Deuses Gregos, Laborne e Letícia Silveira

1, 2 e 3 - Eros adormecido, Cabeça de um deus paterno e Katharos - um copo de bebida tipicamente usado pelo deus Dionísio, da mostra "Deuses Gregos", em São Paulo.
Fotos: Johannes Laurentius

4 - Pôr-do-sol em Key West, por Paulo Laborne.
Foto: Paulo Laborne

5 - Óleo sobre tela de Letícia Silveira.
Foto: Letícia Silveira



Morgan da Motta (*)
CRÍTICO/ARTES VISUAIS

A civilização mais importante da Antigüidade e também a mais influente de toda a História é o tema da exposição em cartaz da Fundação Álvares Pemteado (Faap), em São Paulo, pela primeira vez no Brasil e na América Latina.
São 200 peças de arte greco-romana, dividida em duas grandes alas. A visita começa na representação de um panteão greco, com nove divindades dispostas em espaço arredondado junto a cabeças de deuses e vasos de cerâmica com cenas da mitologia. No segundo módulo, encontra-se a grande atração: a representação do monumental Altar de Pergamon, em tamanho natural.
O lote soma uma tonelada e é complementado com cenografia com direito a jardim e escadarias de um templo reunindo esculturas, utensílios do cotidiano e outros elementos decorativos de Pergamon - cidade construída no século II antes de Cristo (onde hoje está a Turquia), centro da cultura helênica.
No fim do século XIX, arqueólogos alemães escavaram o sítio e levaram parte das ruínas para Berlim. Um dos achados mais importantes foi o altar que representa deuses como Zeus, trazido em forma de réplica. O panteão completa a mostra com originais de Afrodite, Hermes, Atena, Poseidon e Asclépio, o deus da medicina.
A Grécia sempre seduziu gerações, marcada por seus grandes pensadores, por arquitetos que criaram estilos copiados no mundo inteiro, pela criação da Democracia e do Teatro. Sua mitologia continua encantando crianças, jovens e adultos, e é retratada por meio de peças em mármore, bronze e barro queimado, mostrando a dimensão e o efeito real que as obras greco-romanas tinham em seu tempo.
Nesta primeira trajetória, 15 pesquisadores trabalharam na descrição e na pesquisas das peças, orientados por dois curadores: a arqueóloga alemã Dagmar Grassinger e o antropólogo brasileiro Tiago de Oliveira Pinto.
Enfim, nunca uma exposição tão expressiva de arte greco-romana deixou Berlim - o Museu Pergamon, um dos cinco grandes localizados sobre uma Ilha do Rio Spree, patrimônio histórico da humanidade da Unesco e parte da Fundação Cultural Prussiana, que assinalou convênio com a Faap.
Aqui em Belo Horizonte, o Hospital de Olhos Dr. Ricardo Guimarães, em parceria com a Câmara Americana de Comércio-MG, abre mais um espaço, visando a propagação da cultura e a valorização do artista, com o projeto «Viver Arte». Além do foco cultural, o objetivo é despertar a atenção das pessoas para a importância da qualidade visual, uma vez que somente os cuidados adequados com os olhos permitem «ver» bem o mundo e suas maravilhas. Dessa forma, o hospital coloca sua estrutura como mais um espaço cultural, com exposições periódicas e diferenciadas.
O premiado fotógrafo e cineasta mineiro Paulo Laborne abre o projeto com 25 fotografias inéditas - imagens de Key West, considerado "marco zero" dos Estados Unidos, famosa por suas construções em madeira. Após diversas exposições pelo mundo afora, esta é a segunda vez que Laborne lança o olhar para o território norte-americano. A primeira foi "Art Deco District", de South Beach, Miami.
A ilha de Key West é muito conhecida por ter abrigado, durante anos, o escritor Ernest Hemingway, prêmio Nobel de Literatura com a obra «O Velho e o Mar» (1952). O autor, que também escreveu o clássico "Por quem Os Sinos Dobram", deixou uma grande marca na Ilha, e sua casa foi transformada em museu após a morte trágica - suicidou-se, em 1961, com um tiro de espingarda.
Continuando em BH: a galeria de arte do PIC-Cidade apresenta, até o fim do mês, a primeira individual de Letícia Silveira. Depois de participar de inúmeras exposições coletivas, com sua pintura de origem figurativa e traços expressionistas e até certo ponto surrealistas, tem como mote "A Maternidade".
Autodidata, sua pintura passou por nítidas transformações depois que veio a freqüentar o Projeto Arena da Prefeitura Municipal de Belo Horizonte, sob orientação do artista plástico e professor Rui Santana.
Sem dúvida, Letícia, que tem como atividade principal a ocupação de doceira, vem justificando tais programas culturais, aperfeiçoando sua pintura e conseguindo agregar um complemento ao seu salário, fazendo o que mais gosta: pinturas e doces.



"Deuses Gregos, Coleção do Museu Pergamon de Berlim" - No Museu de Arte Brasileira em São Paulo (Rua Alagoas, 903, bairro Higienopólis). Visitas de terça a sexta, de 10 às 20 horas; aos sábados, domingos e feriados, de 10 às 17 horas. Até 26 de novembro. Paulo Laborne - No Hospital dos Olhos (Rua da Paisagem, 220, Vila da Serra), diariamente, de 8 às 18 horas. Letícia Silveira - Na galeria de arte do PIC-Cidade (Rua Cláudio Manoel, 149). Visitas de segunda a sábado, de 8 às 22 horas. Até o dia 30.

(*) Morgan da Motta é jornalista e crítico de arte, membro da Associação Brasileira de Críticos de Arte e da Associação Internacional de Críticos de Arte (ABCA-AICA).Home Page: www.morganmotta.com. E-mail: mmotta@hojeemdia.com.br

25.09.2006