Cidade se destaca pela mostra de arte
espaço arborizado



FOTOS: DOCUMENTA KASSEL


1 - A cidade de Kassel, com seu amplo espaço verde em evidência
2 - Instalação do artista brasileiro Ricardo Basbaum, que integra a mostra da Documenta




Morgan da Motta (*)
CRÍTICO/ARTES VISUAIS

A Documenta de Kassel espalha-se por todos os ambientes da cidade totalmente arborizada. Pode ir-se de um módulo a outro em cinco minutos, à exceção de um espaço - dublê de palácio e museu-, onde existe uma plantação de arroz que foi cultivada por mais de mil chineses.
Partindo do módulo principal, o Museu Fridericianum, localizado bem no centro da cidade, num setor mais elevado e de onde tem vista privilegiada de toda Kassel, chega-se à Neue Galeria (nova galeria), à Documenta Hall e, para finalizar, uma passagem pelo Aue Pavillion, que exibe módulos infláveis, bem no centro de um parque. Vale uma visita, de preferência após o almoço, ao museu- castelo, para apreciar a plantação dos chineses - uma estrutura que alia verdadeira arte conceitual e preocupação ambiental: tendo como mote o lado histórico do castelo, é perceptível uma crítica aos trangênicos, aos produtos químicos e até nutrientes.
Depois de quase três horas de visita, que incluiu o acompanhamento de uma produção japonesa que trata de bondage e sadismo, performance de roda de samba com balé, chegamos à instalação de uma artista plástica brasileira, a belo-horizontina Iole de Freitas. A obra de Iole é uma mega instalação que sai de uma das maiores salas do museu, sobe pelas paredes e despenca através de um enorme buraco em uma parede à frente do Museu e à Praça Principal. A instalação se estende por mais de cinco metros de altura no lado de fora do museu.
Que proeza! Iole conseguiu arrebentar as paredes de uma instituição de peso, para derramar suas ondas translúcidas do lado de fora do museu.
Por sua vez, num dos pavilhões infláveis, uma proposta que funde vídeos e um único objeto em formato de barco, propõe: “Voce gostaria de participar de uma experiência artística?” Na tendência “deslocamento”, tal objeto rodou o mundo, com passagem pelo Brasil, incluindo a Lagoa da Pampulha, onde contou com a colaboração e participação da mineira Marta Neves. Essa obra, recheada de almofadas e vídeo, acabou sendo a maior atração de todo o evento.
Quanto ao novo museu, os destaques são uma instalação funerária de um artista indiano, propostas do argentino Leon Ferrari e o ambiente onde está Sheela Gowda, cujas cordas do teto ao chão sugerem cobras, e se prestam a visualizar o que seria escultura, desenho, pintura. Visualmente belo, mas nem tanto original: bienais dos anos 70, tanto na França (Bienal Jovem de Paris) como no Brasil (Bienal de São Paulo) já foram palco para essas experiências.
No mesmo nível de Leon Ferrari, o brasileiro Sacilloto, batizado de “artista operário” por ter vivido toda sua vida em São Bernardo, no ABC paulista, estava muito bem representado por mega escultura.



(*) Morgan da Motta é jornalista e crítico de arte, membro da Associação Brasileira de Críticos de Arte e da Associação Internacional de Críticos de Arte (ABCA-AICA).Home Page: www.morganmotta.com. E-mail: mmotta@hojeemdia.com.br

23.07.2007