Experiência e novidade


FOTOS: DIVULGAÇÃO/ANDRÉ BURIAN/IRENA DOS ANJOS

Pintura que é quase painel da série “Catadora de Café”, de Jarbas Juarez, e dois trabalhos em técnica mista de João Maciel



Morgan da Motta (*)
CRÍTICO/ARTES VISUAIS

A Savassi, região de maior concentração cultural de Belo Horizonte, ganhou no final de semana um espaço diferenciado para exposições temporárias e comerciais, com a abertura da galeria de arte 1º Andar, em espaço de 200 metros quadrados. Criada pelo artista plástico e curador Glauco Morais, proprietário da escola de artes visuais Maison de Arte, teve como abertura a individual comemorativa de 51 anos de carreira de Jarbaz Juarez.

A exposição conta com 20 obras, entre pinturas, objetos e desenhos.O mote principal são obras que demonstram a trajetória do artista. Em cada exposição a ser realizada, o artista e curador Glauco Moraes fará uma palestra de 30 minutos, falando um pouco do artista, da trajetória, mercado e técnica. A intenção é mostrar ao espectador a compreensão do processo criativo de cada artista. O auditório tem capacidade para 50 pessoas e é equipado com sistema de som e vídeo, onde haverá também seminários e encontros com artistas.
Jarbas Juarez Antunes, ex-aluno de um dos mais notáveis grupos do mestre Alberto da Veiga Guignard no início da década 50, sempre se interessou pela qualidade técnica versus diferentes suportes. Partindo dos desenhos, passa pela pintura e alcança de gadgets (leia-se apetrechos ou objetos) e esculturas, sendo que às vezes chega a «arriscar» as instalações.
Ao lado de “Catadeiras de Café” e “Nus”, salta aos olhos a série desenhos de animais, ora em P&B ora coloridos, fazendo contraponto com relevos que sugerem gravuras em metal.
Jarbas Juarez que foi nosso colega na primeira turma de Jornalismo ou Comunicação Social da Universidade Federal de Minas Gerais, em 1964. Ele trilhou caminho marcado pelas experimentações. Mais tarde, centrou-se na pintura e no desenho, no entanto, sem cair no tradicional...
A individual de Jarbas Juarez Antunes, com sabor de retrospectiva, fica em cartaz até o dia 21 de agosto, na Avenida Getúlio Vargas, 912, com entrada pela Rio Grande do Norte, Savassi, no 1º andar da Galeria. Visitas de 9 às 18 horas, de segunda a sexta, e aos sábados, de 9 às 12 horas.
Em outra mostra, trafegando pelas pinturas, fotografias, desenhos e assemblages, João Maciel, que tem obras no acervo da coleção Gilberto Chateaubriand e integrou principais mostras de arte contemporânea incluso Bienal do Mercosul, convoca para a última chamada de sua mais recente individual, na Galeria Belizário. A rua contemporânea aparece em todas suas propostas, como assim escreveu o curador e artista André Burian.
Enfim, das fotografias sobrepostas por graffitis, das pinturas objetos recorrentes a um Rauschenberg, ele alcança assemblages e outros gadgets que, de algo simples e singelo, assume outro ato ou tom provocativo.
Além disso, os símbolos e signos do artista migram de um suporte para outro sem obedecer limites como quase que num passe de mágica. Daí, a razão por que recomendamos com entusiasmo esta mostra que chega ao seu final na quarta-feira. Seria o Rauschenberg à brasileira, ou caboclo, se prefere... É imperdível.
Os três últimos dias da camaleônica individual de João Maciel, na Belizário Galeria de Arte - última chamada hoje, terça e quarta - pode ser vista à Rua Ceará, 999, nos Funcionários, entre Colégio Arnaldo e Rua dos Aimorés.


(*) Morgan da Motta é jornalista e crítico de arte, membro da Associação Brasileira de Críticos de Arte e da Associação Internacional de Críticos de Arte (ABCA-AICA).Home Page: www.morganmotta.com. E-mail: mmotta@hojeemdia.com.br

23.06.2008