VISUAIS - A mostra internacional mais conceituada do mundo deixa a desejar em 12ª edição


Kassel


FOTOS: DIVULGAÇÃO


1 - Videoarte da dupla Dias e Riedweg
2 - A instalação da mineira Iole de Freitas
3 - As cordas de Sheela Gouda, que sugerem cobras
4 - A instalação-plantações de arroz de Sakarin Krue-On
5 - Os curadores da Documenta de Kassel, Roger M. Buergel e Ruth Noack




Morgan da Motta (*)
CRÍTICO/ARTES VISUAIS

A cidade alemã de Kassel, que fica bem no centro do país, desde 1955 realiza de cinco em cinco anos, mostra de arte moderna e contemporânea, que nos últimos 15 anos era citada como modelo de mostra internacional. A grande maioria, que considerava as bienais de Veneza e São Paulo mais do que superadas e desgastadas, enxergava na Documenta de Kassel a única saída em termos de exposições ditas internacionais. A 12ª edição do evento, realizada de 16 de junho a 23 de setembro quer tornar a arte contemporânea acessível para além do mero espetáculo e dos grandes nomes. “Migração da forma” é o lema que norteou a concepção da mostra. Propõe uma reflexão descentrada sobre a herança do modernismo em diversas partes do mundo. Ao se empenhar pela formação de um público capaz de apreciar a arte contemporânea, resgata uma meta da primeira documenta, realizada em 1955 com o propósito de reabilitar as vanguardas modernas, excluídas e perseguidas pelo nazismo como “arte degenerada”. São 113 artistas, entre eles, os brasileiros Ricardo Basbaum, de São Paulo, mas vive e trabalha no Rio de Janeiro; a mineira de Belo Horizonte, Iole de Freitas, artista multimídia que vive no Rio de Janeiro e tem instalações expostas no mundo todo; e o carioca Maurício Dias, videoartista que trabalha com o suíço Walter Riedweg, os dois moram no Rio de janeiro. Comentários sobre as obras na página 8 deste caderno.
A edição deste ano gerou expectativa, principalmente depois que as últimas bienais de São Paulo e Veneza deixaram uma sensação de frustração no ar. No entanto, depois de 28 horas de visitas, em quatro dias, uma pausa de três dias em Munique, e nova maratona visitando a Bienal de Veneza, conclui-se que o eixo Itália-Brasil não tinha solução. Por incrível que pareça com a curadoria do norte-americano Robert Storr, Veneza alcançou um up-grade e Kassel, apesar dos três anos de organização, através do casal curador Roger M. Buergel e Ruth Noack, resultou num senhor fiasco, apesar das idéias dos dois que, além de curadores, são conceituados historiadores.
No catálogo, os textos do prefeito de Kassel, Bertram Hilgen, e da dupla Buergel-Noack, antes da visita fez dobrar as expectativas. O prefeito escreveu: “Nós sentimos que Kassel desenvolveu seu próprio senso de tempo. Este mágico pedaço de tempo, estes cinquenta dias que acontecem de 5 em 5 anos, que mudou a cidade. É por que no logotipo da cidade agora inclui as palavras ’Documenta City’, assim como um sinal de distinção emblemática e a grande locação para a arte. Afinal, visitante de todas as partes do mundo visitam Kassel e descobrem o seu prestígio como capital das artes”.
O diretor artístico, Roger Buergel, e a curadora e sua companheiro Ruth Noack esclarecem: “A mega exposição não tem forma. Este fato trivial nos fez combinar precisão e generosidade. Não se apresenta com nenhum tema e muito menos dedica a único artista”. Sem dúvida, idéias vanguardista e excelentes, no entanto, resultados desastrosos. Será que eles basearam mais ou menos no formato da última bienal de São Paulo, “Viver Juntos”, que terminou num divórcio entre curadores e artistas convidados?



(*) Morgan da Motta é jornalista e crítico de arte, membro da Associação Brasileira de Críticos de Arte e da Associação Internacional de Críticos de Arte (ABCA-AICA).Home Page: www.morganmotta.com. E-mail: mmotta@hojeemdia.com.br

23.07.2007