Plástica rejuvenescedora

Fotos: Carlos Muniz/G. Guimarães

DESTAQUES: Acrílica sobre telas de Carlos Muniz, e Julia Panadés em ação



Morgan da Motta (*)
CRÍTICO/ARTES VISUAIS

C.M. dublê de cirurgião plástico e pintor tem vernissage e lançamento de livro na quinta-feira, na Galeria Quadrum, onde comemora 34 anos de atividades.
Pinturas recentes e lançamento de livro "1972 a 2005", do artista plástico Carlos Muniz, serão atração em dose dupla na Quadrum Galeria, a partir de 19 horas da próxima quinta-feira. Serão apresentados dez painéis dípticos de pintura, com 200x300 centímetros cada um, na sua maioria recorrentes ao preceito dos Concretistas e Neoconcretistas brasileiros dos anos 50.
Conhecido, sobretudo, por suas pinturas geométricas, o artista montes-clarense e dublê de cirurgião plástico e pintor possui significativa produção de pinturas monumentais (leia-se quase painéis). Essa seleção cobre toda trajetória, ou seja, dos anos 70 até hoje. Ele explora as formas geométricas, rigorosamente construídas, recorrentes aos movimentos de arte concreta e neoconcreta.
No catálogo, assim escreve o crítico Geraldo Edson de Andrade: "O que mais atrai atenção do espectador diante da pintura de Carlos Muniz é a admirável coerência à linguagem geométrica que adotou como escrita, lá se vão mais de trinta anos. Acrescente-se ainda nessa coerência a maneira elegante de pintar e o uso da cor, tudo dentro de um impecável rigor formal. Admirável, porque C.M. foi evoluindo com a sua pintura assumidamente construtiva na melhor tradição brasileira, assim como tantos outros jovens artistas da geração de 70 à qual pertence; uma geração que não só participou como marcou presença".
Quanto ao livro "Carlos Muniz - 1972/2005", tem patrocínio da Soebras (Associação Educativa do Brasil) e Funorte (Faculdades Unidas do Norte de Minas). Além da apresentação do diretor da Soebras-Funorte, Ruy Adriano Borges Muniz, constam textos críticos Pierre Santos, Frederico de Morais, Mari’Stela Tristão, Enock Sacramento e o nova-iorquino Thomas Lawrence.
Outra exposição, cartaz desde o fim de semana na Galeria Cemig, a artista Júlia Panadés mostra seu trabalho sob o título "Desenho Corpo porque Vivo", com imagens criadas a partir de pesquisas em que desenho e poesia se entrelaçam.
São propostas realizadas entre 2003 a 2006... Desenhos bordados, feitos sobre papéis ou tecidos transparentes. Além disso, algumas aquarelas, feitas com pouca água; e também palavras, corpos, objetos, estruturas, muitas linhas vermelhas que se cruzam, qua atravessam as superfícies, mais desenhos direitos e avessos e, também, um corpo que flutua.
Júlia Panadés nasceu em Belo Horizonte, em 1978. Está envolvida com a produção artística desde a infância, quando estudou em um centro de criatividades de Belo Horizonte. Adolescente, cursou em uma escola paulista que, em seu método pedagógico possuía oito horas semanais de aula. Retornou a Belo Horizonte e graduou-se em Artes Plásticas pela Escola Guignard, que hoje faz parte da UEMG, especializando-se em desenho e serigrafias. Fez pós-graduação na Escola de Belas Artes da UFMG, onde participa do Grupo Linha, que realiza pesquisas em artes plásticas e poesia. Desde 2004, faz mestrado em Artes Visuais.

Carlos Muniz - Noite de autógrafos e pinturas recentes, quinta-feira, a partir de 19 horas, na Galeria Quadrum (Avenida Prudente de Morais, 78, Cidade Jardim). Visitas de segunda a sexta-feira, de 12 às 19 horas, e aos sábados, de 10 às 14 horas. Júlia Panadés - "Desenho Corpo Porque Vivo" - Até 2 de novembro, De segunda a sábado, de 8 às 19 horas, na galeria do andar térreo do edifício sede da Cemig (Avenida Barbacena, 1200, Santo Agostinho).

(*) Morgan da Motta é jornalista e crítico de arte, membro da Associação Brasileira de Críticos de Arte e da Associação Internacional de Críticos de Arte (ABCA-AICA).Home Page: www.morganmotta.com. E-mail: mmotta@hojeemdia.com.br

23.10.2006