fernandino, trabalhando no campo das ações físicas e da materialidade. Suas esculturas reagem cedendo lugar à forma.

Fátima Santiago trafega por instalações minimalistas, espelhando-se no aço inox. George Hardy, partindo de suas pesquisas e experimentações do material sintético "Corian", com seu conjunto N-formas, cria esculturas de montar e efeito interativo. Gilberto Lustosa, com seus "tótens", faz incisões onde o vazado sugere um desenho "cavado" a maçarico e é completado com mega instalação colorida. Graça Pires transforma objetos em instalações, enquanto que Leandro Gabriel, utilizando ferro-carvão, discute espacialidade versus visualidade.

Maria Amélia, Mirian Scofield e Paulo Coelho, respectivamente: a primeira, embora milenar a arte têxtil, com suas propostas transforma o tradicional em contemporâneo. A segunda transporta suas gravuras para móbiles e esculturas cilíndricas e suspensas, nas quais grava em chapa inox instalações agrupadas. Paulo Coelho, com instalação suspensa e no chão, em ferro-aço inox e madeira prensada, alcança novas mídias e releituras neoconcretas. Regina da Costa, e seus vidros através de construção-desconstrução, cria algo recorrente à arquitetura desconstrutivista. Ricardo Carvão refaz o caminho do neoconcreto com esculturas coloridas numa tradição iniciada por Franz Wiessmann. Já Thula Kawsaki é destaque: seus objetos são significativos em termos de arte minimalista. Tiago Fazito, com suas figuras fragmentadas, e com exposição marcada para esta semana na Galeria Christian Siret, no Palais Royal com a mostra "Prix Signaturesem Paris" justifica sua presença tanto cá como lá. Valdelice Neves cria ninhos transformados em móbiles de fios de cobre e de aço inox. Valéria Delfin, com sua instalação de resina e fibra e alumínio, critica a globalização.

Quanto a Walter Navarro, com duas assemblages, utiliza-se de materiais imortais... Pau, pedra, fim de caminho. Amanhã, depois de um café-da-manhã, acontecerá debate mediado por este crítico, que também é curador do evento, contando com a participação da diretora do Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo, Elza Ajzenberg; da professora, ex-diretora da Escola de Arte e Comunicação da USP e presidente da Associação Brasileira de Críticos de Arte, Lisbeth Rebollo Gonçalves; do jornalista e escritor também da ABCA, Carlos Soulié do Amaral, e do diretor do Acervo e de Relações Institucionais do MAC-USP, Paulo Roberto Amaral Barbosa. Daqui de BH irão, além dos artistas, os diretores da Escola de Belas Artes da UFMG, Fabrício Fernandino (que integra a coletiva) e seus alunos de Escultura, o diretor da Fundação Escola Guignard (com professores e alunos) e todos os críticos de arte da seção mineira, como Maria do Carmo Arantes, Guiomar Lobato, Celma Alvim e Pierre Santos.

Tridimensional Contemporâneo - A mostra pode ser vista na Galeria Hideo Kobayashio do Centro Cultural Usiminas (Avenida Pedro Linhares Gomes, 3.900, ao lado do Shopping do Vale do Aço, em Ipatinga), até 31 de julho. Monitoria permanente.

(*) Morgan da Motta é jornalista e crítico de arte. Home Page: www.morganmotta.com. E-mail: mmotta@hojeemdia.com.br)

23.06.2005