As viagens de Verger

FOTOS: REPRODUÇÃO/HOJE EM DIA

1 - O vigor e a beleza feminina: entre os destaques da mostra de Verger, cartaz no Museu Inimá de Paula

2 - Cena típica da Andaluzia, região onde o artista se instalou por mais tempo para produzir suas belas imagens




Morgan da Motta (*)
CRÍTICO/ARTES VISUAIS


O calendário 2009 praticamente começa no mês de março, no entanto, uma individual e uma coletiva de fotografias, “A Fotografia em Questão”, oferecem atrações à parte num mês pobre de novidades.

A primeira mostra, “Andaluzia 1935”, de Pierre Verger, no Museu Inimá, faz contraponto com a coletiva Mostra Fotográfica Belo Horizonte, no Diamond Mall, com cliques dos fotógrafos mineiros Miguel Aun, Silvio Coutinho, Inês Rabelo, Eugênio Sávio e Marcelo Andre sobre as paisagens, pessoas e espaços da capital mineira.
De uma maneira diferente, Verger envereda por paisagens e pessoas da Andaluzia, na década 30, ou seja, sem cair naquele repetir do sincretismo religioso e raízes africanas já vistas e revistas por inúmeras vezes na capital, tão ao gosto da antiga administração do P.T. Foram tantas que, se não fosse sobre outro tema, não daria para encarar...
Como se sabe, Pierre Verger chegou à fotografia em 1932, em um momento difícil de sua existência.Tinha 30 anos e estava cansado da soecieade parisiense; sua mãe, último vínculo famliar, acabara de morrer. Ele decidiu dar uma reviravolta em sua vida e dicacar-se à fotografia.
Entre 1932 e 1935, percorreu amplo périplo que o levou à Rúsia, Taiti ( onde passou todo o ano de 1933), Nova Iorque, Los Angeles, China, Japão, Filipinas e Espanha.Com sua Rolleiflex 120 e montado numa bicicleta, chegou à Espanha em março de 1935 e aí percorreu cerca de 3.500 quilômetros. Depois de passar por Port Bou, Catalunha, com uma breve parada em Barcelona para ver as realizações arquitetônicas de Gaudí, continuando a pedalar ao longa da costa do Mediterrâneo, passando por Valência, Alicante, Elche, onde segundo ele, parecia estar em uma oásis dos desertos da África. Foi em Andaluzia onde permaneceu mais tempo. Resultado: Granada, Allhambra, os Jardins do Generalife e os bairros ciganos do Albaicin; Córdoba e sua catedral violentamente inserida no meio da antiga Mesquita; as touradas; a Semana Santa em Sevilha e mais o povo e seu entorno, eis aí o resultado da coletiva.
Ainda era a Espanha de antes da Guerra Civil, que já estava muito perto, e que ia estourar alguns meses mais tarde.
A exposição é promoção da Aecid, uma agência estatal do Ministério de Assuntos Exteriores que faz parte da missão diplomática espanhola no País. É responsável pela execução e pela gestão dos projetos e programas de cooperação para o desenvolvimento, diretamente, com recursos próprios ou mediante colaboração com outras instituições nacionais, internacionais e organizações não-governamentas.
Além disso, a atividade da Aecid no campo cultural no Basil complementa e se coorena com a que desenvolve a Embaixada da Espanha através da Conselheria de Cultura e do Instituo Cervantes, instituição espanhola responsável pela divulgação e promoção da língua e cultura em espanhol.
Para aqueles que já viram tudo sobre Verger e o Sincretismo Regioso, esta mostra resulta em algo inteiramente diferente, que merece uma vista d’olhos mais apurada.
O conjunto é excepcional, sendo o único senão a montagem de quase 80 fotografias no espaço expositório das mostras temporárias que, pela montagem um tanto ao quanto amontoada, dificulta para uma leitura mais prática e objetiva, ao contrário das exposições anteriores lá exibidas.
Esquecendo o empecilho da montagem, tudo ok. Visitem.
Mudando de assunto, ainda com relação a fotografia, o Diamond Mall apresenta até quarta-feira a mostra fotográfia “Belo Horizonte”, que retrata o olhar dos artistas Miguel Aun, Silvio Coutinho, Inês Rabvelo, Eugênio Sávio e Marcelo André, todos eles mineiros e bastante premiados e conceituados.
O Objetivo da exposição coletiva é homenagear Belo Horizonte e mostrar como BH, além de nova, é vibrante.
As imagens ficarão expostas durante o horário de funcionamento do Diamond Mall.
E, finalmente, mais um Resumo HOJE chega ao seu final com êxito, apesar de embaraços e chateações causados pela Lei de Incentivo à Cultura, do chuvoso mês de dezembro e, enfim, por ser praticamente período de Festas e Férias.
Afinal de contas, os patrocínos não existem mais, os apoios culturais, de valores menores e poucos, estão minguando. Resta agradecer pelo suporte do setor de Marketing do HOJE EM DIA, ao Museu Inimá de Paula, pelo colecionador Mauro Tunes, e a participação no núcleo Acontecimento Cultural do Ano, bem como a cessão das obras da colecionadora Anita Uxa e sua família.

Pierre Verger - Andaluzia 1935 _ De terça a sábado, no Museu Inimá de Paula, na Rua da Bahia, 1201. Terças, quartas e sextas, de 10 às 18 horas; às quintas, de 12 às 21 horas, e aos sábados, de 10 às 18 horas. Aos domingos e segundas, o Museu não funciona. Ingresso a R$ 5, sendo que menores de 10 anos e maiores de 60 não pagam.Estudantes pagam meia. Monitores treinados estarão à postos.


(*) Morgan da Motta é jornalista e crítico de arte, membro da Associação Brasileira de Críticos de Arte e da Associação Internacional de Críticos de Arte - Orgão da Unesco.
Home Page: www.morganmotta.com
E-mail: mmotta@hojeemdia.com.br


26.01.2009